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segunda-feira, 4 de junho de 2012

41ª maratona

Porto Alegre foi minha 41ª maratona. Na verdade, 38ª maratona, maratona mesmo, pois fiz duas de 50km em Rio Grande e uma em Urubici-SC, mas conto tudo como maratona, já que quem faz 42, faz 50.


Sábado pré-maratona foi uma correria só. Acordei, passei em cliente em Viamão, voltei para casa, peguei meus amigos cariocas na rodoviária, larguei-os no hotel, esperei por lá, peguei um outro amigo deles em outro hotel no centro, fomos à zona sul, peguei meu filho mais novo, almoçamos no Divino Sabor da Otto Niemayer, saímos de lá para o Jockey, para pegar o kit deles com o Daniel, ficamos por lá um tempo, deixei o filho em casa, larguei-os nos hotéis respectivos, fui para casa, mamãe ligou querendo saber que horas iria lá dormir, mas também porque queria que trocasse a resistência do chuveiro, passei no supermercado antes, de modo que cheguei na casa dela pelas 19h30, quase morto. Tarefas cumpridas, 20h30 já estava na cama. Nunca dormi tão cedo e tão cansado antes de uma maratona. Não teve nem falta de sono por ansiedade pré-maratona.


Durante a semana, senti uma dor no adutor do glúteo (que bonitinho) esquerdo, fruto de ter corrido acompanhando os ironmans lá em Jurerê. Fiquei meio receoso quanto a isso. Não era hora de aparecer dor, mas... Biofenac, Advil e reza.

Domingo, 5h30, acordo. Tomo meu banho, uma batida (vitamina para alguns outros estados) de banana com whey protein e meio saco de bisnaguinhas dos 7 guris (=Seven Boys). Check list mental feito, tudo pronto. Peguei a bicicleta (o apartamento da minha mãe é nem 2 km da largada) e fui para a largada. Ainda estava super escuro. Mal tínhamos luz para ver de quem era qual kit.


Tudo pronto, vaselina nas áreas de atrito, gel no calção, na braçadeira, no boné, e agora: corro com a camiseta por baixo ou não? O Dani disse: vai esquentar, não corre com isso. Mas como sou meio teimoso (meio?), vou correr com ela. Porque é boa para correr, é daquelas grudadas no corpo, e havia muito vento, nesses casos ela regula melhor a temperatura, evita passar o frio.


Largada dada, saímos, eu e o Zé Luiz, meu amigo carioca, para fazer 5/km no ínicio, mas já avistamos o Renato e o Álvaro pouco à frente. Aceleramos para chegar neles, pensei em ficar com eles um tempo, mas seguimos em frente, embora com os dois colados a nós. Me sentia cansado.


Começo dentro do programado, na média de 4:55, um pouco menos por km. Passamos pelo Centro Histórico (hoje em dia, tudo que é cidade tem Centro Histórico - para fins de turismo), por ali o trajeto era o contrário do que sempre foi, indo pela Mauá e retornando Júlio de Castilhos e Siqueira Campos. O ventinho bandido já dava o ar da sua graça a essa altura. Em matéria de clima, tirando essa questão do vento em alguns pontos, o tempo nem ajudou muito, nem prejudicou. A temperatura esteve perto dos 15 no começo e estabilizou pelos 18, 19 no restante da prova.


Saindo do centro, seguimos pela Loureiro da Silva (Perimetral antiga), entramos na Sarmento Leite (da Ufrgs) e ali encaramos o trecho com maiores subidas: tem a subida para chegar no Colégio Rosário, umas duas ou três pequenas subidas na Vasco e depois na Mariante com Goethe até o Parcão. Por ali, na descida, cruzávamos com quem subia. Deu para ver o Renato e o Álvaro logo atrás e, um pouco depois, o Alessandro e o Claiton. Nova subida no viaduto sobre a Protásio Alves. Vínhamos bem até ali, eu e o Zé.


Dobramos na Av. Ipiranga à esquerda. Por ela íamos até o km 21, mais ou menos. Por antes dele, retirei a camiseta que usava por baixo e, sorte, logo em seguida enxergo o Beck, para o qual atiro-a. Fizemos alguns quilômetros a 4:49, o 24 foi a 4:45, e parecia meio difícil. Saímos da Ipiranga, pegamos a Princesa Isabel, Azenha, e o Zé disse, quando passamos com o Estádio Olímpico à esquerda, entrando no corredor da Av. Érico Veríssimo: quilômetro sofrido. Aqui a experiência veio à mente: disse a ele para diminuirmos um pouco o ritmo. Fizemos 2 quilômetros 5 ou 6s mais lentos e foi o suficiente para que eu pudesse descansar e retomar a postura. Já era na Praia de Belas isso. Seguimos por ela, entramos à direita na Aureliano de Figueiredo Pinto e ali tomamos um baque psicológico: a maratona não dobrou à esquerda como sempre fazia na João Alfredo. Eu sabia da mudança, mas não lembrei. E como foi sofrido seguir em frente até a Ipiranga e retornar.


Retornando, enxerguei o Renato uns 100, 150 atrás, e o Álvaro um pouco mais distante. Pensei: mais ou 3 ou 4 quilômetros me pega, porque a diferença diminuiu bastante em relação ao km 21 onde nos avistamos cada um de um lado da Ipiranga. Mas segui em frente no ritmo de 4:54/km. Pegamos a João Alfredo, finalmente, a Loureiro da Silva novamente e rumamos ao Centro.


Chegando no Centro, pegamos desta vez a Siqueira Campos e fomos até quase a Prefeitura, dobrando à esquerda e retornando. E, quando retornávamos, nossa senhora dos ventos uivantes: uma rajada atrás da outra segurando o cara. Pensei: "não acredito que vou fazer 8km no final de maratona com esse vento contra." O km 35 foi o meu pior: 5:18. Mas no 36 já melhorou e depois o vento se controlou. E mais ou menos por aqui deixei o Zé Luiz para trás.


Melhorei um pouco, retomei o ritmo de antes, fiz o 37 e 38 a 4:54 e acho que era quase (ou) km 39 quando o Julio-hermano-argentino e a Bruna chegaram de bicicleta para ajudar. Ela disse que iria ficar comigo, me deram Gatorade, e o xará argentino foi ajudar outros que estavam mais atrás. Embora não olhassse para trás, e a Bruna tivesse dito que o Renato estava longe, imaginei que ele fosse me alcançar. Mas também pensei: vai suar bastante, porque eu estava correndo no mesmo ritmo, fiz bons quilômetros, ele teria que se superar. Mas o maluco vinha (vi hoje) fazendo o km a 4:43. Tirou mais de 50s em 5km e nem foi culpa minha. Ele é que fez o improvável. Dificilmente alguém tem forças para buscar outro corredor que mantém o ritmo no final. E a diferença foi sumindo até que me alcançou quando fechou o 41, se não me engano. Até disse para seguir em frente, mas ficou junto comigo. E até deu para fazermos um sprint nos últimos 400, 500m, fechando a prova em 3:27:38 segundo os dados do meu Garmin (O site do Corpa deu 1:43:09 para a primeira metade e 1:44:27 para a segunda - 3:27:36 tempo oficial. 302º lugar dos 1416 que concluíram, 274/1207 dos homens).


Acabou ficando dentro do previsto. Cheguei a pensar que talvez pudesse fazer 3h25, mas ficou de bom tamanho. É preciso sempre lembrar que cada ano que passa fica mais difícil repetir os anos anteriores.


A chegada foi boa, o pórtico era bem localizado, mas achei a parte das frutas e iogurte meio distante. Não tinha nem a percebido, já que o próprio pórtico do Jockey escondia o espaço. Aí saí do funil porque nem lembrei desse estande, quis pegar depois na "boca do caixa", me barraram e tivemos momentos de tensão, porque não tinha sentido retornar para entrar no funil novamente. Creio que o local de entrega da medalha e esse estande devam estar mais próximos. A gente termina a maratona e ainda está curtindo o término mentalmente, nem sempre consegue juntar o tico e o teco. Seria louvável facilitarem a nossa vida.


O abastecimento na prova foi ótimo, havia bastante água, gatorade, bananas, mas, em alguns pontos, só encontrei água "ambiente", ao invés de gelada. Se esquentasse...não sei não.


O percurso é que me pareceu com muitas quebradas e voltas, principalmente para quem conhece a cidade. Vai no centro, volta. Vai na Ipiranga, volta. Aquele pedaço que passa da João Alfredo, então... Aí vamos ao centro novamente e passamos pela Usina, sabendo que temos que passar ali novamente...


Creio também que fazer as pessoas saírem em direção à Vila Assunção é melhor, pois elas retornam e passam defronte à largada, ajudando na participação do público, meio que fazendo uma "volta de apresentação". E nem precisa ser muita coisa. Poderia ser uns 500m somente. Seria bom do ponto de vista de quem acompanha a prova, um dos pontos fracos da maratona. Pode atrapalhar o revezamento, pode, mas para tudo há solução.


