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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Gramado Adventure Running 2012

 

Sábado, subimos a serra para a prova em Gramado. Saímos às 7h e pouco. Chegamos lá por volta das 9h.
Tudo tranquilo para pegar número e chip. A camiseta e o resto do kit havia pegado na Paquetá do Iguatemi na quinta à noite.

A largada mudou de local em relação ao ano passado, o que me pareceu melhor. Deixamos a Bruna ali e fomos para o trecho 2. Na verdade, nem precisava, pois dá tempo tranquilo de ver a largada e ir para o posto de troca, mas...

A Bruna fez um pouquinho pior do que costuma fazer (já correu 2x o mesmo trecho), mas, nesse ano, havia 1km a mais do que nos anteriores. E era 1km a mais de subida, o que piorou a média. Conheço-a suficientemente bem ver que tinha sofrido mais quando chegou para a troca. Estava menos treinada, mas mesmo assim correu bem, só não tão bem quanto outras vezes.

Saí para fazer o trecho da fazenda correndo atrás do povo das duplas que já estava na frente, inclusive a feminina, já que, por exemplo, a Bina (que fazia dupla com a Manair) fez o trecho absurdamente bem (como toda a prova). Mas a Manair eu alcancei em seguida, já quando dobrávamos à esquerda, entrando no que já acho que era a área da fazenda. Estávamos subindo, o Álvaro me alcançou e seguimos juntos até o final da trilha.

Aí veio o asfalto. E a confusão. A minha lembrança (já fiz 2x o trajeto) era que devíamos ir para a esquerda. Entramos à direita. Ok, o trajeto mudou. Logo à frente, posto de água. Seguimos em frente. O Álvaro, pouco antes, perguntou: "Dobramos ali (no posto de água)?" "Acho que sim." Creio que também disse a ele que não lembrava daquela parte. Mas não dobramos, seguimos em frente ao asfalto e depois havia uma placa "FIM DO ASFALTO". Ainda pensei: "Como se fosse preciso avisar que o asfalto acabou..." O Álvaro ficou uns metros à frente. Pouco antes, o km fechou em 4:41 e eu pensei "Está forte demais, pois ainda tenho 2 trechos e ele só vai correr mais 1." Então segui no ritmo que achei que era o mais correto. Entramos na estrada de chão batido, que tinha uma subida considerável e, quase lá no alto, vem uma tropa de mais ou menos uns 30 corredores. O idiota aqui ainda pensou: "Mais à frente deve ser o retorno, mas esses caras correm muito mais que eu..." Foi então que começaram a dizer que não era por ali, que o percurso estava incorreto...

Bom, desânimo total. Lembro que todo mundo começou a ir num trote mais ou menos junto, e passou um carro de alguma equipe de apoio gritando que deveríamos ter entrado à esquerda (lá onde citei antes). O pessoal ainda desceu e ia em direção ao asfalto do lado direito, quando esse carro gritou que era à esquerda... Todo mundo voltando de onde havia passado... nisso enxergo o Daniel (organizador da prova) conversando com o cara da água. Ali parece que deveria ter sido o retorno. De qualquer forma, do meu ponto de vista, ir até ali e voltar é um erro. É uma chance de dar algo errado. Como deu. É que nem eu digo aqui no escritório quando colocam uma xícara na ponta da mesa: alguém uma hora vai bater, ela vai cair e quebrar.

Moral da história: corri uns 2,2km a mais, pelas minhas contas. Mas o problema nem foi esse. Foi que isso estragou a prova. O comentário majoritário do povo que corria era de que seria necessário anular o trecho. Provavelmente a decisão mais lógica, mas, mesmo assim, injusta e que não corrigiria o que aconteceu. Nada corrigiria.

Muitas pessoas foram sendo avisadas no meio do caminho de que o trajeto estava errado. Algumas foram até o posto de água, outras voltaram antes. Teve gente correndo 6,5 km, eu fiz 10,93 e outros fizeram até 7km a mais. Quanto mais à frente a pessoa estava, mais prejudicada foi. Quem vinha mais atrás acabou se beneficiando. E eu, depois disso, não mantive mais o ritmo que fazia. Não vou colocar a culpa de correr mal no erro do trajeto, mas que o ritmo caiu depois disso, isso sim, basta ver a estatística do Garmin aí embaixo. Tudo bem, havia subidas, mas desmotivou total. Todo o pessoal que largou atrás de ti estava a maioria agora à frente.

Sofri até chegar o próximo ponto de troca, que era nos Móveis Lustro. A Bruna ainda perguntou diante da confusão: "Eu preciso correr mesmo?" "Vai", eu disse. O trecho dela era curto, de modo que mal chegamos lá (quase no Parque do Caracol), não deu acho que nem 5 minutos e ela chegou (fez em 38 ou 39 minutos). Saí atrás do Dani (que fazia dupla com a Dalila), mas logo o alcancei (ele dobrava o trecho) e seguimos juntos até o Parque da Ferradura. Ele até me disse "não te prende por mim" uma hora, mas acho que precisava de companhia. Não foi um bom dia.

