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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Porto Alegre, São Paulo e Rio: e por que não?

Os heróis da resistência que me leem sabem que defendo a teoria de que devemos fazer maratonas na sequência, já que o que mata é o treinamento para elas. Considero que fazer Porto Alegre, São Paulo e Rio é quase perfeito. Elas são distantes o suficiente para não se perder o treinamento e nem ficar sobrecarregado.

Porto Alegre é duas semanas antes de São Paulo, que é três antes da do Rio. Lógico que, depois das três, é preciso descansar cerca de um mês ou um pouco menos, para não sobrecarregar o corpo e a cabeça. Conta também o fato de serem maratonas a custos acessíveis, embora a do Rio tenha passado para julho, o que encarece um pouco mais, em função das férias escolares.

E, fazendo as três, ainda é possível dar um tempo e depois encaixar uma 4ª maratona no ano lá por outubro ou novembro.

Por outro lado, é bom lembrar que maratona sempre é um esforço extremo, salvo se a fazemos com folga, o que quase nunca acontece. Normalmente todo mundo anda perto do seu limite, em busca de recorde pessoal ou de uma boa performance.

Muito provavelmente depois que as condições financeiras melhorarem, lá por 2025, devo incluí-las no calendário anual.



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro


Estive no Rio no fim-de-semana passado, com os filhos, correndo (apenas eu, claro) a meia maratona internacional, prova organizada pela Yescom com apoio da toda poderosa Rede Globo.

Como todas as provas que aparecem na tevê, muita gente se inscreve, é um tumulto por conta disso, e outros tantos não comparecem. Não me perguntem exatamente porque, pois realmente não entendo tantos não aparecerem para correr, apenas pegar o kit e não participar. Talvez ("talvez") se exibir com a camiseta na rua outros dias. Realmente não sei. Assunto para sociólogos, antropólogos e psicólogos.

Sobre a retirada do kit, não tenho nada a comentar, já que o Daniel fez isso para mim. O kit continha a camiseta (que é ótima), aqueles dilatadores nasais, amostras de café 3 Corações e mais algumas instruções, se não esqueci de nada. Nenhum boné, isotônico ou carboidrato em gel (tô ficando exigente).

Ainda não sabia como seria meu desempenho, já que ando com as dores nas panturrilhas oriundas na prova da Mizuno (em 27/6). Desde lá, já consultei nutricionista, cardiologista, ortopedista, angiologista e está só faltando a casa espírita. O cardiologista mandou consultar o ortopedista. O ortopedista disse que não era muscular, sugeriu ver a circulação. O angiologista disse para não ir nesses "ortopedistas comuns" e sim em alguém de medicina do esporte... Disse que está tudo bem, faremos um exame dia 30, mas só para ter 100% de certeza, pois pelo exame clínico já descartou que as dores sejam algo de circulação.

No sábado à noite, coloquei bastante gelo no local e, domingo pela manhã, antes da prova, passei o óleo de arnica da Weleda que costumo usar em algumas ocasiões. E, embora o ortopedista tenha dito que não é muscular, parece que ajudou, pois consegui correr relativamente bem, para quem andava correndo a 6:30/km.

Larguei junto com o Duda e a Danuse, mas logo, acho que ainda era o km 1, não consegui acompanhar o primeiro, nem ela, que me passou pelo 3, se não estou enganado. Meu Garmim deu uma pane (sinal de que está para estragar a qualquer momento) e não funcionou. Apareceu como bateria fraca, embora tenha carregado-o na quinta à noite depois que voltei do treino. Sem relógio é meio esquisito para quem está acostumado, mas fui indo. A grande vantagem em relação ao ano passado, foi que saímos bem mais na frente. Ano passado, levamos 17 minutos para cruzar a largada. Nesse ano, apenas 4:30. Isso ajudou bastante, pois era preciso ultrapassar bem menos pessoas. Até pareceu que a prova estava mais "vazia".

Senti um pouco de cansaço lá pelo 8 ou 9, mas foi passageiro, provavelmente logo após deve ter surtido efeito o gel e os isotônicos que tomei, e recuperei as forças, indo num ritmo relativamente bom, dentro do contexto, lógico, de quem já estava acostumado a correr a 6:30/km. Senti a falta de treino naquele ritmo e o peso que peguei (e que pode ser percebido pela foto) com certeza atrapalhou um pouco. Não é fácil carregar 89kg e fazê-los movimentar a engrenagem.

Acho que lá pelo 15, avistei a Danuse e perto do km devo tê-la ultrapassado. Pouco antes desse ponto, o Daniel, meus filhos e outros acompanhantes estavam colocados, vendo-nos passar e gritando palavras de apoio. O km 17 foi um ponto à parte, que quase todo mundo reclamou, pois havia numa passarela um indicativo de um dos patrocinadores (um curso de inglês) com o aviso de km 17, só que era alarme falso e a plaquinha do 17 apareceu meio km depois. Do ponto de vista psicológico, a essa altura do campeonato, e levando-se em consideração que o percurso já não ajuda nessa parte, uma vez que vemos o povo chegando do outro lado da via, foi uma cacetada na cabeça. Dá uma desanimada momentânea, já que estamos em contagem regressiva, implorando que os quilômetros passem mais rapidamente e eles sempre parecem que tem mais de 1.000 metros.