Também vale a pena ressaltar que não vi gente buzinando enlouquecidamente como nos anos anteriores. Aliás, nem ouvi buzina alguma. Pode ter sido fruto da campanha da RBS, com as apresentadoras da tevê participando toda hora dos treinamentos, mostrando matérias, divulgando.  Isso pode ter sensibilizado o público, alertado para a prova. Porque nesse ano teve mais fechamentos de ruas que no ano anterior. Então, a lógica seria mais reclamações. Também penso que diversos alertas através do Facebook possam ter ajudado nossos amigos desavidos e reclamões que adoram cruzar a cidade numa manhã de domingo para visitar a sogra.


Foi uma boa prova. Mas é preciso alguns ajustes pontuais. A área das barracas das equipes ficou pior no Jockey do que era no Barra, do ponto de vista de acompanhar a largada e a prova em si. Parecia um galpão abandonado, já que o Jockey anda meio às moscas. Feio. Mas tudo isso é meio encoberto pelo clima. Quando ele não é contrário, quase todo mundo gosta da prova. Foi o que aconteceu.


Agora é descansar esse adutor do glúteo que está incomodando hoje, porque dia 17, em São Paulo, tem mais maratona. Infelizmente, SP tem percurso pior e sai mais tarde (8:40). Normalmente essas brincadeiras significam de 10 a 15 minutos a mais do que o tempo em Porto Alegre. Mas vamos ver se consigo ficar nas 3h34/3h35 das duas vezes em que corri por lá. Oremos.


(quando tiver mais umas fotos bacanas, incluo no texto)

terça-feira, 29 de maio de 2012

1572

1572 é o número de incritos da Maratona de Porto Alegre. 237 mulheres (15,08%) e 1335 homens (84,92%). Acho que é o maior número de inscritos nos últimos tempos, talvez até recorde.


Do ponto de vista individual, não muda muito, a menos que a pessoa esteja de olho em pódio. Como nunca é o meu caso, já que não tenho cacife para tanto, fica o registro para fins estatísticos. Mesmo subindo o valor da inscrição (acho que foi 100%), os inscritos aumentaram. É um bom número para uma maratona no extremo sul de um país continental, e que andou falhando em alguns aspectos nos últimos anos. Talvez seja o efeito da entrada da Latin Sports na organização. Eles organizam o Ironman que ocorreu domingo em Florianópolis. Quem sabe daqui para frente a maratona cresce em tamanho. E quem sabe o frio, que não vem há 3 anos, dê as caras no domingo.


Uma das coisas que as pessoas mais perguntam quando a gente termina uma maratona é: que colocação tu tiraste? Posição é tudo nessa vida... até no lazer a gente é pressionado a ser bem sucedido. Muito antes de a vida ser online as pessoas já perguntavam isso.


Sempre foi difícil responder à questão, a pergunta sempre soava estranha para um maratonista, por dois motivos: primeiro porque na hora é difícil saber em que posição a gente ficou, às vezes até no dia seguinte ainda não há os resultados. Mas nem é essa a questão principal. A questão é que não importa a posição. Maratona é uma prova que a gente faz contra si mesmo, contra nossos limites psicológicos e físicos. Então, a grande massa, os amadores, lutam para atingir um objetivo pessoal, seja ele apenas terminar ou melhorar tempo. Muita gente não compreende que esse é o barato da coisa.


Com o tempo, fui respondendo de outra forma, tentando explicar como é terminar uma maratona, mas procurando situar a pessoa dentro do contexto, da informação que ela queria. Porque se ela pergunta sobre colocação, não adianta eu responder sobre o prazer de superar um limite, de alcançar uma meta. O maratonista já é taxado de meio louco por correr, imagina tentar explicar um sentimento, uma sensação. Parece um usuário de drogas "viajando".


Por isso, o número de inscritos no início do texto. Como situar alguém que não corre sobre tua colocação? Uso isso como parâmetro: chegando numa colocação perto da metade dos inscritos, estou na média, fui mais ou menos. Fui mal se estiver depois da metade, e bem se me situar acima de 1/3, 1/4 dos inscritos. É como que atribuir uma nota ao teu desempenho.


Há também um outro critério mais objetivo: abaixo de 3h30 tu fizeste uma boa maratona. Abaixo de 3h20 melhor ainda e cada minuto abaixo disso os elogios aumentam na mesma proporção. Se baixar de 3h, então, tu és um monstro.


Mas, o mais importante de tudo é procurar terminar a prova com o mínimo de sofrimento possível. Terminar bem. Cansado do esforço, claro, mas não se arrastando, sofrendo em demasia. Esporte é saúde. Não é loucura ou maluquice. Não é desmaiar na chegada. Na hora até pode ser bacana, um exemplo de superação, mas é muito mais um risco de sequelas neurológicas do que isso. Como tudo na vida, maratona exige um pouco de arriscar e outro de cautela para saber até onde é possível ir.


Até domingo. E que Nossa Senhora das Frentes Frias nos ajude.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Porto Alegre, São Paulo e Rio: e por que não?

Os heróis da resistência que me leem sabem que defendo a teoria de que devemos fazer maratonas na sequência, já que o que mata é o treinamento para elas. Considero que fazer Porto Alegre, São Paulo e Rio é quase perfeito. Elas são distantes o suficiente para não se perder o treinamento e nem ficar sobrecarregado.

Porto Alegre é duas semanas antes de São Paulo, que é três antes da do Rio. Lógico que, depois das três, é preciso descansar cerca de um mês ou um pouco menos, para não sobrecarregar o corpo e a cabeça. Conta também o fato de serem maratonas a custos acessíveis, embora a do Rio tenha passado para julho, o que encarece um pouco mais, em função das férias escolares.

E, fazendo as três, ainda é possível dar um tempo e depois encaixar uma 4ª maratona no ano lá por outubro ou novembro.

Por outro lado, é bom lembrar que maratona sempre é um esforço extremo, salvo se a fazemos com folga, o que quase nunca acontece. Normalmente todo mundo anda perto do seu limite, em busca de recorde pessoal ou de uma boa performance.

Muito provavelmente depois que as condições financeiras melhorarem, lá por 2025, devo incluí-las no calendário anual.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Maratona e o calor

Hoje, segunda, foi realizada a Maratona de Boston, nos EUA. A maratona mais antiga do mundo. O tempo do vencedor (2:12:40) piorou em quase 10 minutos em relação ao ano anterior. Tudo por conta de uma coisa chamada calor.

Quando a gente corre uma prova longa como a maratona, tem que colocar na cabeça que o tempo no dia é fundamental, além do percurso, claro. Mas condição climática é quase sempre responsável pelo sucesso ou insucesso. Fez calor, esqueça o tempo. Faça uma maratona para chegar inteiro. Do contrário, é quebra quase na certa.

Muita gente tenta repetir o tempo que faz nos treinos com condições climáticas muito mais favoráveis. Não vai dar. Aqui no RS, então, a coisa é muito mais grave. Passamos quase 6 meses sem calor forte, quando saímos a correr pelo mundo afora e nos deparamos com calor, a coisa degringola. Na verdade, nem é preciso ir muito longe, basta subir a São Paulo ou Rio que já sofremos...

Mas o que quero salientar é que muita gente (experiente até) continua a cometer esse erro de achar que vai conseguir repetir performance no calor ou pensar que "quebraria de qualquer forma" ou "vou até quando aguentar". Outro dia fui convidado a opinar sobre "split negativo" e quebra num site de revista especializada. Minha opinião é bem simples: quando a pessoa arrisca uma melhor marca, quase sempre quebra. Aí me replicaram dizendo que fulano de tal fez sua melhor marca fazendo a segunda metade da prova pior. Ok, é possível. Só que, se não arriscasse no início, e fosse de forma mais conservadora, faria sua melhor marca melhor ainda.

Então, é possível arriscar e dar certo. Mas quase sempre dá errado. E quando está calor, então, aí a chance de dar errado é 99,99%! A maioria das pessoas tem uma perda na segunda metade de uma maratona, mas é preciso que essa perda seja algo aceitável. Tu não podes fazer a primeira metade em 1h30 e a segunda em 2h e culpar o calor... Não, amigo, a culpa é tua mesmo. A não ser que estivesse 10 graus e depois subisse para 30 em 2h...

Boston é a maratona em que reúne só gente "qualificada". É preciso índice para participar dela. Não é qualquer pangaré que chega lá. O cara que liderou até o km 10, Glenn Randall, um desconhecido até aquele momento, tinha 2h20 na edição anterior. Ponteou até quando deu, mas não tinha como dar por conta do calor. Arriscou seus 15 minutos de fama. Terminou em 2h37, ou seja, piorou por arriscar no calor.

Agora, se um corredor de ponta arrisca e se dá mal, imagina o que acontece com um pangaré que nem nós, que está menos treinado ainda do que eles? O cara se arrasta, desidrata, excomunga a sogra, diz que nunca mais corre maratona, fica uma semana descendo escadas de lado e por aí vai.

Portanto, fez calor, não tente bancar o super-homem. Faça o feijão-com-arroz e se contente com o for possível. Deixe uma quebra de recorde para quando a temperatura ajudar.