No retorno da Ferradura, havia uma subida forte e ele abriu uns poucos metros. O suficiente para a gente não ter mais contato, pois quando começou a ser possível correr ele se foi e eu fiquei. Aí abriu a porteira e houve o estouro da boiada: um festival de gente me passou. Eu só caminhava. Acho que, quando tinha uns 8km (dos 12 do trecho), o Clênio chegou também em mim e disse algo como "aproveita a descida". Que descida b _ _ ta nenhuma. Não tinha o menor ânimo, o corpo todo doía nem sei do que exatamente. Mas aí gritei para ele e depois alcancei-o e repeti: "Fala para a Bruna que se ela não estiver bem e não quiser correr o último trecho, tudo bem, porque eu estou mal e vou me arrastar no meu." E ele foi embora.

Então, faltava menos que 1 km quando o Rodrigo também me alcançou e me acompanhou até o final. Quando passamos pelo Caracol, já deu ver a Bruna me esperando antes do ponto de troca, o que indicava que ela estava propensa a me acompanhar na desistência. Cheguei nela, fizemos uma reunião rápida (como tu estás? vamos parar? que que tu achas? eu não consigo dobrar. vou me arrastar. já estamos mal mesmo. desistimos? então paramos.) e então paramos mesmo. Não foi literalemente assim, mas foi mais ou menos isso.

Fiz 1:23:42 nesse trecho, como pode-se ver aí abaixo. Um fiasco total. Ano passado (que já havia corrido mal) foi 1:12:56 e no anterior, quando ganhamos na dupla, foi 1:02:02 para 11,36 km - média de 5:28).

De modo que paramos, portanto. Minhas costas doíam muito. E minhas coxas também, coisa que só acontece quando estou estressado no escritório.
Difícil encontrar uma explicação simples para correr tão mal. Sempre o que acontece, para o bem ou para o mal, é um somatório de diversos fatores.

Não dormi bem na noite anterior. No fim-de-semana, onde moro, há sempre muito barulho, porque é a subida da Lucas de Oliveira. Os carros embalam, correm, cantam pneu, acontece de tudo. E sempre tem umas turmas que passam gritando, fazendo algazarra, bêbados, de modo que acordei diversas vezes durante a noite. Viro para o lado e durmo, ok, mas foi um sono interrompido a todo momento. Terça havia feito um treino excelente, quarta um péssimo, pois tive muitos problemas durante o dia, dos quais não consegui me desvencilhar na hora de correr. Sexta à tardinha e à noite fui diversas vezes no banheiro. Isso pode ter me deixado fraco para sábado. Aí erram o percurso e estragam a corrida... tudo isso, somado, deu numa prova péssima. 

A sorte é que a Bruna foi compreensiva, sabe que eu corro bem melhor do que isso, confia bastante em mim e viu que para eu querer desistir é porque realmente não estava em condições. Tanto que disse que, em uma situação normal, o cara da dupla que ganhou não correria tão mais do que eu... Exageradamente enchendo a minha bola.

O jeito agora é se recuperar no domingo, na Meia do Corpa.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Maratona de Buenos Aires


Sexta, estou indo para Buenos Aires. Volto só na terça, no final do feriado.
Não vai dar mais para correr, como era o previsto, e tentar fazer uma boa prova, que era o objetivo maior, mas... planos mudam, desde o momento em que a gente coloca o despertador para tocar e acaba apertando na tecla "soneca".

Do povo da equipe, 4 irão correr: Mário, Claiton, Duda e Bruna. O Duda acabou se machucando jogando futebol depois da meia do Rio e também vai descontado. O Irio, que iria, acabou abortando a missão na última hora.



Uma pena que não dê para correr, pois tinha uma boa expectativa lá em Buenos Aires, que, pelo que sei da prova, é um local propício para fazer uma maratona bem, já que o percurso não é difícil "tirando os 42km, claro...rs) e a temperatura ajuda.

Amanhã completam 3 semanas que estou sem correr, desde a queda no primeiro treino depois da prova de Gramado. O bom é que, no fim-de-semana que passou, parece que as dores na costela diminuíram bastante e há uma grande esperança de que, voltando de Buenos Aires, possa retomar os treinos.

Tenho um convite para participar da prova da Paquetá em novembro, num octeto, mas, sinceramente, creio que seja prematuro voltar nela, ainda mais numa distância curta, em que a possibilidade de alguma lesão para quem recém está retornando acaba sendo grande.

Esse ano, de tudo que foi planejado, só deu para correr a maratona de POA e a meia do Rio, praticamente. E teve a Meia do Corpa e a sensacional vitória na dupla do Gramado Adventure Running. O resto tudo foi cancelado por algum motivo de lesão, então acho que a hora é de ter paciência e aguardar o momento certo para o retorno. Ficar só treinando e não entrar em nada que possa atrapalhar meus treinos para o grande desafio que tenho ano que vem: correr individualmente a Travessia Torres-Tramandaí, dia 5 de fevereiro, em pleno verão, debaixo de muito sol. É verdade que posso cair (como aconteceu) e isso literalmente derrubar qualquer planejamento.

