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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Porto Alegre, São Paulo e Rio: e por que não?

Os heróis da resistência que me leem sabem que defendo a teoria de que devemos fazer maratonas na sequência, já que o que mata é o treinamento para elas. Considero que fazer Porto Alegre, São Paulo e Rio é quase perfeito. Elas são distantes o suficiente para não se perder o treinamento e nem ficar sobrecarregado.

Porto Alegre é duas semanas antes de São Paulo, que é três antes da do Rio. Lógico que, depois das três, é preciso descansar cerca de um mês ou um pouco menos, para não sobrecarregar o corpo e a cabeça. Conta também o fato de serem maratonas a custos acessíveis, embora a do Rio tenha passado para julho, o que encarece um pouco mais, em função das férias escolares.

E, fazendo as três, ainda é possível dar um tempo e depois encaixar uma 4ª maratona no ano lá por outubro ou novembro.

Por outro lado, é bom lembrar que maratona sempre é um esforço extremo, salvo se a fazemos com folga, o que quase nunca acontece. Normalmente todo mundo anda perto do seu limite, em busca de recorde pessoal ou de uma boa performance.

Muito provavelmente depois que as condições financeiras melhorarem, lá por 2025, devo incluí-las no calendário anual.



quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pinóquios e egos


Não sei se porque fazia muito tempo que não lia a O2, mas me pareceu que a edição deste mês está bem melhor, com uma série de boas matérias.


Na verdade, havia horas que sentia uma certa raiva da revista até, por isso que parei de ler. Porque não era para corredor normal, para mim. Era para riquinho paulista. Playboy que começou a correr ontem e que só o faz porque está na moda correr, ser saudável. Aí entrevistavam alguém e na legenda estava "fulano de tal, empresário, correu 5 vezes em Nova Iorque e 2 em Boston." "siclana, arquitet,a, correu 2 vezes em Paris, 1 em Chicago." Ah, tá, maratona no Brasil não vale no currículo? Tudo bem, alguém tem que patrocinar a revista, pagá-la.

Ma isso me soava como uma arrogância, uma zombaria com quem corre maratona. Grande boston fazer uma maratona em Boston. Eu nunca faria. Fiz maratona em Mônaco, Florença e Amsterdam e não fico arrotando por causa disso. Tenho muito orgulho das maratonas que fiz no Brasil. Maratona tem 42 km 195 metros aqui, em Nova Iorque, Paris ou na puta-que-pariu. Não importa onde a gente faz, maratona é maratona. Quero ver é o tempo nessas maratonas. Se correram mesmo ou se foram só passear. Porque eu olho o resultado desse povo todo depois e os tempos são de chorar. Eu nem sabia direito o que era uma maratona quando fiz pela primeira vez, caminhei desde o km 15 e terminei em 5h02. Pois tem gente com assessoria, treinador, tênis top dos tops que chega depois disso. Com todo o respeito, vamos treinar, né!

Bem, voltando ao assunto inicial, a revista de julho têm umas matérias bem legais, como "Corra no ritmo ideal", que aborda aquilo sobre o que já falei por aqui, que é o fato de a gente ter que conhecer o corpo e correr naquilo que ele aguenta, mas constantentemente, ou seja, se vou fazer 10 km em 45 minutos, com 4:30/km, é nesse ritmo que tenho que sair, não é mais forte. Outra matéria interessante é "Corrida contra a balança", que explica um pouco porque às vezes a gente não emagrece simplesmente só pelo fato de correr. Há uma outra sobre treinar descalço para dar maior flexibilidade aos pés e, com isso, melhorar o desempenho nas corridas, outra sobre correr com cachorros (por incrível que pareça, tem gente sem noção que os leva para competições), uma sobre ir ao banheiro no meio da corrida, dentre tantas que merecem destaque. Ah, e uma do Marcos Caetano (da ESPN Brasil) sobre tênis como ícones de consumo.