Ah, ainda sobre a Maratona de Boston: como é comum em algumas maratonas no exterior, era possível acompanhar o desempenho dos corredores online, a cada 5km. Igualzinho às nossas...rs E isso que eram 40.000 corredores. Aqui são 1.000, 2.000 e não conseguem disponibilizar algo parecido. Mas ainda tenho esperança em dias melhores.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Maratona de Porto Alegre 2012, ainda

Saiu um site bacana da Maratona de Porto Alegre, aqui. Esteticamente bacana, quero dizer. Problema é que o percurso da prova, que havia sido divulgado, sumiu. As novidades são que agora a prova é feita também pela Latin Sports, que organiza o Ironman, e tem o patrocínio da Caixa, que já empresta seu nome para outras provas como a Maratona do Rio de Janeiro. Bom, na teoria, deve melhorar. Claro que, como para tudo nessa vida, há um custo. A inscrição dobrou de preço (R$ 80,00). Faz parte do pacote. Afinal, tem mais gente para ganhar dinheiro junto agora. Mas no site não há informação de até quando estarão abertas. Tem premiação até o 10º lugar no geral e 5º na categoria.

De qualquer forma, é muito "engraçado" as inscrições estarem abertas, e não termos o percurso, nem informações sobre o kit. Mas, sabe como é: hoje em dia a gente vê de tudo.

A largada não será no Barra Shopping, mas no Jockey Club, que, na prática, é 100m ao lado.

A maratona feminina e a rústica (8km) saem às 7h. Às 7h15, sai a maratona masculina. Revezamento (2, 4 e 8 participantes) sai às 8h. Do meu ponto de vista, o horário de largada do revezamento deveria ser mais próximo das 7h15 por duas razões básicas:
1) Menos tempo atrapalhando o trânsito.
2) Mais envolvimento das pessoas com a prova principal (maratona).

Quando há um espaçamento grande entre uma prova e outra, as pessoas que correm o revezamento não têm como acompanhar também a maratona, na qual vários de seus amigos estão participando. Isso tira boa parte do brilho da prova. Meio que cria eventos distintos dentro de uma mesma prova.

Ok, ok, talvez exista uma razão de logística para isso (chegada rústica??). Talvez.

Enquanto o percurso não volta para o site (quando será?), deem uma olhada no mapa da Maratona de Santiago, que ocorreu ontem na capital chilena. Isso é uma MAPA de maratona. Com km por km, posto de hidratação, de carboidrato em gel, tudo como manda o figurino de uma maratona decente.


sábado, 25 de junho de 2011

Maratona de Buenos Aires em 3h15

Essa é a ideia. O projeto, definitivamente, já iniciou. Comecei a frequentar academia e fazer musculação 3 vezes por semana, nos dias em que corro. Acho que tem ajudado legal. E, desde então, os treinos têm sido bons.

Treino da terça retrasada: 18km em 1:27:03, média de 4:50




Na terça seguinte, era para ser o mesmo treino, mas acabei esquecendo de parar o relógio quando deveria e parando quando era para ligar... Então, corri meio quilômetro praticamente sem marcar e resolvi parar quando fechou 17 km, mas a média melhorou 8s. 1:20:03, praticamente 2 minutos a menos, se fosse fazer os mesmos 18. Isso com academia antes e com 8 km do dia anterior (treino da culpa do fim-de-semana...rs).



E, hoje, mesmo depois da pizzaria de ontem, fiz um treino muito bom. Verdade que o começo foi custoso, parecia que tinha gorgonzola com cebola entupindo o meu sangue, mas depois de 5, 6 km a coisa começou a fluir. 22,66 km em 1:47:05, média de 4:43, com os últimos 7,66 km todos abaixo de 4:40, ou seja, progressivo, split negativo, como se diz e como tem que ser mesmo. Também é fato que a parceria do Claiton ajudou bastante.


Pelas experiências anteriores, sei que se eu correr 24, 25 km num determino ritmo durante meia dúzia de vezes, consigo fazer a maratona nesse ritmo. Desse modo, dá para imaginar que até 9 de outubro, data da Maratona de Buenos Aires, estarei correndo melhor do que hoje e certamente deverei correr perto das 3h15. Diria que talvez até dê para fazer menos de 3h10, mas aí já depende da conjunção de alguns fatores como dinheiro no bolso, amor no coração e outros pequenos detalhes que acabam influenciando a parte psicológica e que acabam por comprometer os treinos. Mas, de qualquer forma, para começo de treinamento, a perspectiva está muito boa.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Porto Alegre precisa se reciclar


Ontem, domingo, foi a 28ª Maratona de Porto Alegre. Desde a minha primeira, em 1987, já devo ter feito umas 20 ou 21. E acompanhado ou me envolvido em mais umas 3 ou 4. Mas, como vocês já sabem, ontem só corri o revezamento.

Mas conversava com outras pessoas sobre a prova, sobre o que aconteceu e o que tem acontecido nos últimos tempos. A maratona de Porto Alegre, assim como a cidade, está estagnada. "Tudo" que temos a nosso favor é o frio. E ele não dá as caras há 3 anos! O trajeto, plano, não é muito diferente de São Paulo, que tem contra si uns túneis chatos e cansativos a mais no final.

Desde aquela edição em 1987, quando corri com uns 200, talvez 300 corredores, pouco evoluímos. O trânsito foi fechado, o abastecimento melhorou, mas isso aconteceu em todas as maratonas sérias. Que mais houve? Nada. Naquele longínquo 1987, a maratona saía do Parcão, ia em direção à zona sul, pegando a Av. Cavalhada (que ainda não era duplicada), dobrava à direita onde hoje tem uma rótula com a Av. Juca Batista, indo em direção a Cel. Marcos, seguia pela Wesceslau Escobar, Icaraí, Chuí, Pinheiro Borda, Padre Cacique, Borges de Medeiros e, acho, Loureiro da Silva, Túnel da Conceição, Farrapos, Barros Cassal para pegar a Vasco da Gama e chegar no Parcão novamente. Teve ano que o trajeto passou pela João Pessoa com Salgado Filho, no coração do centro da cidade!

Pois bem. Aí o Dr. Alceu Collares fez aquele bem à cidade, construindo a Av. Beira-Rio. E isso começou a ser o fim da maratona de Porto Alegre. Porque agora o Corpa e os tecnocratas de mente estreita que dominam a cidade só sabem fazer a maratona por ali, e então vamos brincando de ir prá lá-e-prá cá pela avenida, sem ninguém no trajeto a apoiar. Uma prova no nada para ninguém ver. É o maratonista contra ele mesmo, contra seu próprio limite, literalmente levado ao pé da letra.

No final dos anos 90, início dos 2000, Blumenau era considerada a melhor maratona do Brasil. Trajeto plano, frio, tudo igualzinho a Porto Alegre. Pois ela morreu. Desapareceu. Lógico, a minha comparação não é justa, Blumenau não é uma capital de Estado, mas é para dar a dimensão do que pode acontecer no futuro. Brasília e Recife ficaram alguns anos sem ter maratona, e, olha, não havia nenhuma naquela região, que tem muito mais atrativos. Nos coloquemos na cabeça de quem é de fora: por que eu irei a Porto Alegre, se posso ir a Punta, Buenos Aires ou Santiago, que são mais ou menos a mesma distância e têm muito mais charme, são um passeio muito mais turístico?

Por mais que os corredores viajem a alguma cidade por conta da maratona, a grande massa, que não é competitiva, quer aproveitar a estada, o dinheiro gasto e fazer algum turismo, passear. Quando levava meus amigos cariocas, Zé e Maria Helena, no aeroporto, passamos pelo ônibus que faz o turismo na cidade, e então eles me perguntam por onde passava aquilo e quais os pontos turísticos. Fiquei meio sem jeito em dizer que o ônibus de turismo não para em nenhum local turístico. E ainda fiquei tentando lembrar quais seriam esses pontos... porque Porto Alegre tem Jardim Botânico, mas não é um ponto turístico como em Curitiba. E também não temos Ópera de Arame, entre outras coisas.

Temos a Redenção, mas é ponto turístico exatamente ... no domingo. E aí reside outro problema da maratona de Porto Alegre: quando está frio, ninguém sai para ver a maratona e, quando está calor, todo mundo quer aproveitar o sol e ir para algum parque: Redenção, Parcão, Marinha. E o percurso, que passa por diversos locais "longe da civilização" não contribui em nada para melhorar ou atenuar isso. Se o grande trunfo de Porto Alegre é o frio, e parece que é somente nisso que se baseiam, então ela deve ser em junho ou julho.

Outra coisa que meus amigos me relataram é que não viram obras pela cidade. Um ano se passou da vinda deles e só viram uma obra, que acharam que era um viaduto, quando estavam indo para Gramado na quinta. Aí cheguei à conclusão de que era o novo estádio do Grêmio. A única obra da cidade não é da cidade em si, não tem a mão do poder público. Ok, estou sendo injusto novamente. Há uma obra vultosa em torno do Barra Shopping, lá mesmo no local da maratona. Estão fazendo o tal "PISA". 1 ano e meio depois de entregarem o shopping, após 20 anos de os moradores da zona sul ficarem ouvindo que ele seria construído por ali, estão mexendo em tudo novamente na área, desfazendo o serviço feito anteriormente. Mas é uma obra, pelo menos...