Procurei o Duda no retorno, imaginando que talvez ele estivesse não muito à minha frente, mas a falta de relógio me tirou a noção de tempo. Ele estava bem mais adiantado. Terminou em 1:42:02, enquanto acabei cruzando a linha de chegada em 1:49:14. A Danuse chegou em 1:51:29, acompanhada do "negrinho" dela, e mais 10 da equipe também chegaram depois.

Missão cumprida - melhor do que eu imaginava, já que nos meus melhores sonhos, estava me arrastando para chegar em 2h, a surpresa boa foi na segunda. Eu e os filhos tínhamos entrevista para o visto americano. Fazia um dia maravilhoso, e após o compromisso consular, pudemos desfrutar, com o resto do pessoal que ficou por lá, de um ótima tarde de praia, com temperatura boa e muito calor.

Como tudo que é bom não dura para sempre, retornamos no início da noite para Porto Alegre. Mas ano que vem tem mais com toda a certeza.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mais uma Maratona de Porto Alegre

Domingo, 23 de maio, 6h da manhã. Ainda era uma escuridão quando chego na nossa barraca armada no Parque da Harmonia, para minha 18ª participação na Maratona de Porto Alegre.

Não dormi tudo que queria, mas também não foi insuficiente. Despertei umas duas vezes durante a noite, fruto da ansiedade e expectativa naturais diante do evento, mas foi só uma questão de virar para o lado e voltar ao descanso.

O dia não amanheceu como seria o ideal para nós maratonistas. Temperatura agradável, com algum vento, céu encoberto e instável, mas não aquele frio que deveria estar nessa época do ano.

Às 7h em ponto, deu-se a largada feminina. 15 minutos depois, largamos nós, homens, e o povo do revezamento em duplas.

Saí com o Zé Luiz, meu amigo carioca, para fazer a média de 5min/km. O primeiro já não deu por conta do tráfego intenso e a via estreita na Loureiro da Silva, mas nos 2 ou 3 seguintes conseguimos ajustar isso. O Pedro da Conceição logo em seguida juntou-se a nós.



O começo de maratona sempre é muito tranquilo. Os quilômetros passam ligeirinho. Quando a gente vê já está no 10. Fizemos em 49:43. Bem dentro do previsto. Vez que outra, a gente dava uma aceleradinha por conta de alguma descida, e eu ficava dando pito nos dois, para a gente maneirar.

Logo no retorno da Goethe (km 11 ou 12) enxergo o Edson, o Alessandro e o Valdomiro, mais ou menos juntos, dois deles, a meu ver, mais rápido do que deviam. Esse ponto do trajeto, na minha ótica, é um dos piores, porque tem subida para chegar na Vasco da Gama, durante ela, e depois quando ingressamos na Goethe e viaduto da Silva Só. Claro que comparando Porto Alegre com Porto Alegre, porque com as outras maratonas, aí é filé mignon.

Já na Botafogo, lá pelo km 15, a Esa passa de bike por mim, em busca da Bina e da Bruna, que estavam mais à frente. Passamos pelo Shopping Praia de Belas e ainda na avenida homônima encontro a Nara, na altura do km 18. Pergunto se está tudo bem, ela me responde afirmativamente e sigo em frente, já imaginando que encontraria a dupla de pupilas logo em seguida.

Nesse ínterim, o Pedrão já não nos acompanha e fica pouquinha coisa para trás quando ingressamos na João Alfredo. Retornamos à avenida Loureiro da Silva e vamos em direção ao Gasômetro, já quase chegando na meia maratona, onde havia a troca do revezamento. Lá ouvi uns 2 ou 3 gritarem "Baldi!", mas não me perguntem quem, porque não consegui identificar voz e localização (muita informação ao mesmo tempo) no meio do povo que lá estava. Do outro lado da rua, a "negrinha" e mais alguém que a minha memória não lembra dando aquela força. E nada de encontrar as gurias...

Quase no 24, a Esa passa novamente de bike, e eu já avistava as duas, e só pela passada já dava para ver a Bruna estava cansadíssima. Alcanço-as, a Esa tira uma foto de nós 4, e eu e o Zé seguimos em frente. Mas ele também já dá sinais de cansaço.


Mais alguns quilômetros e já estamos no Barra Shopping, onde passamos o Júlio Cordeiro, dentista e marathon maniac pernambucano. Um pouco mais à frente, encontramos o João Batista, super bem, dentro do contexto de alguém que havia feito, no dia anterior (!), a K42, em Bombinhas-SC. Mais à frente, a Lu Santana também.