Na verdade, é um grande desafio. Já corri 3 vezes a Supermaratona de Rio Grande (50km, na mesma época do ano) e fui mal duas vezes! Rá, rá. Mas a última participação é que foi a boa, isso que interessa. Deu para acertar a fórmula para correr bem no calor do verão. Claro, em linhas gerais, porque cada prova difere da outra, e temos mais 30km nessa outra brincadeira.

Na edição desse ano, acompanhei a Bruna em um trajeto e a Dalila em outro, e o sol castigou o povo durante o dia todo. Deu 40 graus naquele dia. Para o ano que vem, mudaram o horário da largada da prova individual, pelo que soube, para 5h da manhã (tem que gostar muito mesmo). Uma iniciativa para minimizar o efeito do sol para os que se aventurarem. Talvez preferirisse correr com mais sol, já que a minha chance contra corredores "magrinhos" e sabidamente melhores é se eles quebrarem, e isso só é possível em condições mais adversas, onde é possível acontecer qualquer coisa.

De qualquer forma, por enquanto, vamos ver como será a prova de Buenos Aires no domingo, e se consigo voltar aos treinos depois dela.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

10 Milhas Noturnas Gramado


Mais uma prova organizada pelo Daniel: teremos a 1ª edição das 10 Milhas Noturnas Gramado, na cidade situada na nossa serra, distante 110km daqui de Porto Alegre.

Tem tudo para ser outro sucesso, como foi a Gramado Adventure Running, realizada dia 1º de maio, em que consegui a proeza de ganhar a prova em dupla mista, na parceria com a Bruna.
Não tem como reeditar essa dupla, mesmo porque um raio não cai duas vezes no mesmo local...

Aproveitando o charme de Gramado, o evento será mais que a simples prova às 19h do dia 11 de setembro, data do inesquecível e deplorável acidente nas torres gêmeas do World Trade Center, e aniversário da Amandinha, nossa colega de equipe que se foi para o norte do país lecionar geologia.

Haverá, no dia seguinte, almoço com premiação e confraternização, nos mesmos moldes do Mountain Do, que se realiza em Floripa. Com isso, é possível aproveitar o fim-de-semana em Gramado, correr, fazer compras, apreciar as belezas naturais e os passeios turísticos da cidade. Dá para participar individualmente, em dupla ou quarteto.

O evento tem convênio com o renomado Hotel Serra Azul, podendo ser possível se hospedar lá por preço bem mais acessível do que a proibitiva tarifa normal.

********

Ainda não sei exatamente como vou correr por lá, já que as dores nos gastrocnêmios, como dizia uma ex-namorada bióloga, retornaram. Depois da meia maratona do Rio, mês passado, provavelmente o esforço da prova gerou novas microlesões, e, segunda, quando fui correr, as dores estavam muito além do suportável.

Fui na nutricionista, como já relatei, no cardiologista (colesterol
278, triglicerídeos 112, glicose 87, dentre outros), mas a consulta com o ortopedista é só semana que vem, já que ele estava em congresso, férias, algo do gênero, ou seja, não podia atender. Só ele poderá determinar com mais exatidão qual é o problema que está gerando essas dores; se é o esforço muscular intenso ou alguma outra razão até então desconhecida. Mesmo assim, muito provavelmente, ainda terei que fazer ressonância na região, o que protelará a resposta à questão.

No entanto, já dei um jeito de não ficar parado e pelo menos movimentar o corpo, já que tenho uma tendência a ganho de peso em qualquer parada. Ontem (quinta), fiz 12km em 1:17:13, média de 6:26/km. Extremamente lento, que é justamente para não forçar muito a região, já que correr mais rápido traz junto consigo no pacote dores mais fortes. Difícil mesmo foi trabalhar a cabeça para aceitar correr a passo de tartaruga, vendo tudo passar ao lado em câmera lenta. Mas, por outro lado, foi legal, porque não pensei que aguentaria correr tanto tempo. Não só consegui, como também terminei super inteiro, sem maiores sacrifícios. E treinei a cabeça também para a grande prova que pretendo fazer ano que vem, no verão, no nosso litoral, dia 20 de fevereiro: a 6ª edição da TTT - Travessia Torres-Tramandaí, de forma solo, 75km.

O jeito é tentar ir fazendo isso, por enquanto, para não perder o pique para as peleias mais próximas: Meia Maratona Internacional do Rio, a citada 10 Milhas Notunas Gramado e Maratona de Buenos Aires. Claro que, tudo isso se o médico não recomendar depois o repouso total. Nesse caso, terei que procurar outro médico...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Gramado Adventure Running

Subimos a serra no fim-de-semana para participar do 2º Gramado Adventure Running, prova organizada pelo Daniel, nosso estimado treinador.

Fizemos aquela confraternização na sexta, jantamos juntos, e o no sábado às 10h começa a pedreira. Eu e a Bruna na dupla mista. Eram 7 duplas mistas, mas uns dias antes, a parceira do João Batista teve dores nas costas e acabou ficando de fora. Ele partiu para a prova individual, e a gente agradeceu, já que seriam adversários fortes.