Todos os portoalegrenses e gaúchos se orgulham de Porto Alegre. "Porto Alegre me faz tão sentimental", como diz a música-símbolo da cidade, cantada pela Isabela Fogaça. Mas é um sentimento que só quem vive aqui consegue captar e entender. Quem está de passagem não consegue ver essa beleza que vemos, essa singularidade, porque muito dela está em nós mesmos, no nosso povo, no nosso jeito de ser. Então um evento nosso é tomar chimarrão no Parcão, no Gasômetro ou na Redenção. Mas para quem vem de fora qual é a beleza disso?

A prova em si

Com todo respeito ao Paulo Silva, que é bem conceituado em matéria de organização de provas em todo o Brasil, mas a prova foi um fiasco. O revezamento pelo menos. O abastecimento estava bom, mas o percurso foi de chorar. Rústica, duplas e quartetos para um lado, octeto para outro.

Tem aquele ditado que diz: "Se dá para complicar, porque simplificar?" Se as equipes todas irão correr 42km, porque essa divisão, que acarreta mais logística, mais pessoal envolvido? Fiquei deitado horas e horas na cama pensando nessa esquisitice e só cheguei a uma conclusão: os octetos são muito competitivos e o objetivo era de que eles pudessem correr "tranquilos", com o caminho livre. Bom, mas aí alguém vai me questionar: os octetos precisam trocar a cada 5, 25km, por isso precisavam fazer trajeto diferente. Concordo, se a rústica e o restante do revezamento não tivessem passado pelo Barra com 6km e alguma coisa... porque daí é só suprimir alguma voltinha aqui ou ali que a conta fecha.


Bem, com tanto caminho para lá e para cá, é como eu digo seguidamente: tem tudo para dar errado. E, obviamente, deu. Primeiro que a quilometragem estava errada. Completamente errada. Grosseiramente errada. Imperdoável para quem organiza provas há tanto tempo.

Minha primeira volta deu 12km, a segunda encurtaram num retorno antes, daí corri 22,53 ao invés e 21,1. Vou repetir para ser chato: 22,53 ao invés de 21,1. Não, não, não são 200m a mais. Praticamente 1,5 a mais. Não sei se encurtaram a segunda volta no meio do caminho, acho que sim, pela reclamação das pessoas, ou se era previsto. Também não importa. A rústica veio junto nessa lambança. O povo correu 12 ao invés dos 10 anunciados. E, obviamente, o segundo parceiro da dupla não fez nem os 21,1. Eu até fiz dentro do planejado, que era 5 por km. Até pensei que talvez pudesse melhorar um pouco, mas saindo com 24 graus ao 8h30 da manhã fica complicado. Aliás, era para ser às 8h30, mas, mesmo com todo o intervalo da maratona para o revezamento, nem assim conseguiram largar no horário correto. Saímos com 5 minutos de atraso.

Quando estava correndo pelo km 5, pensei: se a Rústica era 10 e estava junto conosco, alguma coisa precisava acontecer para que isso desse certo. Alguma mudança perto o final. Aí tivemos outro problema: a gente passava pelo Barra, retornava na entrada da Beira-Rio (antes havia um retorno confuso só para os octetos), passava novamente (???!!!) pela frente do Barra, e, ao invés de entrarmos, íamos mais um pouco à frente para retornar e finalmente entrar no estacionamento do shopping, onde dávamos mais uma volta maluca (???!!!) e começávamos a segunda "perna" do percurso, repetindo essas idiotices novamente. Se ficou confuso entender a minha explicação é porque estava meio complicado, não?

No final dessas maluquices-excentricidades-esquisitices-burrices a gente se deparava com o povo da maratona chegando. Aí, meus amigos, era o samba do crioulo doido: tinha tanto cone e sinalização reunidos, que era uma confusão visual e, logicamente, teve gente pegando o lado direito ao invés do esquerdo e chegando pelo lado que era do revezamento. Tá certo que esses corredores também se esforçaram um pouco para fazer isso... mas é que nem eu digo para a minha funcionária do departamento pessoal: não tem que estar claro para nós, que fizemos e sabemos como funciona, tem que estar claro para quem vai receber a informação.


Esse vaivém maluco qualquer pessoa que recém começou a correr sabe que é desgaste psicológico desnecessário. Está todo mundo cansado no final, não importa a distância, e então passa na frente da chegada, mas não chega, vai adiante e retorna. Francamente, vamos respeitar as pessoas, o esforço que eles fazem, os meses de treinos para alguns. Vamos simplificar. Por que não repetir o trajeto da Meia da Paquetá, onde só houve elogios? Por que inventar? Experiência a gente faz em laboratório, com os ratos. E, ainda assim, já há uma porção de movimentos contra.

Outro ponto que eu havia chamado a atenção: o horário da maratona e do revezamento. Puxa, isso é que nem interpretação de texto. Qual é a ideia principal de um? No caso, qual é o evento maior? O revezamento ou a maratona? A maratona, lógico. Então, é dela que se deve partir para completar o resto do roteiro. Senão a gente tem o que tivemos: 2 eventos distintos feito no mesmo lugar, em que ninguém participava ativamente do outro. Terminei a minha parte no revezamento, não pude nem suspirar direito, saí para procurar quem vinha terminando e encontrei-os já no km 41. E, quando fui embora, quase 1h da tarde, tinha gente saindo para correr sem ninguém praticamente prá vê-los correr. O revezamento podia ter saído 5, 10 minutos depois da maratona. Simples assim. Aí a gente corria, terminava, e ficava vendo o resto do evento que era o mais importante do dia. Mas sabe porque não deu para ser? Porque o trajeto era maluco. Ia para um lado, voltava para o outro, passava novamente na frente da largada. Aí não dava mesmo. Exigência do shopping, será? Ora, só tem sentido se a gente pudesse parar e comprar... Vou tentar ser claro: como tudo na vida, o percurso tem que ser objetivo. Vai para um lado, volta para outro. Só uma vez, sem voltinha aqui, voltinha ali. Se não sabem fazer uma coisa simples assim, aí... bem...

E o kit? Me-dí-o-cre. Uma camiseta e nada mais. Uns folhetos e informativos. Porque não dão pares de meias, por exemplo, então? Será que não se conseguem brindes para um prova tão importante, com um parceiro forte como a RBS? Falando nela, é muito falha a divulgação de onde passará a maratona, quais ruas serão fechadas. Há uns 5 anos (ou mais), corri em Curitiba e lá havia banners da maratona nas ruas informando: "esta rua estará fechada no dia tal das 6h às 13h". Será que é tão difícil ou oneroso fazer isso?


Vou falar novamente em Buenos Aires, que já citei aqui outra vez e que é 10 vezes maior que nossa mui leal e valorosa cidade: lá a prova cruza toda a cidade, sem se preocupar com o trânsito, porque é uma questão de divulgar a cidade e motivar os corredores. Será que não imaginam que os atletas precisam de gente apoiando perto do final? E do km 35 ao 41 não se vê praticamente nenhuma mísera alma?!

Está na hora de decidirem se realmente querem a prova na cidade. De o Prefeito, secretário e sei lá mais quem ver o desejam que ela signifique. Se é para fazer uma coisa mal feita num canto qualquer, escondida, onde só quem corre se envolve, então que se abandone de vez. O trajeto tem que contemplar a participação das pessoas e os pontos principais da cidade. Não é a EPTC que deve determiná-lo para não atrapalhar a fluidez do trânsito. A cidade é maior que um órgão de trânsito. Pelo contrário, alguém tem que dizer: "O trajeto é esse, e vocês que se virem para organizar o trânsito, que é para isso que vocês estão aí." Obviamente, com um pouquinho mais de sutileza.


A maratona de Porto Alegre precisa se reciclar, isso é evidente. Não dá só para esperar que se faça frio no dia. Quando isso acontece, tudo é perfeito, ninguém vai reclamar, os defeitos passam despercebidos. Mas e quando não acontece, como há 3 anos?

No meu entendimento, a organização da prova bateu no seu limite. O Paulo Silva tem muitos méritos, foi ele que profissionalizou a coisa, organizou, colocou num outro patamar e tudo mais, só que ele não tira mais coelho daquela cartola. É preciso que se auxilie de outras pessoas que se envolvam, que tragam novas ideias (ou nem tanto assim), que deem um "Sopro de Vida", como escreveu a Clarice Lispector.

Só para exemplificar o que pode ser feito: em novembro de 2003 corri a maratona de Mônaco. Seria covardia comparar a beleza do Principado com Porto Alegre, mas nem por isso não podemos tirar ideias de lá. E isso que já faz praticamente 8 anos. Quase uma década. Foi a melhor maratona que já fiz. Era recém a 7ª edição dela (foi a 28ª de POA...). Pois bem. Todo mundo que era de fora, eu, por exemplo, era chamado para participar do que eles chamavam de "loteria". Sorteavam um brinde qualquer para todos que não eram da França ou Itália (Mônaco fica entre os dois e a prova cruzava ambos). Isso não pode ser feito por aqui para atrair mais corredores do Uruguai, Argentina, Chile, etc?

