terça-feira, 28 de setembro de 2010

2ª São Chico Eco Running

Enquanto parte da EDR (Equipe Daniel Rech) se preparava para participar da Goldsztein Cyrela POA Night Run, outra parcela acordou cedinho no sábado e rumou para São Francisco de Paula, na serra, distante 47km de Gramado, para participar da 2ª Edição da São Chico Eco Running. A primeira eu comentei aqui.

Eu, a Bruna e Bina chegamos lá por volta da 9h. Elas duas iriam correr, junto com a Nara. Ventava bastante, dando uma sensação de frio antes da largada.

Havia também uma competição de bikes, que largou pouco antes dos corredores. Não havia muita gente, o que, de certa forma, foi bom, porque os carros, mesmo assim, causaram alguma confusão em certos pontos de troca.




Enquanto a Bruna chegava no primeiro posto de troca, para passar a vez para a Bina no trio feminino, o Mário já havia feito sua passagem para o Claiton, que rumou para o trecho mais enlamaçado da prova. Deu dó ver como os corredores chegavam depois dele. Teve um deles que relatou que correu cerca de 800m dentro do barro, sem nenhuma outra possibilidade. Mas assim é prova de aventura. Mas aí também surgiu uma preocupação: a Bina, além de chegar repleta de barro, também chegou sentindo a coxa esquerda.


No posto de troca que iniciava o trecho 3, junto à Madeireira Rauber, o sol apareceu e o tempo esquentou. Pelo menos durante algum período... As meninas vinham bem, em terceiro lugar, com o outro trio da EDR seguindo de perto. O Mário e o Claiton também estavam em terceiro na dupla, fazendo uma disputa acirrada com outros competidores.

O trecho 3, segundo o Mário que correu, era dureza, como quase tudo é numa prova de aventura. Tem aqueles que são pedreira e os que são "fáceis" quando comparamos com os outros, porque fácil mesmo é correr na Av. Beira-Rio. E a gente ainda reclama do vento... Nesse ponto, comecei a dar assistência aos 2, que estavam sozinhos, e as gurias, como eram 3, e ainda o Álvaro com suporte, poderiam se virar. De qualquer forma, nos encontraríamos nos pontos de troca. No trio feminino, a Nara que fez essa parte.

O trecho 4 começava no Lago, que era o ponto de melhor acesso, sem muito tumulto. Ali, davam mais ou menos uma volta na quadra dele, passavam por nós novamente até chegar ao 'Recanto das Cabritas', uns 8km dali. Trecho complicado, segundo o povo que correu, com trilhas impossíveis de se fazer a não ser caminhando.


O quinto trecho consistia em cerca de 15,5km, em que o povo saía por um lado do morro e voltava pelo outro, o que facilitava e muito o suporte, já que os dois postos de troca eram no mesmo ponto. Mas, claro, como disse antes: o trânsito complicou naquela rua estreita, com tanta gente reunida ao mesmo tempo. O Mário e a Bruna fizeram esse. Ela reclamou bastante, não do percurso em si, que foi menos assustador do que havíamos relatado, mas do fato de que encontrou um pitbull no meio do caminho, e que não dava para continuar, o que só foi possível quando outro atleta da equipe chegou e ajudou-a com um pedregulho em mãos. Ela fez bem esse trecho, em 1h32, o mesmo tempo que fiz na edição passada, em março. O Mário em 1h17.


O Claiton já saiu em segundo nesse ponto para fazer o sexto e último trecho, e as gurias eram terceiras, com mais ou menos 8 minutos atrás das segundas e 14 na frente das quartas, também da nossa equipe. Fiquei um tempo por ali com o Mário, até sairmos para ver como o Claiton andava. Encontramo-lo caminhando, quando ainda faltavam cerca de 3km. Estava com dores na posterior, ou no adutor talvez da coxa direita. Falei para o Mário acompanhá-lo, já que alguém do lado sempre ajuda bastante nessas horas. Acho que ajudou.



A chegada era no Hotel Araucárias, e deu alguma confusão. Teoricamente, era apenas circular o hotel e entrar na chegada, mas isso para quem já sabia dessa informação, quem já havia corrido na edição anterior. Aí o tempo passa e nem o primeiro aparecia, nem o Mário e o Claiton.

Até que surge o cara da primeira dupla no sentido inverso, reclamando que não achava o caminho... o Mário e o Claiton também se perderam, pois disseram que havia as faixas indicando, mas, no entanto, havia uma seta dando a entender que deviam seguir em direção à direita, quando o correto seria costear pela esquerda fazendo a curva. Ainda bem que tudo isso foi resolvido com os 3 chegando antes do competidor seguinte, senão iria dar uma bela encrenca. No final das contas, o quarto colocado também chegou em seguida e, se não engano em matéria de tempo, todas as 4 duplas chegaram em menos de 5 minutos de diferença, o que mostra que a coisa foi bem parelha e disputada.