Mas tem uma que fez pensar em escrever esse post, que é uma entrevista com o inglês vencedor do concurso de "melhor emprego do mundo", aquele da ilha paradisíaca na Austrália. Pois aí lembrei que muito corredor tem mania patológica de aumentar ou inventar umas coisas. Nunca estão treinados ou sempre estão com dor em algum lugar, ou seja, dando desculpa para algum eventual insucesso.

Pois o inglês disse (e publicaram) que, perto da Comrades (a ultra africana de 87 km), "se deu conta" que o último treino de corrida dele havia sido há 6 semanas! Alto lá! Para o mundo que eu quero descer! Então ele estava há 1 mês e meio sem correr? Depois ainda "lembrou" que só havia feito 10 treinos entre janeiro e junho, ou seja, 10 treinos em 180 dias! A cada 18 dias ele corria uma vez. Tá bom, pinóquio. Conta outra. Quando ele treinar então, vai bater o recorde mundial da maratona, fácil, fácil. E completou com "graças ao meu duro trabalho mental que consegui terminar as provas." Ok, ok, eu defendo que a questão psicológica é fundamental numa maratona (ou ultra), mas não tem mentalização que suporte tanta falta de treino.

Então, boa parte da entrevista dele chega a ser cômica, entra mais na questão de folclore de corredor, porque não dá para levar a sério quando ele diz, por exemplo, que a namorada ajudou "muito", da melhor maneira possível: ficava na metade do percurso e dava um beijo na hora em que as coisas estavam ficando difíceis... Acho que ele levou bem a sério aquelas coisas que as mães dizem quando somos pequenos: se beijar, sara...

Assim, depois de completar uma maratona, pense bem antes de dizer que não sofreu, que não está sentindo dores, que não treinou quase nada, que nunca desceu uma escada de lado, porque vai ser difícil de acreditar, e seremos obrigados a chamar o seu Gepetto para dar um jeito em você.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Maratonas em seqüência




Algo sobre o qual alguns me criticam, me chamam de louco ou coisas do gênero, é o fato de eu defender que as pessoas corram maratonas seguidas de outras.

Existem estudos técnicos que indicam que o ideal é as pessoas correrem só 2 maratonas por ano. No entanto, isso vale, a meu ver, para pessoas competitivas, diria até profissionais. Nós, pangarés cansados, podemos nos dar ao luxo de correr mais maratonas por ano sem grandes riscos de lesões.

Defendo isso porque acho que o ruim, o xis da questão, é ter que treinar mesmo. Então, em função disso, penso que é razoável em matéria de logística que se aproveite o treino e que corramos outra maratona. É claro que é preciso ter consciência de que uma das provas apenas é que deve ser feita em termos competitivos e a(s) outra(s) apenas para se completar bem, sem esforços extremos.

Em 2003, corri em Mônaco e na semana seguinte em Florença, que tinha um percurso bem mais fácil e na qual poderia ter melhorado o tempo da maratona do principado, mas isso só não foi possível por causa de uma meia mal posta que gerou uma bolha que impediu a melhora.

Em 2006, repeti a estratégia correndo em POA e 15 dias depois em SP, com boa performance em ambas, apesar do cansaço na segunda, mas mais por outras condições (leia-se festa e mulher) do que pelo fato de fazer duas maratonas em duas semanas.

Em 2007, acrescentei a maratona do Rio de Janeiro a essas duas e completei as três em um mês, também com performances dentro do previsto em todas as provas. Verdade que a lesão no ano passado gerou dúvidas em alguns amigos sobre a racionalidade disso tudo, muito embora eu já tenha explicado 123.457 vezes que me lesionei porque fui jogar bola depois de 2 anos, mas a lesão foi a desculpa que queriam para dizer “Eu não disse?”

Agora, em 2009, muitas pessoas pretendem fazer exatamente a mesma coisa, em função de dois motivos em especial: o desafio lançado pela revista Contra Relógio de se disputar as seis maratonas do Brasil e oferecer troféus especiais em razão disso, e o fato da maior popularização dos MMs – Marathon Maniacs, e da consequente perspectiva que muitos têm de ingressarem no grupo.

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