Lá em Mônaco, durante os 42 km da prova passei por inúmeras bandas tocando. Isso existe em diversas provas pelo mundo todo. Pois aqui não temos público, banda tocando e nem o frio tem aparecido. Ou Porto Alegre muda, ou daqui a alguns anos a maratona não passará de uma mera lembrança de quem um dia participou.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Maratonista cria fórmula de carboidratos

Saiu na Folha de São Paulo de sábado.

Maratonista cria fórmula de carboidratos

Cálculo define a quantidade exata de calorias necessárias para completar uma prova

DA REUTERS

Maratonistas podem treinar meses para se preparar para a grande corrida e, mesmo assim, ter dificuldade para terminar o percurso, se as suas reservas de carboidrato acabarem muito rápido.
Uma nova fórmula, criada por um maratonista estudante de Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Technology) permite calcular exatamente quantas calorias de carboidratos são necessárias para percorrer os 42 km.
De acordo com Benjamin Rapoport, autor do estudo publicado na revista "PLoS Computational Biology", 40% dos maratonistas chegam ao seu limite durante a corrida. Queimam os carboidratos guardados no fígado e nos músculos da perna, o que os força a diminuir o ritmo, ao passo que o corpo começa a queimar gordura.
Segundo Rapoport, muitos corredores acreditam que isso é inevitável. "Isso não é verdade de jeito nenhum", diz ele, que já correu 18 maratonas. Seu melhor tempo foi de duas horas e 55 minutos, na prova de Boston.
Para fazer os cálculos, é preciso saber três coisas: o peso, o tempo que a pessoa quer fazer na maratona e a capacidade máxima de uso de oxigênio. "Essa é uma medida do condicionamento aeróbico", disse o estudante.
A capacidade aeróbica mede quanto oxigênio o corpo consegue transportar para os músculos e consumir durante uma atividade física.
Para ter esse número, é preciso fazer um teste de esteira. Mas dá para fazer uma estimativa disso dividindo a frequência cardíaca máxima pela frequência cardíaca em repouso e multiplicar por 15. Para saber qual é a frequência cardíaca máxima, o estudante recomenda subtrair a idade em anos de 220 batidas por minuto.
Ele construiu até um calculadora on-line que faz as contas para o atleta (http://endurancecalculator.com/).
Muitos corredores, diz Rapoport, usam suplementos de carboidratos durante a prova, em forma de gel ou bebidas, mas dá para carregar mais "combustível" nas pernas e no fígado, se a pessoa souber de quanto ela precisa.
Antes, os maratonistas precisavam fazer estimativas. Agora, dá para calcular os números com exatidão. "É meu presente para os colegas corredores", disse.



Bom, agora só não leva a quantidade suficiente de gel quem não quer.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nosotros en Buenos Aires

Eram mais ou menos 13h15, quando eu, o Gabriel e o Duda chegamos ao Aeroporto Salgado Filho sexta passada, para embarcar rumo a Buenos Aires. O dia foi de confusão, já que choveu forte durante a manhã e os voos foram cancelados naquele período. Grandes filas se formavam nos guichês da TAM e da GOL, mas, sorte nossa - na teoria - íamos pela Pluna. Pouca gente no check in, no entanto, mesmo assim, levamos mais de meia hora para sermos atendidos. E então surgiu o problema: não lembrei que deveria levar uma autorização da mãe para poder viajar com o Gabriel para o exterior. E agora? A atendente - que nem nos atendia, meio de mau humor, diz que vai fechar o voo em 15 minutos, o que gera um certo estresse, já que esperamos um tempão pelo atendimento. Ligo para a mãe dele, armamos uma operação de guerra e ela consegue chegar a tempo, graças ao atraso no voo. Salvo pelo gongo.

Mas, novas surpresas: tentamos entrar na área de embarque, e a funcionária da Infraero diz ao Duda que não está na hora, que voltemos em 20 minutos. Não me dou por satisfeito, já que o painel está apontando que o voo sai às 15:45, que é o horário que ela nos manda voltar. Vou lá e ela repete o mesmo discurso. Ok, voltamos na hora certa. Só que agora ela diz: "Pluna? Já saiu, vocês estão atrasados! Entrou todo mundo!" Nova correria. E então damos de cara com a mesma atendente de antes, com o mau humor², espumando raiva pelos poros. Tento argumentar e ela replica: "Eu avisei vocês para virem direto, e vocês ficam passeando no aeroporto!" A tentativa de acalmar a gordinha é em vão: "Eu ia cancelar o voo de vocês e mandar retirar as bagagens! Agora tenho que chamar a Polícia Federal só por causa de vocês 3!" Ela continua espumando raiva, ódio, mau humor, falta de amor no coração, etc, até que somos atendidos pela PF e liberados para pegar o ônibus dentro do pátio do aeroporto e embarcar na aeronave.

O voo é tranquilo, chegamos pouco depois da 17h em Montevidéo, local de escala. Lá está em horário de verão, com 1h na frente. Nosso voo em direção a Buenos Aires é às 20:00, horário de lá. Encontramos o Valdomiro, o Fernando, Helena e filhos, e outro pessoal daqui na espera. O voo deles em POA era às 9h, mas não saiu em função da chuva e eles ainda aguardavam o desenrolar da confusão, já que perderam conexões em função de tudo. Com isso e com atraso, saímos pouco depois das 20h30, mas antes deles, em direção a Buenos Aires. Eles só chegam depois da meia-noite.

Nosso aeroporto era o Aeroparque, que fica dentro da cidade, uns 15, 20 minutos do centro, onde ficamos. Eram quase 23h quando chegamos ao nosso destino, o Hostel Suites, na Florida.





Na manhã seguinte, acordamos, meio atrasados, verdade, e na correria para pegar o tour da organização da prova pelo percurso. Chegamos com meia hora de atraso, mas os ônibus ainda não haviam saído de lá. Dentro dele, encontro o Miguel, mineiro de BH da equipe Baleias, responsável pelo excelente blog da equipe.


(Gabriel e o Duda no ônibus, no nosso passeio pelo percurso da maratona)

O passeio é o meio monótono, longo, interminável, programa de índio, e os guias são meios evasivos e desconcentrados durante ele. Adormeço metade do caminho. Quando estamos perto de nosso Hostel, decidimos descer e voltar ao local da entrega dos kits (de onde os ônibus saíam), já que o tour ainda levaria 1h30, com pausa para lanche e tudo mais.

O local da feira para a entrega do kit é amplo, suficiente para as pessoas, e tudo funcionava muito bem. A entrega, como já bem frisei outras vezes, é feita como deve ser: bancas por números, o que a faz fluir com rapidez. O kit é relativamente simples: a camiseta (que o Duda mostra na foto acima), algum produto para "micose", o chip, a revista da maratona e o regulamento com o mapa do percurso. É possível colocar o nome nas costas da camiseta, o que é feito por quase todos os corredores, e que levava meia hora até ficar pronto. Embora da Adidas, a camiseta era de poliéster (e menor que o normal) e não poliamida, como é na Meia do Rio, por exemplo, também patrocinada por ela. Devolvo os 4 chips que peguei do povo que não foi e não iria correr. Havia um "urna" em que era depositado o chip, o que foi louvável e funcionou eficientemente, com muitos devolvendo-o.

Passeamos no tempo que nos resta na Villa Crespo, local das inúmeras outlets com preços relativamente bons, e pertinho de Palermo Soho, bairro da badalação noturna.

Na entrega do kit, havíamos encontrado o Mário e o Claiton e combinado uma janta no Broccolino (foto abaixo), na rua Esmeralda, que se realizou depois dessa brincadeira. A massa era bem boa por lá, a melhor que comi no fim-de-semana todo, e o preço acessível. Recomendo.


Na manhã seguinte, vamos comprar as coisas para o café (já que no Hostel só serviam às 8h) e encontramos a Bruna nos aguardando, atucanada, falando pelos cotovelos (mais ainda), nervosa por não ter falado conosco durante o sábado todo (o voo dela chegou só às 5h da madrugada e não nos encontramos no kit), e preocupada em não nos achar por lá (já tinha deixado alguns recados, que ninguém nos passou). Mas deu tudo certo e rumamos para o Estádio do River Plate, onde era a largada. O táxi não leva todos nós, e então sigo depois deles. Encontro um corredor argentino, que aguardava por uma carona de um amigo, me oferece também, mas o amigo dele já havia combinado com mais 2. Nisso, os táxis seguem passando, sempre com alguém dentro. Outro corredor aparece, um pernambuco, e dividimos o táxi até lá.

Em lá chegando, encontro o Zé Luiz, meu parceiro de maratona aqui, e a esposa, meus amigos cariocas. Tiramos umas fotos, me despeço deles, desejando boa sorte e logo em seguida encontro o resto do povo.