O Zé dizia desde mais ou menos o 30 (passamos em 2:29:26): "Vamos ver se conseguimos manter 5 por 1 até o 35, se der, e depois acho que vou ter que baixar, porque tá difícil para mim." Só que, como alguns sabem, eu dou umas "enroladas" psicológicas nas minhas parcerias... e assim fui conseguindo levar o Zé a subir a Wenceslau, que é uma parte ruim àquela altura da prova, dizendo que logo em seguida havia uma descida e a gente descansava... E assim chegamos no 35 (2:54:38).

Pegamos a Diário de Notícias, onde me pareceu que estava bem mais quente, e a Lúcia nos encontrou no km 36, no Barra Shopping, para o suporte da nossa campanha "Adote um maratonista". Pedi um "Twix", que eu adoro e já tinha deixado separado na mochila, e que pareceu que era o mais adequado para aquele momento, já que não estava muito a fim de tomar mais um gel (já havia tomado 3 - no 10, 20 e 28). Vou dizer que não é muito fácil ficar mastigando chocolate enquanto a gente corre, mas acho que caiu bem, pelo menos no plano mental. Se ajudou fisicamente, realmente não sei.

O Zé já tinha me mandado ir embora umas 40 vezes até ali, mas a gente estava praticamente entrando na Beira-Rio para os últimos 4 km, não seria agora que eu iria largá-lo por conta de 2 ou 3 minutos a menos. E eu seguia "castigando-o", puxando o que dava, e ele reclamando de dores na posterior da coxa. Mas era o jeito de chegar...



O ritmo caiu um pouquinho já que ele não suportava mais os 5min/km e para mim também já havia deixado de ser confortável há muito tempo. Fizemos dois a 5:16 e 5:15, respectivamente, e ele reclamando muito de cãibra. Os últimos dois acabaram sendo em 5:29 e 5:34, o que foi extremamente tranquilo para mim na reta final, e concluímos em 3:34:11, 281º e 282º dentre os 1.119 homens que terminaram a prova.

Pouco depois de 5 minutos, chegou a Bina, fechando em 3:55, o que a deixou extremamente contente. A Bruna, apesar de não completar a meta da 4h (fez 4:12), também chegou feliz com a missão cumprida. E vale ressaltar o desempenho do Mário: 3h05, o que não é para qualquer mortal. Mas, amigo, te disse que conseguias.

Dentre mortos e feridos, gritos e gemidos, acho que todos saíram contentes com o desempenho, mesmo nem sempre sendo o esperado. É bom lembrar que não fez os 14, 15 graus que normalmente habitam POA nesse período. Aí o negócio é esquecer as metas e fazer o possível, ou seja, chegar. O que não é pouca coisa. E, claro, agora é treinar mais e melhor para a próxima, porque, a cada dia que passa, sempre é possível melhorar alguma coisa.

No meu caso, a melhora já tem dia, hora e local marcados: 18 de julho, 7h30, Cidade Maravilhosa. Quero fazer abaixo de 3h30, nem que seja um segundo... e depois melhorar bem mais para Buenos Aires, dia 10 de outubro.




Agradecimentos ao Matias, Japa, Lara pelas fotos.

Parciais:
km 1- 5:08
km 2- 4:57
km 3- 4:53
km 4- 4:56
km 5 - 4:56
km 6 - 5:00
km 7 - 4:56
km 8 - 4:56
km 9 - 5:01
km 10 - 4:57
km 11 - 4:55
km 12 - 5:01
km 13 - 4:54
km 14 - 5:00
km 15 - 4:58
km 16 - 4:59
km 17 - 4:51
km 18 - 5:04
km 19 - 4:59
km 20 - 4:55
km 21 - 4:58
km 22 - 4:59
km 23 - 4:54
km 24 - 5:00
km 25 - 5:03
km 26 - 4:59
km 27 - 5:00
km 28 - 5:10
km 29 - 4:57
km 30 - 4:58
km 31 - 5:02
km 32 - 4:57
km 33 - 4:58
km 34 - 5:03
km 35 - 5:09
km 36 - 5:00
km 37 - 5:07
km 38 - 5:16
km 39 - 5:15
km 40 - 5:26
km 41 - 5:29
km 42 - 5:34
(total 42,47km)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Histórias estranhas do Rio


Não vimos a violência de que tanto se fala do Rio. Se não fosse pelos noticiários, não se perceberia rigorosamente nada. Arrisco dizer que andamos mais tranquilos do que em Porto Alegre.


O trânsito do Rio, esse sim, assusta. Não se vê em Porto Alegre tantos táxis como lá. E transporte clandestino a torto e a direito. Vans e mais vans irregulares. Enquanto esperávamos na parada de ônibus, sábado pela manhã, para ir ao Cristo Redentor, um rapaz dentro de uma delas que passava grita "Cristo!". Entramos todos nós (uns 10) e o rapaz pergunta: "Vocês sabem como se vai?" Ahn? Ele e o motorista não sabiam... É, pasmem. Não sabiam chegar no Cristo, um dos pontos mais visitados no Rio. Estamos rindo até hoje por conta disso.