Eu nem vi a largada, pois já fui com a Liane (que nos deu suporte a prova toda) para o primeiro posto de troca, uns 6km dali. Embora minhas 2.518 recomendações, a Bruna fez o trecho (que era descida) mais forte do que devia, de modo que chegou só uns 2 minutos depois do Mário. Quem o conhece, sabe do que estou falando e que ela fez bem forte mesmo, tanto que a Bina, que foi escalada para acompanhá-la no primeiro trecho, teve dificuldades na tarefa.

Larguei e, logo em seguida, alcancei a Lu Fiovarante, cuja dupla seria nossa principal adversária. O trecho 2 não era mole. Já no começo, subíamos... O Bruno Thomaz, do extinto blog Correndo na Chuva, que me encontrou por ali, disse que era só essa primeira grande subida e depois era mais tranquilo. Não foi bem assim, Bruno... não foi mesmo.

Como tudo que sobe, normalmente desce, a Lu me passou novamente, mas eu tinha na mente que a prova era de resistência. E inteligência. Repeti várias vezes para a Bruna que ela seria decidida no último trecho dela e no último meu. Então, tínhamos que correr de forma a estarmos em boas condições quando chegasse esse momento.





Tinha que fazer o meu feijão-com-arroz, sem me preocupar com quem está passando e sem aquela competividade, ainda mais nesse momento inicial da prova. Mas logo em seguida, veio nova subida e enxergava lá no topo o povo caminhando. Só pensei que não podia caminhar e fui em frente. A Lu ficou para trás novamente e daqui prá frente não a vi mais nesse trecho, que era muito bonito e difícil, passando por algumas fazendas. O pessoal só comentava nas subidas: "Se esse é o médio, estou imaginando o trecho difícil." Bem no finalzinho, já no asfalto e perto da Expogramado, avistei o Rafa, que fazia dupla com o Mário. Alcancei-o logo depois da entrada e fechei esse trecho (de 9,05km) em 55:26. Embora não soubéssemos com certeza e ainda não estivéssemos preocupados com isso, estávamos em primeiro e 4:50 na frente.




(no final do trecho 2)

E lá se foi a Bruna para fazer o trecho do Lago Negro, que era um pouco menor (7km). Em 35 minutos, ela chegou no posto, que ficava atrás da rodoviária. Enquanto esperávamos, chegou um atleta, cujo parceiro não estava ali. Ele gritava "Telmo, Telmo, Telmo!" e nada do Telmo... Nós ainda comentávamos: "Só podia ser Telmo". Pois 5 minutos depois chega o Japa-Telmo-gerente e descobrimos que o Telmo aquele era o mesmo...

O trecho 4 era o "buraco", como dizia o Mário "Cangibrina", que o fez em setembro passado. Descia tanto que não era possível enxergar onde terminava. E tinha horas em que era impossível segurar o ritmo. Tinha que se deixa levar. Eu continuava com aquele pensamento de que não adiantava descer forte, porque depois tem a subida e não haverá pernas para repor o esforço. E foi novamente o mais acertado, pois todo mundo que me passou literalmente voando na descida, ficou para trás na subida. E eu não caminhei nadinha, embora fosse num tranquinho bem devagar, mas mais rápido que o povo que caminhava. Fechei em 37 minutos cravados os 5,67 km do trecho, na média de 6:31/km, o que já demonstra a "barbada" que era. O bom de tudo é que ele era curto. Quando terminava a subida, pegávamos o asfalto e 1km depois já era o posto de troca na Unimed (5:24, 4:59, 6:24, 9:19 e 7:06 os km nesse trecho). Apesar da dificuldade, cheguei tranquilo e inteiro nesse ponto.




(o povo na espera, enquanto eu fazia o trecho do Parque da Ferradura)

E a Bruna partiu para o quinto trecho, rumo ao Parque do Caracol, já com o sol de quase 1h da tarde, embora não estivesse quente que prejudicasse o desempenho. Era o trecho mais longo dela, de pouco mais de 11km, mas tinha muita descida, pelo menos os últimos 6. Ela chegou reclamando de alguma dor no pé (passamos por ela de carro) e chegou a cogitar que eu dobrasse o trecho depois, o que foi prontamente rejeitado... hehe. Já estávamos em segundo, pois o cara da outra dupla havia ultrapassado-a (como era previsto). Tinha conversado com a Lu enquanto aguardávamos no posto de troca, mas, no final de contas, não a vi partir e, até aquele momento da prova, nem sabia quem era o parceiro dela, que só fui descobrir na volta do Vale da Ferradura.

A Bruna chegou com uma cara preocupante de cansaço e sofrimento, já que ainda havia o último trecho, que era o mais difícil dela, e que só subia. Um mês atrás, mais ou menos, até fui para Gramado e treinei exatamente nesse trecho, indo e voltando do Caracol. E quebrei na subida...