(O segredo do Mário para "voar" do jeito que voa: meias de compressão e tênis discretos)

(A galera reunida antes da largada)

A largada foi uma grande festa como pode ser vista já na primeira foto do post. Ela era dividida por "baias" de tempo. Os corredores, lá na entrega do kit, recebiam um pulseira colorida alusiva ao tempo que pretendia fazer na prova. Baseado nisso, se colocavam na área respectiva e saíam. Verdade que depois da largada tudo mais ou menos se misturou, mas, pelo menos, na teoria, todo mundo estaria junto "dos seus", no seu ritmo, quando desse para começar a correr propriamente.

Saí dali, peguei um táxi, com o mapa do percurso na mão, e iria tentar pegá-los em algum ponto. Combinamos mais ou menos pelo 30, mas olhando o trajeto, tentei pegar antes e acompanhar outros momentos da prova. Não me faço entender bem pelo taxista, ele passa do ponto que eu queria e me deixa na Av. 9 de Julio, próximo ao Obelisco. De qualquer forma, foi melhor, pois os corredores passavam ali perto. Andei nem duas quadras e cheguei à Tucumán, onde tiro as fotos que seguem abaixo. Nesse ponto, eram pouco mais de 10km.



(Mário)
(Zé Luiz e Maria Helena)

(Claiton)

(Valdomiro)
(Duda)

Enquanto eles iriam em direção à La Boca, onde passaram pela La Bombonera, estádio do Boca Juniors, eu só tinha que seguir pela Tucumán no sentido inverso ao deles e em cerca de 1km chegava no ponto mais ou menos do km 28 da maratona. Nem foi preciso táxi. Claro, lá tive que esperar um tempo. Deu para tomar e comer alguma coisa e gravar alguns vídeos de outros corredores mais rápidos, que postei no Youtube.


De lá, peguei outro táxi, e o Duda pediu para eu alcançar Red Bull para ele por volta do km 32. Disse que talvez não desse tempo para chegar lá. Deu para chegar antes até, mas ele já estava passando, ali pelo km 30, e só pude dar para a Bruna. Só que acabei entrando numa roubada nesse ponto do trajeto: não tinha táxi passando por ali, pois era uma área contígua ao Porto, sem casas, sem nada praticamente, na Av. Costanera.

Tento ir acompanhando o trajeto, o Gabriel junto, procurando encontrar algum ponto que pudesse sair para um local mais movimentado, pegar um táxi e seguir em frente. Mas não há. Vamos caminhando, o Gabriel já meio cansado, coitadinho, e nisso passa a ambulância que recolhe os corredores que não completam a prova. A moça ali nos oferece carona. Caiu do céu. Diz que quando recolher outros corredores teremos que descer, mas isso só acontece por volta do km 35, onde já é entrada de um parque (um dos tantos da cidade) e um local bem movimentado, onde poderemos pegar o tal do táxi tão sonhado. Mas pegar táxi em Buenos Aires é uma tarefa árdua. Eles passam aos borbotões, mas estão sempre com alguém dentro. Então, esperamos, esperamos, esperamos, até que conseguimos pegar um, que logo em seguida para no trânsito engarrafado pela própria maratona. Ficamos tranquilamente mais de meia hora nessa brincadeira, tentando alcançar o estádio do River novamente, onde terminava a prova. Quando finalmente chegamos, o povo já está lá, o Duda, a Bruna, o Valdomiro. O Mário e o Claiton que haviam terminado a prova mais cedo, já tinham ido. Encontro o Hideaki, grande organizador e propagandista dos Marathon Maniacs, e tiramos a foto abaixo.


(Os maratonistas e suas respectivas medalhas)

Eles terminaram assim:
Mário -> 3:10:13
Claiton -> 3:46:54
Duda -> 3:51:12
Bruna -> 4:02:00
(ela disse que o GPS dela marcou mais 400m)

No cômputo geral, Buenos Aires foi uma prova excelente, mesmo vendo de fora. Houve uma invasão brasielira e um recorde de inscritos e concluintes (6.400 e 5.093, respectivamente), firmando a maratona como a maior da América do Sul. Ano que vem deve superar tudo isso e certamente estaremos por lá. A cidade tem inúmeros parques, tem uma vocação para a atividade esportiva e para o turismo, e não há, diferentemente daqui (alô, EPTC!) uma preocupação absurda com o "transtorno" que irá causar ao trânsito num domingo pela manhã. Nossos tecnocratas têm que aprender com los hermanos como é que se faz uma maratona numa cidade que tem o dobro do tamanho de Porto Alegre e que cruza boa parte dela, passando por inúmeros pontos turísticos. Isso só é possível quando se tem a mente aberta e a consciência de que a prática de esportes é um bem para todos, e que deve ser estimulada, mesmo que pareça "um capricho de um bando de loucos que não têm o que fazer." Não é, e certamente quando vemos pessoas de outras cidades vindo correr aqui, gostaríamos de ouvi-los dizendo que o percurso é bonito, que passa por 'n' pontos principais da cidade, ao invés de ouvir "que chato aquele vaivém pelo mesmo trajeto". A lembrança que as pessoas trazem da cidade é a riqueza mais preciosa que ela pode ter. Quem sabe insistindo bastante no mesmo ponto consigamos mudar o pensamento por aqui.

Bom, maiores informações sobre a prova no site do evento.
Mais tarde, outras fotos sobre as incursões em terras argentinas estarão disponíveis no meu espaço do Picasa.

No fim-de-semana, devo tentar dar uma corrida e ver como está a costela, que ainda causa um leve desconforto. Mas é hora de começar a treinar para os cerca de 80 km da 7ª TTT, próximo desafio, ano que vem, em fevereiro.


terça-feira, 25 de maio de 2010

Mais uma Maratona de Porto Alegre

Domingo, 23 de maio, 6h da manhã. Ainda era uma escuridão quando chego na nossa barraca armada no Parque da Harmonia, para minha 18ª participação na Maratona de Porto Alegre.

Não dormi tudo que queria, mas também não foi insuficiente. Despertei umas duas vezes durante a noite, fruto da ansiedade e expectativa naturais diante do evento, mas foi só uma questão de virar para o lado e voltar ao descanso.

O dia não amanheceu como seria o ideal para nós maratonistas. Temperatura agradável, com algum vento, céu encoberto e instável, mas não aquele frio que deveria estar nessa época do ano.

Às 7h em ponto, deu-se a largada feminina. 15 minutos depois, largamos nós, homens, e o povo do revezamento em duplas.

Saí com o Zé Luiz, meu amigo carioca, para fazer a média de 5min/km. O primeiro já não deu por conta do tráfego intenso e a via estreita na Loureiro da Silva, mas nos 2 ou 3 seguintes conseguimos ajustar isso. O Pedro da Conceição logo em seguida juntou-se a nós.



O começo de maratona sempre é muito tranquilo. Os quilômetros passam ligeirinho. Quando a gente vê já está no 10. Fizemos em 49:43. Bem dentro do previsto. Vez que outra, a gente dava uma aceleradinha por conta de alguma descida, e eu ficava dando pito nos dois, para a gente maneirar.

Logo no retorno da Goethe (km 11 ou 12) enxergo o Edson, o Alessandro e o Valdomiro, mais ou menos juntos, dois deles, a meu ver, mais rápido do que deviam. Esse ponto do trajeto, na minha ótica, é um dos piores, porque tem subida para chegar na Vasco da Gama, durante ela, e depois quando ingressamos na Goethe e viaduto da Silva Só. Claro que comparando Porto Alegre com Porto Alegre, porque com as outras maratonas, aí é filé mignon.

Já na Botafogo, lá pelo km 15, a Esa passa de bike por mim, em busca da Bina e da Bruna, que estavam mais à frente. Passamos pelo Shopping Praia de Belas e ainda na avenida homônima encontro a Nara, na altura do km 18. Pergunto se está tudo bem, ela me responde afirmativamente e sigo em frente, já imaginando que encontraria a dupla de pupilas logo em seguida.

Nesse ínterim, o Pedrão já não nos acompanha e fica pouquinha coisa para trás quando ingressamos na João Alfredo. Retornamos à avenida Loureiro da Silva e vamos em direção ao Gasômetro, já quase chegando na meia maratona, onde havia a troca do revezamento. Lá ouvi uns 2 ou 3 gritarem "Baldi!", mas não me perguntem quem, porque não consegui identificar voz e localização (muita informação ao mesmo tempo) no meio do povo que lá estava. Do outro lado da rua, a "negrinha" e mais alguém que a minha memória não lembra dando aquela força. E nada de encontrar as gurias...

Quase no 24, a Esa passa novamente de bike, e eu já avistava as duas, e só pela passada já dava para ver a Bruna estava cansadíssima. Alcanço-as, a Esa tira uma foto de nós 4, e eu e o Zé seguimos em frente. Mas ele também já dá sinais de cansaço.


Mais alguns quilômetros e já estamos no Barra Shopping, onde passamos o Júlio Cordeiro, dentista e marathon maniac pernambucano. Um pouco mais à frente, encontramos o João Batista, super bem, dentro do contexto de alguém que havia feito, no dia anterior (!), a K42, em Bombinhas-SC. Mais à frente, a Lu Santana também.