Os motoristas de ônibus (e táxis) pensam que estão na Fórmula 1. É impressionante como correm. O dia linha 583 (Cosme Velho) dirigia "com emoção". Chegávamos a pular dentro do ônibus de tão rápido que o cara estava. Outra característica (ruim) dos ônibus é que param em qualquer lugar, literalmente. Se tem que parar na segunda pista para o povo subir ou descer, assim o fazem. Não estão nem aí. E se atravessam de qualquer jeito, trocando de faixa sem a menor cerimônia e sem sequer verificar se podem realmente fazê-lo. Azar de quem estiver ao lado, seja do tamanho que for...

Comemos muito no Bibi Lanches, em Copacabana. Lá, verificamos o que eu já tinha percebido outras vezes: em Porto Alegre, normalmente, quando tem muita gente junta na mesa, se faz uma comanda para cada um (ou pergunta-se sobre o fato). Ali e em outros tantos locais, somam tudo, 120 pratos distintos com valores distintos e seja o que Deus quiser depois para cada um descobrir quanto vai pagar. Uma confusão só.

Em outro local na Av. Nossa Senhora de Copacabana, meu filho mais filho foi comer, pesou e deu R$ 19,00 e alguma coisa. Chegou na mesa e os guris disseram que R$ 18,00 era livre, só que a atendente não informou nada sobre o assunto a ele. O pirralho voltou lá, mas a moça disse "tu já estás comendo" (??!!). Aí o guri teve que chamar a gerente... Não sei o que foi mais engraçado: um pré-adolescente de 13 anos chamar a gerente ou a moça não aceitar o óbvio de que não se cobra mais do que o valor espitulado pelo buffet livre. Simples assim.

No avião, quase pousando em Porto Alegre, tivemos pequenos sustos com a chuvarada que caía naquela noite de segunda. Mas nada comparado à minha colega de equipe que voltou no dia seguinte e não teve como pousar aqui pelo mesmo motivo, tendo que retornar ao Rio de Janeiro... De qualquer forma, nada que nos abale a alegria em retornar ano que vem, se os preços forem convidativos, evidentemente.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Como foi a Meia no Rio

E anteontem aconteceu a Meia Maratona do Rio de Janeiro. Evento grandioso em todos os aspectos. Globo transmitindo. Muita gente correndo. Nunca me deparei com uma situação dessas: de correr com tanto povo junto.

Foi diferente. E difícil. Bastante difícil.

Não teve sol, mas não faltou calor. Estava extremamente abafado. 72% de umidade. E, com tanta gente correndo, não se percebe o ar. Ele não circula.

Saímos bem atrás, o que acabou sendo uma estratégia errada. Tivemos que ultrapassar muita gente que andava devagar, mas bem devagar, ou mesmo caminhava, ignorando a lógica de que a esquerda é para quem quer correr mais rápido. Bem, mas como disse, tivemos nossa parcela de culpa. O certo seria largar mais à frente. Ou haver pelotões de tempo na largada. Como é uma prova festiva, dificilmente ocorrerá.

Foi um início bem legal. Levamos cerca de 18 minutos para ultrapassar o tapete inicial e começarmos a correr. Íamos tentando abrir caminho, cortando daqui, dali, passando por cima de calçada, parecendo ensandecidos perto daqueles outros que estavam em ritmo bem mais lento naquela pequena subida dos 4 primeiros quilômetros. Era bonito de ver, porque formávamos uma pequena fila de camisetinhas da equipe Daniel Rech/Unimed Porto Alegre, um seguindo o outro: Emilio, Daniel, Claiton, Roslank, Danuse, Duda e eu. Mais ou menos nessa ordem, vez que outra se revezando por conta do tráfego.

O Duda me disse depois que muitos comentavam quando passávamos: "Deixa, esses não vão chegar..." Eu dizia para ele: "Cara, estamos fortes. Subimos na média 4:45/km e está abafado. Vamos segurar um pouco." Mas quem disse que segurávamos? Nos dispersamos um pouco depois, vínhamos só eu e o Duda, com a Danuse um logo atrás. O Roslank e o Claiton tinham ficado, mas eu nem vi, porque era tanta gente que me concentrava mais no meu trajeto para não bater em ninguém à minha frente.

Nisso, em alguma curva, achei ter visto o boné do Daniel. Não deu muito tempo e eu e o Duda confirmamos que era ele mesmo, já quebrado; pela passada dava para perceber. Dei uma apertada, deixei o Duda para trás e alcancei-o. Mas ele e a Danuse vinham nas nossas pegadas. Foi quando comecei a me desgarrar deles de vez. Isso era um pouco depois do km 8. No 10 (passei em 48:30 -4:51/km), logo após um posto de água, e onde havia muita gente, dei de cara com um bêbado caminhando no meio dos corredores, na contramão. O cérebro não comandou nenhum movimento, e acabei dando uma trombada nele, que se estatelou no chão. Só deu para ouvir uns gritos de espanto dos espectadores, e segui em frente. Não foi culpa minha...