Senti o cansaço nesse trecho da Ferradura e não corri muito bem, tanto que tive dificuldade em pegar a Lu embora tivesse enxergado-a no retorno do Parque, e a distância não fosse tão grande que não pudesse ser tirada nos 5,7 km da volta. O trecho até não parecia tão difícil quando estava indo, mas devia ser porque estava descendo mais que subindo. Então, no retorno tinha uma subida boa e fui avistando a Lu, mas só consegui alcançá-la exatamente no km 10. Pensando melhor agora e olhando os tempos (fiz km prá 4:46 e 4:37), talvez ela tivesse corrido bem, sabendo que estava em primeiro e precisando manter para entregar para o parceiro. Talvez por isso, cheguei nela, mas ela veio do lado uns 200m, até que pensei: "It's now or never" - como cantava o Elvis - e forcei para abrir um pouco de distância. Fechei os 11,36km em 1:02:02, na média de 5:28/km. Ela chegou só uns 45, 50s depois, e o parceiro dela saiu enlouquecido atrás da Bruna...

Descansei um pouco, hidratei, adrenalina a mil, sabendo que a coisa ia ser no detalhe. Depois, pegamos o carro e saímos atrás. O cara já tinha passado, e agora só restava cuidar a diferença que eu teria que buscar. Fomos monitorando, parando para assessorar: 1:45, 2:15. Putz... ainda iria aumentar, mas eis que vamos mais à frente e... e?? O cara estava caminhando! Sentiu a subida. Enlouquecemos, euforia total! A Liane queria dar a volta e avisar a Bruna, mas não tinha como ali. Era muito arriscado parar e atravessar a pista. Fomos mais à frente e aguardamos. Aí chega a Conceição de carro e avisa que a Bruna também estava caminhando... banho de água fria. De qualquer forma, a diferença tinha baixado para 1:45 quando ele passou. E então veio o Duda. Pegamos ele e o largamos para correr com ela, para evitar que o ritmo caísse e a diferença aumentasse. E, dentre tantos detalhes na prova, talvez esse tenha sido o mais fundamental, porque ele chegaram 2:20 mais ou menos à nossa frente no último posto, defronte à Sinoscar
(foto abaixo).


Eram 15h30 quando larguei confiante e queimando pneu atrás da Lu. Primeiro km a 4:34 (o GPS chegou a marcar 3:33 num certo momento). Começava a descida perto do Café Colonial Bela Vista, e a Lu lá no alto da subida. "Mas já estou no retrovisor", pensei. Quem está atrás, sempre tem vantagem, nesses casos, porque o indivíduo não sabe a diferença e, se virar para olhar, faz o outro crescer. Logicamente, se houver pernas para tanto.

Aí o Alex e a Bruna passam de carro, já monitorando a diferença, e vendo que ela estava caindo. Fiz o segundo km, com subida e tudo, a 4:59. O seguinte, que nem lembro mais como era, a 5:10, mas também devia ter subida. E a diferença caindo, caindo. Ela cada vez mais próxima. A Bruna, a essa altura, já tinha metido a cabeça para fora do carro para dizer que estava só a uns 300m dela. Feliz da vida de que eu certamente iria alcançá-la. Mas deu trabalho. Tive que tirar praticamente 30s por km. Km 4 a 4:59. Quase no 5, praticamente encostei nela, mas não passei. Fiquei uns 20s no mesmo ritmo, preparando o fôlego, porque quando passasse, precisava não dar chance de troco. E pouco antes de dobrar na Borges, passei-a. Um pouco depois, já sentia o cansaço, fiz o km a 4:58, mas vamos combinar também que já eram 32km correndo e quase nada plano, estava na hora de cansar mesmo. Pior é que achei que esse último trecho era maior, quase faltaram quilômetros para passar. Se deixo para o final, que era a ideia inicial, talvez não desse mais tempo. Também imaginei que a Borges fosse mais longa, mas quando vi que já estava chegando nos Bombeiros, percebi que não tinha mais como perder. Sofri um pouquinho para subir a rótula da entrada da Expogramado (5:53 o km) e lá no topo olhei para trás para ver como estavam as coisas, só para ter certeza que o sonho era realidade.

Já dava para escutar o Daniel gritando no microfone para aqueles que estavam chegando. Passei bem no finalzinho um rapaz, pouco antes de dobrar e pegar a reta final, que acabou servindo de incentivo para chegar forte (sprint a 3:59/km) e super contente, ouvindo o anúncio a chegada da primeira dupla mista! Minha primeira subida no ponto mais alto do pódio. Acho que ele também ficou contente e orgulhoso da gente. Logo em seguida a Bruna apareceu para comemorarmos. O meu sorriso tá na orelha até hoje. E tenho certeza que o dela também.








Depois disso tudo, ainda teve a Gramadinho, que era para a criançada. Acho que todo mundo gostou, porque foi muito legal ver, principalmente os bem pequenos, até 6 anos, se perfilando para correr. Tinha até uns com camiseta da equipe deles. Muito legal mesmo.

Tem 4 pessoas que ajudaram bastante e que foram sensacionais, a quem só tenho que agradecer. A Bina, que está sempre junta nas indiadas, dando força de alguma forma, incentivo, e que correu o primeiro trecho com a Bruna (para tentar disciplinar a moça, senão ela sairia como se fossem 100m rasos). A Liane, que decidiu na terça que iria para Gramado e se colocou à disposição para fazer suporte. Essa guria é a pessoa mais parceira que eu conheço. Topa qualquer aventura. Se virou como deu e até cuidou dos meus filhos enquanto eu corria. Não é à toa que sou padrinho dela no mundo das corridas. O Duda, que foi fundamental no último trecho da Bruna. Sem ele talvez a peteca caísse e não tivesse mais como buscar a diferença no final. Todos eles demonstraram aquele espírito de equipe, de solidariedade, de união, de amizade que nós temos na EDR, e que é fundamental para sermos, sem exageros, uma extensão de nossas famílias, uma segunda família.