O Zé dizia desde mais ou menos o 30 (passamos em 2:29:26): "Vamos ver se conseguimos manter 5 por 1 até o 35, se der, e depois acho que vou ter que baixar, porque tá difícil para mim." Só que, como alguns sabem, eu dou umas "enroladas" psicológicas nas minhas parcerias... e assim fui conseguindo levar o Zé a subir a Wenceslau, que é uma parte ruim àquela altura da prova, dizendo que logo em seguida havia uma descida e a gente descansava... E assim chegamos no 35 (2:54:38).

Pegamos a Diário de Notícias, onde me pareceu que estava bem mais quente, e a Lúcia nos encontrou no km 36, no Barra Shopping, para o suporte da nossa campanha "Adote um maratonista". Pedi um "Twix", que eu adoro e já tinha deixado separado na mochila, e que pareceu que era o mais adequado para aquele momento, já que não estava muito a fim de tomar mais um gel (já havia tomado 3 - no 10, 20 e 28). Vou dizer que não é muito fácil ficar mastigando chocolate enquanto a gente corre, mas acho que caiu bem, pelo menos no plano mental. Se ajudou fisicamente, realmente não sei.

O Zé já tinha me mandado ir embora umas 40 vezes até ali, mas a gente estava praticamente entrando na Beira-Rio para os últimos 4 km, não seria agora que eu iria largá-lo por conta de 2 ou 3 minutos a menos. E eu seguia "castigando-o", puxando o que dava, e ele reclamando de dores na posterior da coxa. Mas era o jeito de chegar...



O ritmo caiu um pouquinho já que ele não suportava mais os 5min/km e para mim também já havia deixado de ser confortável há muito tempo. Fizemos dois a 5:16 e 5:15, respectivamente, e ele reclamando muito de cãibra. Os últimos dois acabaram sendo em 5:29 e 5:34, o que foi extremamente tranquilo para mim na reta final, e concluímos em 3:34:11, 281º e 282º dentre os 1.119 homens que terminaram a prova.

Pouco depois de 5 minutos, chegou a Bina, fechando em 3:55, o que a deixou extremamente contente. A Bruna, apesar de não completar a meta da 4h (fez 4:12), também chegou feliz com a missão cumprida. E vale ressaltar o desempenho do Mário: 3h05, o que não é para qualquer mortal. Mas, amigo, te disse que conseguias.

Dentre mortos e feridos, gritos e gemidos, acho que todos saíram contentes com o desempenho, mesmo nem sempre sendo o esperado. É bom lembrar que não fez os 14, 15 graus que normalmente habitam POA nesse período. Aí o negócio é esquecer as metas e fazer o possível, ou seja, chegar. O que não é pouca coisa. E, claro, agora é treinar mais e melhor para a próxima, porque, a cada dia que passa, sempre é possível melhorar alguma coisa.

No meu caso, a melhora já tem dia, hora e local marcados: 18 de julho, 7h30, Cidade Maravilhosa. Quero fazer abaixo de 3h30, nem que seja um segundo... e depois melhorar bem mais para Buenos Aires, dia 10 de outubro.




Agradecimentos ao Matias, Japa, Lara pelas fotos.

Parciais:
km 1- 5:08
km 2- 4:57
km 3- 4:53
km 4- 4:56
km 5 - 4:56
km 6 - 5:00
km 7 - 4:56
km 8 - 4:56
km 9 - 5:01
km 10 - 4:57
km 11 - 4:55
km 12 - 5:01
km 13 - 4:54
km 14 - 5:00
km 15 - 4:58
km 16 - 4:59
km 17 - 4:51
km 18 - 5:04
km 19 - 4:59
km 20 - 4:55
km 21 - 4:58
km 22 - 4:59
km 23 - 4:54
km 24 - 5:00
km 25 - 5:03
km 26 - 4:59
km 27 - 5:00
km 28 - 5:10
km 29 - 4:57
km 30 - 4:58
km 31 - 5:02
km 32 - 4:57
km 33 - 4:58
km 34 - 5:03
km 35 - 5:09
km 36 - 5:00
km 37 - 5:07
km 38 - 5:16
km 39 - 5:15
km 40 - 5:26
km 41 - 5:29
km 42 - 5:34
(total 42,47km)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A entrega do kit da maratona


Antes que eu esqueça de falar sobre, ontem, quinta, fui pegar meus amigos que chegaram do Rio para participar da Maratona.

Eles estão hospedados na Cidade Baixa, no Hotel Master que fica na Sarmento Leite. E a entrega do kit é na loja Win da Nilo Peçanha... Acho que ninguém se deu conta da mão-de-obra que criaram para as pessoas que não são de Porto Alegre. Todo mundo que vem de fora logicamente se hospeda nos hotéis próximos à largada. Evidentemente, a entrega do kit deveria ser ali perto e não lá no fim do mundo. Fim do mundo até para quem é daqui. Como as pessoas chegarão até lá para pegar o kit? Pegam 2 ônibus, duas horas de descolamento para ir, mais duas para voltar? Criaram um transtorno terrível para o povo, só para fazer uma propagandinha para a loja. Que, no final das contas, periga ser até negativa.

Não obstante a distância até para quem é de Porto Alegre, e torcendo para que eu queime minha língua, mas, sinceramente, aquela loja não tem estrutura para atender às 4.000 pessoas que iriam pegar os kits, mesmo sendo possível isso em 3 dias. Não há espaço físico para atender tanta gente. Nem tempo. É uma questão matemática: a loja fica aberta das 9h às 19h. São 10 h x 3 dias = 30 horas. Se temos 4.000 pessoas para pegar os kits em 30 horas, teremos 133 pessoas por hora, mais de duas por minuto... Isso, supondo que seja uma entrega uniforme, sem picos de horários. Claro, mais de uma pessoa pode atender ao mesmo tempo. Mas aí a gente olha o tamanho do local e vê que isso fica meio complicado... Ou seja, já dá para antever o caos que deve estar por lá. Tenho pena de quem for buscar o kit amanhã, sábado. O meu já estava separado, pois o Daniel iria pegar de toda equipe, mas isso não me faz indiferente aos transtornos que as pessoas terão para pegar os seus.

Se lembramos de um passado não muito distante, já houve filas imensas no Ginásio da Brigada, que é 20 vezes maior. Então, é de ficarmos preocupados.

Porto Alegre já foi referência na entrega dos kits. Houve uma época em que chegávamos no Ginásio da Brigada, procurávamos nosso nome numa listagem, olhávamos o número correspondente e íamos na banca respectiva. Simples assim. Aí era só testar o chip e pronto. Coisa de 5 minutos. Eu tenho uma imensa dificuldade, mas imensa mesmo, em entender porque mudaram.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Maratona de Porto Alegre, domingo


Domingo, teremos a maratona de Porto Alegre.

Embora não exista uma fórmula para fazer bem uma, assim como não há fórmula para o sucesso, algumas coisas são básicas e devem ser levadas em consideração.

Uma delas é dormir bem durante a semana. Lógico que há sempre um componente de ansiedade, nervosismo, pressão antes de uma maratona. Isso acontece até com quem já completou 37 maratonas (e não completou outras duas) , como eu. Mas é fundamental dormir bem. Deitar na cama e desligar. Ou pelo menos tentar. Se a gente fica pensando nas coisas, aí mesmo que o sono não vem de jeito algum. E cansado por ter dormido pouco, ninguém fará uma boa prova.

Durante muito tempo, talvez uns 10 anos, não terminava correndo as provas. Em 1994, terminei em 3h20, e caminhei no quilômetro 40. Uma idiotice, se formos pensar hoje. Era uma época amadora ainda, informações restritas, muito entusiasmo e pouca sabedoria da minha parte. Numa dessas maratonas, fiz a primeira metade em 1h30. Mantido o ritmo, teria sido meu melhor tempo na história. Mas não havia como manter, pois foi um erro de estratégia.

Se existe um segredo numa maratona, assim como em qualquer prova, é a regularidade. Se eu sei e acho que vou fazer em 3h30, numa média de 5min/km, não adianta me entusiasmar, por estar me sentindo
momentaneamente bem, e ficar correndo a 4:45/km. Não existe mágica. Ali na frente, o corpo vai cobrar essa diferença que parece pouca de 15s por quilômetro, mas não é: isso são 10 minutos no tempo total.

Ah, mas eu estava me sentindo bem, por isso andei a 4:45... Evidente, estamos treinados para uma maratona, vai dar para correr a 4:45 um bom tempo, mas quando não der mais... a casa cai. E cai com tudo.

Até achar o 'caminho das pedras', em 2001, com 3h11, inúmeras vezes errei pelo ímpeto desmedido. Mesmo nessa maratona em que quebrei meu recorde, cometi erros. Saí forte até onde agüentei e depois 'quebrei', só que eu quis correr o risco, porque sabia que iria estabelecer uma nova marca.