Pouquinho depois de a Conceição gritar meu nome (ela foi mais esperta e saiu bem na frente), havia um túnel. Ali me senti extremamente cansado, parecia que iria quebrar, diminui o ritmo instintivamente para encará-lo, onde devia estar uns 10 graus mais abafado que o bafo que já estava fora dele. Saí meio indignado comigo mesmo pela quebra de ritmo e acabei descontando meu mau humor num outro corredor. Claro que ele deu motivo, ao sair da direita para esquerda e me dar uma trombada só para aparecer numa câmera (ou máquina fotográfica?) da organização que ficava no meio da pista. Isso era bem no km 12.

Só que, passado esse estresse, aquela saída no túnel me deu um novo gás. Havia uma boa brisa e isso parece que me revigorou. Consegui voltar a imprimir meu ritmo anterior, entre 4:45 e 4:50/km e segui assim. Lá pelo 15, finalmente houve os únicos 500m de toda a prova em que foi possível correr sem se preocupar em desviar de ninguém e sem quebrar o ritmo por conta disso, em que deu para encontrar a postura e passadas mais adequadas e corretas.


Pouco mais à frente, avistávamos, à nossa esquerda, na outra pista, a chegada, enquanto recém passávamos pelo km 16. Faltavam 5km. Contagem regressiva. Menos de meia hora. Mas estava cansado. Pegava uns 3 copos em cada posto, bebia um e atirava os outros dois no corpo para tentar baixar a temperatura. Acho que quase no 19 viramos para pegar a pista contrária em direção ao final da prova. Tentei mais ou menos puxar alguma coisa, mas já satisfeito por conseguir manter o ritmo, diante das adversidades. Acabei cruzando a chegada em 1:44:46, o que daria quase 5:00/km, se não fosse o fato de praticamente todos os GPSs do pessoal marcarem 21,7 ou 21,8 ao invés dos 21,097 que deveriam ser. O meu não pode ser levado em consideração porque marcou "só" 21,33km e 1:42:33, porque naquele túnel perdeu o sinal e parou. "Fiz" 3:07 nesse quilômetro segundo ele...

Não creio que tenha havido erro de marcação e sim o fato de que o trajeto é feito tangenciando as curvas, pelo menor caminho possível, enquanto nós tivemos que correr a maior parte do tempo pela esquerda, por fora, evitando o congestionamento das pessoas, o que acabou aumentando nossa distância. Pelo menos penso que foi isso que aconteceu, porque errar em 700m numa prova seria muito discrepante.

Fiquei muito feliz, não só por ser o segundo da equipe a chegar (o Emilio foi o primeiro com 1h40), mas por conseguir mais ou menos manter aquilo a que me propus (deu 4:48/km, ajustando o tempo que faltou e os metros a mais). E só tenho a melhorar daqui para frente. Além disso, o fim-de-semana com todo o pessoal da equipe provou mais uma vez que somos uma espécie de grande família, que sempre se acerta e desfruta de grandes momentos juntos. Como costumamos brincar: correr é só a desculpa para se divertir.

Resultados:

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Meia Maratona do Rio, domingo


No fim-de-semana, realiza-se nossa segunda maior prova do país, a Meia do Rio, que só fica atrás da tradicional Corrida de São Silvestre, que marca a passagem de um ano para outro.


Eu e mais uns 30 da equipe Daniel Rech estaremos por lá. Voaremos de manhã cedo, na sexta, e retornaremos segunda à noite.

Nunca corri a meia do Rio. Sempre houve vontade, mas também sempre apareceram outras provas por perto, maratonas em geral, para as quais acabei dando prioridade. Nesse ano, deixo de correr a maratona de Punta para estar lá com o povo da equipe.

Ainda não sei ao certo qual o tempo devo fazer. Calculei de cabeça meio errado e a minha ideia era chegar perto de 1h38, 1h39. Isso dá 4:38/km. Meio complicado, levando-se em consideração que é pouquinha coisa mais lenta que minha performance nos 10km da Adidas semana passada. Quem já correu por lá disse que é difícil imprimir um ritmo no início da prova, o que compromete, de certa forma, a obtenção de um tempo pretendido.

Acho que consigo manter 4:45/km em toda a prova, o que daria 1h40. Mas, evidentemente, tudo vai depender do "tráfego" do começo e, principalmente, do calor, já que ainda não estamos habituados a ele aqui pelas bandas do sul. A única vantagem, se é que pode-se assim dizer, é que conheço grande parte do trajeto por ter corrido a maratona duas vezes por lá. Mas é sempre uma prova diferente. Numa meia, a gente tende a dar todo o gás que pode, enquanto na maratona não é lógico dar um tiro de 42km.

Será uma experiência diferente, porque minhas meias normalmente giram em torno de 1h35 (6 das 14 que eu fiz), o que, evidentemente, não será possível ainda (a meta é na Paquetá, em novembro). Acima de 1h45 (5:00/km), só fiz 3: a do debut, em 1999, em Viamão, e as duas últimas, em abril e maio desse ano, que fiz mais para acompanhar alguém, embora não conseguisse fazer muito melhor do que fiz, se fosse sozinho.