E, por último, logicamente, queria agradecer muito à Bruna, por ter topado o desafio de fazer uma dupla mista para tentar, primeiramente, subir no pódio. Disse para ela: "Bruna, preciso de uma mulher para correr Gramado em dupla. E é tu." Daquele jeito dela, depois de cair na gargalhada, me respondeu: "Baldi, tu quer que eu morra", para logo em seguida começar a olhar quem tinha corrido e ver se a gente tinha chance... Tá certo que ela me deu uma enroladinha, deixou as pedreiras todas para mim, mas correu super bem nos trechos dela, melhor até do que eu imaginei que ela pudesse correr, e só foi cansar no trecho 7, que foi dureza para todos, inclusive para mim quando treinei ali.

Apesar do meu pensamento inicial de que talvez ela tivesse que correr as pedreiras, já que, pela lógica, eu poderia descontar as diferenças nos trechos que dava para correr mais, a distribuição dos percursos se mostrou a mais acertada, porque conseguimos correr bem nossos trechos, dentro de nossos limites. E o importante, em todas as provas, é ter regularidade. Além disso, no final, praticamente tudo deu certo, desde o planejamento de correr um trecho cada um para poder descansar e render mais no seguinte, a infra-estrutura, gelo, óleo de massagem, comida, isotônico, os adversários que não foram. Tudo conspirou favoravelmente. Até o joelho, que passou a semana inteira incomodando, quando eu simplesmente caminhava, me fazendo imaginar que talvez nem conseguisse terminar a prova. Pois até ele colaborou. Não senti nada, nenhum desconforto. Então era para ser mesmo.

No final, o post ficou grande. Do tamanho da alegria.

Agora que venha a Maratona de Porto Alegre.



terça-feira, 27 de abril de 2010

4ª Meia Maratona Noturna do Corpa

Bem, sábado à noite, tivemos a meia noturna do Corpa. 4ª edição. Não lembro bem da 1ª e 2ª edição, talvez estivesse correndo em outros lugares. Só me recordo do ano passado, essa aqui. A temperatura estava boa para se correr, com um pouquinho de frio até, baixa umidade e vento fraco na Av. Beira-Rio, o que é uma raridade para o local.

19h em ponto, saímos para fazer o circuito de 2 voltas até quase o final da avenida. A iluminação estava razoável, melhor que ano passado, mas a prova sofre com o vandalismo e roubo de fios ao longo do local, principalmente pouco antes do estádio do Inter. De qualquer forma, puseram luzes, carregadas por baterias, o que minimizou o problema e que deve ser saudado, já que foi uma tentativa válida de solucionar uma questão que cabe ao poder público, no caso, a Prefeitura de Porto Alegre. Sexta passada, até ouvi o titular da pasta da SMOV, falar na Rádio Gaúcha sobre o fato, sobre os roubos constantes, mas a verdade é que eu corro quase sempre terça e quinta à noite por ali e deve fazer uns 2 anos que a situação é aquela... Ou seja, devo ser muito azarado mesmo que nunca passo nos dias em que a iluminação é reposta...

Voltando à prova propriamente dita, fiz o primeiro km em 4:32 o que me deixou meio desconfiado do Garmin, já que outro dia ele enlouqueceu enquanto eu corria no centro da cidade, onde chegou a marcar 3:30 num km. Então, fiquei pensando se ele não estava repetindo a dose, já que não pensei que estivesse nesse ritmo. Corri mais um para
tirar a febre e deu quase a mesma coisa, o que me confirmou que o ritmo era aquele mesmo. Baixei um pouco, e fiz o 3º em 4:44, o que era mais adequado para quem largou querendo terminar em 1h40.

Mas logo em seguida, comecei a fazer 4:39, 4:38 por km e ficou nessa constante. Como me sentia bem, segui arriscando para ver o que dava. Nessa média, passei os 10,5 em 48:31, o que me encheu de motivação, porque parecia que estava relativamente tranquilo. Nesse retorno, houve um ventinho a mais, o que dificultou e me fez "cair" para 4:40, mas depois logo ajustei novamente na casa das marcas anteriores. Muitas vezes, nós não damos conta, mas apenas 5s/km de diferença são suficientes para quebrar alguém ou render melhor. Se corresse a 4:32, 4:33, por exemplo, teria quebrado.