Outra questão chave é a parte psicológica. E são duas partes. A primeira é estar confiante antes de a prova começar. Confiante, mas não auto-suficiente. E jamais pessimista ou desesperançoso. "Treinei menos do que queria". Azar! Vamos fazer o que treinamos, então! Se não imaginarmos que iremos fazer uma boa prova, certamente não faremos.

A segunda parte é lidar com o sofrimento depois do km 30 e poucos. Porque todo mundo vai sentir o esforço numa hora da prova. Eu normalmente sinto lá pelo km 36. É onde o ritmo cai um pouco (ou bastante... 2 vezes no Rio, por exemplo). E é preciso saber administrar isso. Muita coisa dói no corpo, o cansaço é inevitável e a vontade de caminhar também. E não dá para deixar que ela vença a nossa vontade de terminar a prova, e logo. Não importa se outros estão caminhando também. Foi porque erraram em algum momento da estratégia. Saíram forte demais. Há estatísticas que dizem que 80% dos corredores saem mais forte do que deveriam!

Puxa, maratona já é, de certa forma, um sofrimento. Por mais que estejamos treinados, correr 3h e tanto desgasta qualquer um. E se a gente erra, sofre mais ainda.

É preciso saber se conhecer, saber o que o nosso corpo pode ou não. Os treinos servem justamente prá isso. Para a gente errar e aprender.

Porto Alegre é a melhor maratona do Brasil. É aqui que se deve debutar, é aqui onde é possível se obter a melhor marca, em função do relevo e da temperatura. Quanto a ela, ainda é uma incógnita nessa semana final. Está fresquinho, 14 graus pela manhã, mas pode abrir sol e esquentar, o que seria um desgaste a mais para aqueles que correrão.

Outra coisa que não se pode prescindir é a hidratação e a reposição dos carboidratos. Sempre levo 3 ou 4 sachês de carboidratos em gel, e tomo, a princípio, no km 12, no 22, no 32, e o outro é um coringa, se for preciso readaptar esse planejamento. Tomar água em todos os postos, mesmo que seja só um pouquinho, jogar na cabeça e no resto do corpo (ajuda a baixar a temperatura), tudo isso não pode ser esquecido. E a vaselina nas partes que podem gerar atrito e tornar a corrida desconfortável depois de um certo tempo. Lógico que, se o tempo esquentar demais, é preciso rever tudo isso e se adaptar.

Gosto de dividir sempre a maratona em 3 partes de 14km. Dá para ter uma noção de quanto vai ser o tempo final e, assim, ao passar pelo primeiro período, tenho uma parcial e, depois comparo com a segunda parte, que, necessariamente, tem que estar bem próxima, afinal, maratona, acima de tudo é constância. Depois, o resto, é uma contagem regressiva. E ela tem que ser otimista.

Lá pelos trinta e poucos, multiplico os quilômetros por 5 minutos (no caso, meu ritmo) e começo a mentalizar: “Faltam quarenta minutos. Falta meia-hora.” Pode ser que eu não consiga manter a média de 5min/km, e, muitas vezes, não consigo mesmo, mas não é essa a questão. O fato é esquecer que já se passaram 30,35 quilômetros, e que falta pouco, muito pouco para completar um objetivo que foi traçado há algum tempo e que demandou um considerável esforço de nossa parte. E a gente tem que ser forte, porque não existe prazer sem algum tipo de sofrimento.

Queria ter treinado um pouco mais, para tentar fazer a prova abaixo de 3h20, o que não será possível, já que os primeiros 4 meses foram uma loucura de trabalho aqui no escritório. Não foi só a falta de treino, mas também de foco, porque não conseguia me desligar dos problemas. Mas azar, em outubro, no feriadão do dia das crianças, tem a Maratona de Buenos Aires, para a qual já estou inscrito. E as fichas estarão depositadas naquela prova. É para ela que treinarei forte. Domingo agora, o jeito vai ser sair a 5min/km até a metade da prova e depois ver se dá para acelerar e terminar bem. A ideia é este corredor de número 133 cruzar a linha de chegada em 3h25. O que der abaixo disso é lucro e me deixará bem contente. Mas, claro, tem que haver uma conspiração positiva do tempo, meu principal aliado (ou inimigo).

Nessa edição, vai ter muita gente da nossa equipe dando suporte com bikes durante o trajeto, no projeto que denominamos "Adote um maratonista." Creio que isso ajudará muitos corredores nem tão experientes ou que estejam começando.

E, se o tempo colaborar com um friozinho, pouca umidade e vento, semana que vem estarei aqui contando que tudo certo para todo mundo. Tomara.

terça-feira, 27 de abril de 2010

4ª Meia Maratona Noturna do Corpa

Bem, sábado à noite, tivemos a meia noturna do Corpa. 4ª edição. Não lembro bem da 1ª e 2ª edição, talvez estivesse correndo em outros lugares. Só me recordo do ano passado, essa aqui. A temperatura estava boa para se correr, com um pouquinho de frio até, baixa umidade e vento fraco na Av. Beira-Rio, o que é uma raridade para o local.

19h em ponto, saímos para fazer o circuito de 2 voltas até quase o final da avenida. A iluminação estava razoável, melhor que ano passado, mas a prova sofre com o vandalismo e roubo de fios ao longo do local, principalmente pouco antes do estádio do Inter. De qualquer forma, puseram luzes, carregadas por baterias, o que minimizou o problema e que deve ser saudado, já que foi uma tentativa válida de solucionar uma questão que cabe ao poder público, no caso, a Prefeitura de Porto Alegre. Sexta passada, até ouvi o titular da pasta da SMOV, falar na Rádio Gaúcha sobre o fato, sobre os roubos constantes, mas a verdade é que eu corro quase sempre terça e quinta à noite por ali e deve fazer uns 2 anos que a situação é aquela... Ou seja, devo ser muito azarado mesmo que nunca passo nos dias em que a iluminação é reposta...

Voltando à prova propriamente dita, fiz o primeiro km em 4:32 o que me deixou meio desconfiado do Garmin, já que outro dia ele enlouqueceu enquanto eu corria no centro da cidade, onde chegou a marcar 3:30 num km. Então, fiquei pensando se ele não estava repetindo a dose, já que não pensei que estivesse nesse ritmo. Corri mais um para
tirar a febre e deu quase a mesma coisa, o que me confirmou que o ritmo era aquele mesmo. Baixei um pouco, e fiz o 3º em 4:44, o que era mais adequado para quem largou querendo terminar em 1h40.

Mas logo em seguida, comecei a fazer 4:39, 4:38 por km e ficou nessa constante. Como me sentia bem, segui arriscando para ver o que dava. Nessa média, passei os 10,5 em 48:31, o que me encheu de motivação, porque parecia que estava relativamente tranquilo. Nesse retorno, houve um ventinho a mais, o que dificultou e me fez "cair" para 4:40, mas depois logo ajustei novamente na casa das marcas anteriores. Muitas vezes, nós não damos conta, mas apenas 5s/km de diferença são suficientes para quebrar alguém ou render melhor. Se corresse a 4:32, 4:33, por exemplo, teria quebrado.




No outro retorno, lá pelo km 16, novo vento contra, mas aí já começou a bater aquela coisa de mentalizar a reta final: "falta pouco, tá logo ali". O ritmo permancia o mesmo, 4:38, 4:36. Comecei a chegar num cara de triatlo (imagino, pela roupa) que havia me passado uns 2km antes, e em outros tantos. Fechei o km 20 em 4:29 e terminei a prova em 1:36:24 (9º/40 na categoria, 84º/377 na geral masculino), o que foi bem melhor do que 1h40 que achei que iria fazer. Lógico que me senti um pouco cansado no finalzinho, mas o importante é que, apesar disso, o ritmo não caiu e até consegui fazer a segunda parte ligeiramente melhor que a primeira, o que é ideal. (48:31 x 47:53)

Faltou relatar antes, mas o abastecimento da prova esteve excelente. Evidente que a temperatura ajudou, mas ele era suficiente até mesmo para um dia quente.

Fiquei extremamente satisfeito com meu desempenho, pois, na minha opinião, fiz uma ótima prova. E foi um grande teste para a maratona (dá até para sonhar com 3h25) e para a prova de sábado agora, pedreira pura, em dupla com a Bruna, lá em Gramado. Isso tudo, claro, se o joelho direito, que causa algum desconforto desde o Desafrio do Urubici 2006, não se manifestar novamente, como fez depois da prova e no treino que havia realizado na quarta também. O lado bom disso tudo é que só incomoda depois que para. Então o negócio é correr!

As parciais:
km 1 - 4:32
km 2 - 4:36
km 3 - 4:44
km 4 - 4:38
km 5 - 4:37
km 6 - 4:38
km 7 - 4:36
km 8 - 4:38
km 9 - 4:38
km 10 - 4:31
km 11 - 4:40
km 12 - 4:36
km 13 - 4:38
km 14 - 4:36
km 15 - 4:39
km 16 - 4:32
km 17 - 4:36
km 18 - 4:38
km 19 - 4:35
km 20 - 4:29
km 21 - 4:10 (950m)

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