Ainda estou num dilema, causado pela ansiedade pré-prova, de qual o tênis usar: aquele com o qual corri nos 16km de Vitória, com mais amortecimento, mas, consequentemente, mais pesado, ou com outro, mais leve. Amanhã ou quarta farei um 'teste' final. E, domingo, saberemos como terminou essa e tantas outras histórias que existirão por lá.

Os resultados estarão no site da Yescom:
http://www.yescom.com.br/meiadorio/2009/portugues/index.asp

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Nike 600 km - divulgação em Porto Alegre

Pois ontem à noite, havia, no Mercury Hotel, evento da Nike para as assessorias em função da divulgação da prova aqui em Porto Alegre.


Serão 20 equipes, como já foi dito, sendo 8 de SP, 4 do RJ, 1 de POA, 1 de Curitiba, 1 de Brasília, 1 de Belo Horizonte, 1 Nike+ e mais 3 que a Nike irá formar também.

As assessorias irão indicar seus atletas, que já deviam fazer parte de seus quadros em 30 de junho, sendo que é preciso, no caso masculino, correr em até 45 minutos os 10km e a meia maratona em até 1h45, comprovadamente nos últimos 12 meses, e, para as mulheres, 50 nos 10km e a meia em 5:25/km, isso dá 1h51, se não estou enganado.

As inscrições encerram em 31 de julho e haverá uma prova seletiva dia 16 de agosto (em Curitiba é dia 09), com congresso técnico no dia anterior. Serão selecionadas no máximo 200 pessoas que, como teste, terão 3,5 km, 7km e 10,5km, com intervalo de 30 minutos no primeiro caso e 1h no segundo. Será feita uma média das 3 provas e aqueles com as 12 melhores serão os escolhidos.

Eu, como estarei em Vitória correndo as 10 Milhas da Garoto, já estou fora da disputa. Na verdade, já estava porque não tenho os tempos exigidos nos últimos 12 meses, já que estive praticamente sem correr metade desse tempo.

Na prova, cada corredor deve correr 20km por dia, aproximadamente, divididos em 3 "pernas", que variam de 7 a pouco mais de 10km. As equipes devem perfazer cada trecho em no máximo 17 horas por dia. Cada corredor será acompanhando por um motociclista no seu trajeto. E haverá as Nike Villages, para descansar e dormir, que serão 3, sendo a primeira em São Sebastião, a segunda em Angra e a última no Rio do Janeiro, a praticamente 10km do final. Nesse ponto, no domingo, todos os 12 integrantes das 20 equipes irão correr, sendo que será considerado o tempo do 7º integrante da equipe para a soma total, computados os 3 dias anteriores. Assim, apura-se a equipe campeã.

É um evento grandioso, inovador e restrito a poucos. Se houver obediência às regras, com rigor da organização, evitando que corredores "profissionais" estejam travestidos de amadores, tem tudo para ser uma prova excelente.

Ah, como já era de se esperar, essa turma toda que correr irá ganhar um kit completo para a corrida, incluindo camiseta, calção e tênis com a tecnologia Nike+, que vem com GPS para aferição do trajeto. Os sortudos aqui de Porto Alegre farão um teste dia 03 de setembro para poderem avaliar seu tipo de pisada e receberem o tênis apropriado.

No mais, o resto é tudo por conta dos felizardos, que devem estar em São Paulo, dia 21 de outubro, já que a brincadeira começa no dia seguinte, às 5h da manhã.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Desafio Nike 600 km - de São Paulo ao Rio de Janeiro


Uma prova que está atiçando a curiosidade das pessoas que correm, principalmente os maratonistas, é o Desafio dos 600 km, de SP ao Rio, que a Nike criou, com bastante pompa e num grande lance de markenting, soltando pequenas informações ao longo das últimas semanas, e sobre a qual ainda pairam diversas dúvidas no ar.

O que se sabe, por enquanto, é que é uma prova de revezamento, limitada a 20 equipes com 10 corredores cada, com no mínimo 3 mulheres, e mais dois reservas, um de cada sexo. Cada corredor deve perfazer 20 km por dia. Dia 22 de outubro, saindo do Ibirapuera e chegando dia 25 na praia de Ipanema, no Rio. O resto? Aguardemos...

Maiores informação no Blog da Nike:

segunda-feira, 29 de junho de 2009

42 km na Cidade Maravilhosa




Ontem foi o dia da Maratona Caixa da Cidade do Rio de Janeiro. Meu retorno às maratonas desde Punta, em setembro do ano passado.

Na verdade, não estava preparado ainda para fazer uma maratona, meu maior treino longo foi de 21km no revezamento da maratona de Porto Alegre, mas tem coisas que a gente não consegue explicar direito... Cheguei a dizer na janta que tivemos no La Mole, de Botafogo: deve ser como crise de abstinência... se não correr, dá uma tremedeira...