No outro retorno, lá pelo km 16, novo vento contra, mas aí já começou a bater aquela coisa de mentalizar a reta final: "falta pouco, tá logo ali". O ritmo permancia o mesmo, 4:38, 4:36. Comecei a chegar num cara de triatlo (imagino, pela roupa) que havia me passado uns 2km antes, e em outros tantos. Fechei o km 20 em 4:29 e terminei a prova em 1:36:24 (9º/40 na categoria, 84º/377 na geral masculino), o que foi bem melhor do que 1h40 que achei que iria fazer. Lógico que me senti um pouco cansado no finalzinho, mas o importante é que, apesar disso, o ritmo não caiu e até consegui fazer a segunda parte ligeiramente melhor que a primeira, o que é ideal. (48:31 x 47:53)

Faltou relatar antes, mas o abastecimento da prova esteve excelente. Evidente que a temperatura ajudou, mas ele era suficiente até mesmo para um dia quente.

Fiquei extremamente satisfeito com meu desempenho, pois, na minha opinião, fiz uma ótima prova. E foi um grande teste para a maratona (dá até para sonhar com 3h25) e para a prova de sábado agora, pedreira pura, em dupla com a Bruna, lá em Gramado. Isso tudo, claro, se o joelho direito, que causa algum desconforto desde o Desafrio do Urubici 2006, não se manifestar novamente, como fez depois da prova e no treino que havia realizado na quarta também. O lado bom disso tudo é que só incomoda depois que para. Então o negócio é correr!

As parciais:
km 1 - 4:32
km 2 - 4:36
km 3 - 4:44
km 4 - 4:38
km 5 - 4:37
km 6 - 4:38
km 7 - 4:36
km 8 - 4:38
km 9 - 4:38
km 10 - 4:31
km 11 - 4:40
km 12 - 4:36
km 13 - 4:38
km 14 - 4:36
km 15 - 4:39
km 16 - 4:32
km 17 - 4:36
km 18 - 4:38
km 19 - 4:35
km 20 - 4:29
km 21 - 4:10 (950m)

segunda-feira, 8 de março de 2010

1ª São Chico Eco Running. E elas.


Subimos a serra no fim-de-semana para participar da São Chico Eco Running, em São Francisco de Paula.
Fomos com um sexteto masculino e um feminino, mais o "Veloz", que fez a corrida individual, com pouco mais de 5km.

Devia haver uns 150, 200 corredores, divididos entre as duplas, trios e sextetos (mistos, masculinos e femininos). O dia começou nublado, depois abriu um sol forte, para novamente ficar nublado lá pelas 14h, com alguma chuvinha bem fraca.

O Alex, nossa nova aquisição da Dell, fez o primeiro trecho, que, embora curto, foi bem complicado (como toda a prova), já que incluía subidas fortes e muitas pedras no trajeto de
chão batido. A ele, seguiu-se o Duda, que fez super bem a parte dele, de 12km e alguma coisa, em cerca de 1h24, e cheio de barro. Depois, nosso chefe Daniel Rech fez o terceiro, de 9,1 em 51 minutos e, novamente, cheio de subidas íngremes. O outro Daniel, também da Dell, fez o quarto trecho, de 7km e pouco e me passou a vez lá pelas 13h30.

Meu trecho começava com uma descida íngreme de 2,5km, em que foi impossível segurar muito, por mais que eu tentasse e acabei fazendo o primeiro km em 4:38 e o segundo em 4:19... Depois, também, a coisa mudou de figura...

Não corri bem desde o início. Não sei se fiquei nervoso com o revezamento, com a "pressão" da possibilidade de nosso primeiro pódio masculino da equipe, mas o certo é que corri com o batimento alto desde o início. Aí isso se reflete em tensão nas pernas, no corpo, etc... Mesmo correndo rápido como estava, sentia que não estava legal. E quando começou a subir, meu ritmo caiu na proporção inversa. Fiz os primeiros 5 em 24:15, mas logo em seguida já dei a primeira caminhada. Depois novamente no 8, 9, 10... Pior é que não achei o percurso tão difícil, eu que não estava correndo bem mesmo. Podia ter ido melhor, o que faria diferença, pois, apesar da minha má performance, ainda tirei 9 minutos da diferença para o 2º (que era primeiro, mas também perdeu este posto nesse trecho), e restaram apenas 6 minutos entre nós, que certamente teriam sido suprimidos se eu não caminhasse tanto.

Na verdade, apesar de várias subidas, o trecho também tinha várias descidas boas, e o grande obstáculo mesmo foi no km 13, em que era simplesmente impossível de correr, pois a subida era absurda e interminável (1km), que acabei fazendo em 10:50. Era tão desgraçada, que até caminhando, deu vontade uma hora parar para tomar fôlego, mas a consciência não deixou...

Começou a descer e logo em seguida encontrei o povo da equipe já esperando, dispersos em alguns pontos. Cheguei "patrolando" (por causa da descida, lógico) e passei a vez para o Clênio, que tirou ainda mais dois minutos em relação à equipe que chegou em segundo, finalizando nossa prova em 5:38, para nos brindar com o terceiro lugar no sexteto masculino.

As meninas tiveram uma chegada emocionante, perdendo o primeiro posto na reta final, já dentro do pátio do Hotel das Araucárias.

A prova em si foi boa em quase tudo. Evidentemente que, como primeira edição, algumas coisas não funcionaram bem. Houve uma certa confusão nos trajetos, que não estavam muito claros para aqueles que não eram da região, faltou um roteiro de "como chegar de carro". A menina do sexteto feminino, por exemplo, passou nossa representante, mas depois seguiu reto onde devia retornar e teve que passar novamente no final... Se estivesse mais calor, teríamos problema no abastecimento... O percurso foi pedreira em quase todos os trechos, mas faz parte. Ontem, almocei no meu pai, descansei numa cadeira e, quando acordei, parecia que um caminhão tinha passado por cima... de tantas dores na pernas e nos braços. E hoje, parecia que outro caminhão passou e completou o serviço. De qualquer forma, devemos ressaltar o aspecto positivo da prova, que era diferente, em uma região bonita e carente de provas, com preço acessível. Então acho que dá para dar um desconto nessas questões e sermos tolerantes. Tem muita prova organizada pelos bam-bam-bans das corridas que está cheia de falhas, enquanto eles forram o bolso.

Falando nisso, e fazendo um parênteses, o povo da nossa equipe resolveu boicotar a Track & Field, em função do preço exorbitante (R$ 80,00) da inscrição. Claro que cada um faz o que quer com o seu dinheiro e se achar que vale a pena, que corra, mas nós achamos muito mais em conta organizar um churrasco na mesma data, na casa de um casal que mora a uma quadra dali, e simplesmente só ver a prova...

Mais fotos da São Chico Eco Running no álbum da equipe no Picasa.



Hoje é o Dia Internacional da Mulher e, como não poderia deixar de ser, presto homenagem a elas, que tanto colorem nossas corridas com seus modelitos, beleza e charme. É salutar que o número de mulheres tenha aumentado consideravelmente, pois houve um tempo em que eu corria e contávamos na mão "a musa" das corridas. Hoje já não há mais como eleger uma só. Se não bastasse isso, também tenho o maior orgulho das mulheres da minha equipe, que nos deixam imensamente felizes por quase sempre ganhar alguma coisa. E, não raramente, acompanho alguma delas nessa empreitada, o que me deixa contente por participar ativamente da vitória delas. Infelizmente, não temos (ainda) uma prova aqui para homenageá-las nessa data especial. Mas chegaremos lá.

Minhas felicitações às mulheres da Equipe Daniel Rech pela passagem do dia delas, extensivo a todas as mulheres que corram, que quebraram mais esse paradigma no mundo moderno.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

As inscrições abusivas


Esse negócio de corrida virou realmente um negócio. Lucrativo.


Estava a fim de participar dos 10km da Track and Field, dia 13 de setembro, lá na área do Iguatemi. Pois a inscrição custa R$ 76,00. Na verdade, segundo os organizadores, é R$ 70,00, mas como não há outra maneira de realizá-la a não ser através do site da Ativo.com, sai mais R$ 6,00 a título de "taxa de serviço". A meu ver, propaganda enganosa e de má fé, já que é impossível inscrever-se por R$ 70,00. O custo da inscrição é R 76,00. É isso que é efetivamente pago por quem vai correr. R$ 76,00 por 45 minutos de corrida. Serviço bem remunerado...

Tudo bem, cada um cobra quanto quiser e paga quem não tiver juízo. Só que, por exemplo, nessa prova da TF nem direito a escolher o tamanho da camiseta será possível. Ou seja, vai ser o que houver. Ano passado, acabei ficando com uma camiseta de manga longa que não chega no pulso...

Outras provas andam na mesma direção: o Circuito da Adidas, que acontece pelo primeiro ano aqui em Porto Alegre, já na segunda etapa aumentou em R$ 10,00 os valores. Provavelmente para se equiparar ao resto do país.

Semana retrasada, aconteceu a K42, maratona de aventura em Bombinhas. Pois as inscrições eram de R$ 200,00. Paga-se caro para ser largado no meio do mato. O Mountain Do, que acontece em outubro, em Florianópolis, cobra mais ou menos o mesmo valor para as duplas. No caso de a pessoa correr em octetos, o valor da inscrição gira em torno de R$ 90,00. Salgadinho. Por motivo semelhante, não gostei da prova do Desafrio Urubici (50km), pois, no meu entendimento, R$ 80,00 (em 2006) era muita grana para o pouco que se ofereceu por lá. Da mesma turma que organiza essa prova, o Desafio Praias e Trilhas está cobrando R$ 230,00 esse ano! É para correr uma vez e nunca mais... Ou nenhuma.

Desse jeito, a corrida, que tem crescido em termos de adeptos nos últimos anos, ficará inviável. Aí temos a seguinte situação: uma maratona cobra em média R$ 40,00, colocando o staff à disposição dos corredores por cerca de 5h, em alguns casos, 6h. E uma corrida de 10km cobra R$ 60,00 ou R$ 70,00, sendo que o último corredor não leva mais que 1h30 para completá-la. Tem algo errado nesse cálculo de custo. Ou, que é o que eu penso, encontraram uma forma de ganhar dinheiro fácil com a moda que virou a corrida.

Aliás, por um preço justo, tem a prova de aventura que o meu treinador está organizando, em Gramado, na serra gaúcha: 1º Gramado Adventure Running. Infelizmente, perderei a festa, pois estarei em Foz do Iguaçu para correr a maratona, no dia seguinte.

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