Sábado foi correria pura. Tudo é longe no Rio. Talvez isso explique porque eles guiam daquele jeito nas ruas... Direção defensiva acho nem sabem o que é. Parece que está todo mundo alucinado.

Chegamos meio atrasados na retirada do kit, quase perto do meio-dia. Havia uma fila confusa e longa que, só depois de algum tempo, descobrimos que era mais da Family Run e da Meia do que da Maratona. Mas isso a gente só descobre quando está lá na frente, praticamente chegando...

O kit foi bom, embora não houvesse camiseta tamanho "M" para o meu amigo. Não me recordo bem, mas acho que a gente escolhia o tamanho na hora da inscrição... Deram uma revista da Maratona, como é muito comum nas provas no exterior, com bastantes explicações, detalhes e curiosidades sobre o evento. O chip, bem... era meio estranho. E o meu veio trocado com o do Irio. Era meio que um cartão de crédito pela metade. Achei ruim de colocar no tênis. Bem pior que os anteriores da Chip Timing, pretos, de plástico. Me incomodou um pouco durante a prova.

Havia um almoço dos Marathon Maniacs na casa de um na Barra, mas pelas razões expostas anteriormente, não foi possível comparecer. Almoçamos no La Mole da Tijuca, perto da casa de um casal amigo meu que nos acompanhava.

À noite, aí sim, novo encontro com MMs, postulantes a e alguns corredores de Uberlândia também, a maioria estreando na Maratona. Havia até um MM americano, o Jeff (MM 434), que é nível Titanium (33 maratonas em 27 estados americanos diferentes em 1 ano).
(Janta no La Mole em Botafogo)

No domingo, o tempo ajudou. Nada de sol saindo cedo, creio que só foi aparecer, tímido, lá pelo quilômetro 11 ou 12. A largada atrasou um pouquinho, acho que teve a ver com a fila nos guarda-volumes que era grandinha minutos antes das 8h. Uma falha na organização. A maioria das provas encerra o guarda-volumes 15 minutos antes, justamente para evitar a confusão.
(MMs e galera dos Desafio das 6 maratonas 2009 fotografados pelo Pinguim)

Larguei cuidando o Garmin no ritmo de 5:23/km e fui indo assim até onde deu... e isso foi longe. Passei os 21km (não a meia) em 1h53 cravados, o que daria uma maratona mais ou menos em 3h47, 3h48. Logo em seguida, avistei o Írio, que vinha na capa da gaita (pegou um gripão quando chegamos no Rio e passou tomando remédio até o dia). Encostei nele no km 22, dei uma força, logo em seguida chegamos na Lu, fisioterapeuta aqui em POA também, e segui em frente, deixando os outros.

Fomos seguindo por São Conrado, correndo num túnel, os carros passando no nível acima dele. Essa parte é de um visual super bonito da praia. Logo depois, no km 26, tem um início de uma subidinha danada a essa altura do campeonato, com praticamente 3 km de extensão, que eu subi bem, fiquei até animado com isso. E, como sempre digo, tudo que sobe, desce. Mais ou menos no km 30 começamos a descer, e eu me sentia inteiro (dentro do possível, claro) e fiquei até controlando para não me entusiasmar e acelerar demais. (Não posso nem dizer em quanto passei os 30 porque o GPS enlouqueceu depois de perder o sinal no túnel do km 22.) Mas esse sentimento bom só durou até o 33. Ali comecei a ter dificuldade de manter os 5:23/km e a fadiga começou a aparecer, a despeito de ter recém ingerido o quarto sachê de carboidrato em gel. Comecei a fazer os quilômetros a 5:45 e, depois do 36, a 6:15...


(km 31, no Leblon)

Foi difícil chegar. Devo ter pensado umas 123.457 vezes em caminhar, mas segui tirando forças não sei de onde para ir correndo, me arrastando de certa forma, fazendo contagem regressiva para chegar, até que fiz o km 41 em 5:58 e fechei o último, naquele esforço derradeiro, em 5:23, totalizando 3:52:42, 760º lugar dentre os 2.168 concluintes. Tinha traçado uma meta de chegar em 3h50. Nada mal para quem estava com 96,1 kg na véspera da prova, 11 kg a mais do que quando corri Punta e 13 kg a mais do que quando corri no Rio em 2007, quando fiz 3h46. O Írio chegou em 4:00:45, destruído, mas, levando-se em consideração que ele ficou dois dias febril e correu debilitado em função disso e dos remédios, completar já foi uma façanha e tanto.

A prova foi excelente. O abastecimento esteve perfeito, à exceção do primeiro posto que foi meio confuso, quando passávamos novamente pela largada e eu, quando vi, se foi o posto, sem eu tomar nada. Havia muita água em todos eles, hidrotônico em alguns, carboidrato em gel (um cara na minha frente pegou uns 15 não sei para que). Um único porém mesmo foi na chegada, em que o povo que entregava as medalhas não queria se abaixar para tirar o chip do nosso tênis. Pedir para alguém que correu quase 4h fazer isso é quase desumano. Acho que faltou um pouquinho de treinamento para eles. E bom senso também. Ano que vem, se for e estiver dentro do peso normal, a meta é 3h30, 3h35.

Fomos pro hotel depois e dormimos a tarde toda praticamente, só acordamos quase ao final do primeiro tempo do jogo do Brasil. Depois de maratona, em função do esforço do organismo, é difícil ter fome. Mas, depois, quando ela chegou...

Senti poucas dores ontem depois de acordar e hoje pela manhã. Dava até para descer escada numa boa (o maior teste pós-maratona), na maior tranquilidade. Hoje à tarde é que as pernas estavam mais pesadas, mas creio que o voo pinga-pinga promocional da Gol que pegamos contribuiu bastante para isso. Saímos às 9h30 e chegamos às 14h, parando em SP e Floripa...

Pergunta básica e previsível de corredor depois de completar uma maratona: quando é a próxima?


Confira o resultado completo dos concluintes aqui.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Maratona do Rio de Janeiro


No final do mês, dia 28, ocorre a Maratona do Rio de Janeiro.

Perguntaram-me, outro dia, se era mais fácil ou difícil que São Paulo. Olha, só corri uma vez no Rio e duas em São Paulo. Apesar de ter feito 3h46 na Cidade Maravilhosa e 3h34 e 3h35 em Sampa, acho que o Rio é melhor de correr.

São Paulo é cheio de sobe-e-desce, entra-e-sai de túneis, e acho que o clima quente e úmido é um fator pior do que o calor do Rio, que, a meu ver, é um calor mais “ameno”. No Rio, o trajeto não quebra o ritmo como em São Paulo. Vai-se costeando a praia praticamente até o fim. Só lá pelo km 40 é que saímos da orla para pegar o caminho da chegada. Nesse aspecto, um ponto positivo.

No Rio, em 2007, cometi um erro que me custou caro. Esqueci de tomar o carboidrato em gel no km 32. No 37, minha energia se foi... do nada. Aí foram 5km intermináveis... Essa é questão que sempre devemos evitar numa maratona: que o ritmo caia drasticamente a ponto de ser um mega sacrifício terminar os últimos quilômetros.

É aquela tecla na qual eu bato sempre: não adianta sair 10, 15s mais rápido no início, porque, lá no final, o preço a ser pago será maior que o economizado no início. Então, se eu treinei e quero fazer uma maratona em 3h30, tenho que sair a 5min/km, não menos. Não haverá mágica no dia da prova que faça algum milagre. É uma questão matemática. É só analisar.

Bom, o Rio, dia 28, tem um percurso muito bonito, com o mar ao lado direito quase o tempo todo. Para quem consegue prestar atenção e se concentrar na prova ao mesmo tempo é uma linda paisagem. Vale a pena.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Maratonas em seqüência




Algo sobre o qual alguns me criticam, me chamam de louco ou coisas do gênero, é o fato de eu defender que as pessoas corram maratonas seguidas de outras.

Existem estudos técnicos que indicam que o ideal é as pessoas correrem só 2 maratonas por ano. No entanto, isso vale, a meu ver, para pessoas competitivas, diria até profissionais. Nós, pangarés cansados, podemos nos dar ao luxo de correr mais maratonas por ano sem grandes riscos de lesões.

Defendo isso porque acho que o ruim, o xis da questão, é ter que treinar mesmo. Então, em função disso, penso que é razoável em matéria de logística que se aproveite o treino e que corramos outra maratona. É claro que é preciso ter consciência de que uma das provas apenas é que deve ser feita em termos competitivos e a(s) outra(s) apenas para se completar bem, sem esforços extremos.

Em 2003, corri em Mônaco e na semana seguinte em Florença, que tinha um percurso bem mais fácil e na qual poderia ter melhorado o tempo da maratona do principado, mas isso só não foi possível por causa de uma meia mal posta que gerou uma bolha que impediu a melhora.

Em 2006, repeti a estratégia correndo em POA e 15 dias depois em SP, com boa performance em ambas, apesar do cansaço na segunda, mas mais por outras condições (leia-se festa e mulher) do que pelo fato de fazer duas maratonas em duas semanas.

Em 2007, acrescentei a maratona do Rio de Janeiro a essas duas e completei as três em um mês, também com performances dentro do previsto em todas as provas. Verdade que a lesão no ano passado gerou dúvidas em alguns amigos sobre a racionalidade disso tudo, muito embora eu já tenha explicado 123.457 vezes que me lesionei porque fui jogar bola depois de 2 anos, mas a lesão foi a desculpa que queriam para dizer “Eu não disse?”

Agora, em 2009, muitas pessoas pretendem fazer exatamente a mesma coisa, em função de dois motivos em especial: o desafio lançado pela revista Contra Relógio de se disputar as seis maratonas do Brasil e oferecer troféus especiais em razão disso, e o fato da maior popularização dos MMs – Marathon Maniacs, e da consequente perspectiva que muitos têm de ingressarem no grupo.

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