No calor dessa hora, vendo o Mário e o Claiton perdidos e o 3º colocado entrando para dar a volta que terminaria a prova, acabei discutindo com um dos organizadores, razão pela qual peço desculpas, embora, de alguma forma, eu tenha razão, já que 3 corredores se perderam, o que não é exatamente normal. No momento, o sangue subiu vendo que a coisa poderia complicar. Mas, menos mal, tudo resolveu-se sem maiores problemas. Faz parte também de uma prova de aventura...




A Nara fechou o último trecho das gurias, diminuindo a diferença para a segunda colocada, mas não o suficiente para ameaçá-la.

No cômputo geral, apesar da falta de chip e da estrutura relativamente 'amadora' (no sentido de ser feita por poucos, pessoalmente) São Chico é uma prova muita bacana de ser feita, num local super bonito, com bons trajetos para se realizar uma prova legal. Já estamos de olho na próxima edição.

Nossos agradecimentos mais que especiais aos 'técnicos' da EPTC, que com sua postura intransigente, fazem com que gostemos e façamos cada vez mais de provas fora da cidade, longe do asfalto, e em percursos que sejam diferentes da mesmice da Av. Beira-Rio. Qualquer dia, ainda proibem as corridas em Porto Alegre, porque atrapalham o trânsito... num domingo de manhã cedo.

Mais fotos da prova (e também da Night Run) no Picasa da equipe.

Àqueles que porventura possam estar perguntando, a costela ainda dói (é sem acento agora?), e a perspectiva é de que não corra ainda até o final de semana que vem, no qual estarei em Buenos Aires, para dar algum apoio ao povo que irá correr a Maratona por lá.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

10 Milhas Noturnas Gramado e uma queda


Sábado à noite tivemos a 1ª Edição das 10 Milhas Noturnas de Gramado, prova organizada pelo 'chefe', Daniel Rech.
Eu, particularmente, gostaria que a prova fosse mais "rural", com pouco asfalto, no meio do mato, das trilhas, com subidas, pedras e outras adversidades, mas, Gramado é Gramado, e a prova me surpreendeu positivamente.

Acho que a chuva que caía insistentemente - deu uma pequena trégua no inicio da prova apenas - pode ter contribuído para isso, pois, a meu ver, quebrou a monotonia da prova, do percurso no asfalto, embora ele não tenha sido fácil. Fazíamos 4 vezes o mesmo trajeto, o que significa subir 4 vezes a entrada da Expogramado, que era a grande pedreira da prova.

A primeira metade de cada parte era fácil até, já que tinha praticamente só descida. Mas, como canta o Nei Lisboa em Deixa o Bicho: "Quem desce um dia vai voltar". E era onde todo mundo sofria.

A prova saiu com um pouquinho de atraso, 15 minutos, e cada volta tinha, na verdade, pouquinha coisa menos que 2km, de modo que meu GPS marcou 15,7 km no total. Essa é a parte ruim num circuito que se repete: cada metro a menos ou a mais multiplica em x vezes a diferença. Fiz a primeira volta em 19:34, a segunda em 20:53, a terceira em 21:00 e a última em 19:09, como tem que ser, com algum gás ainda no final, fechando em 1:20:36, média de 5:08/km.



(troféus e medalhas prontos para os felizardos)


(o local de entrega dos kits, que era bem legal, a propósito)


(O Daniel e o Matias na correria dos instantes pré-entrega dos kits)

Mas o grande lance do evento aconteceu no domingo: a Gramadinho, corrida da piazada. Com a chuva, o Daniel cancelou a prova ao ar livre e teve que improvisar uma pista dentro do prédio da Expogramado. Dividida em diversas baterias por idade, a prova contagiou os pais, que corriam feitos loucos em volta da pista para tirar fotos e ver seus pupilos correndo. Foi muito legal, apesar de os meus filhos terem abortado a prova e não terem participado.



(A Bina, assessora para assuntos de largada da Gramadinho)

Depois da prova, acontecia o almoço, com a premiação. Alguns problemas na apuração dos resultados aconteceram, por causa da falta do chip, que, penso eu, que apesar do custo alto, não pode faltar na próxima edição, sob pena de pairar algum arranhão na credibilidade dos resultados.

De qualquer forma, mesmo assim, o "almoço de premiação", nos mesmos moldes do Mountain Do, foi uma grande festa e confraternização, mais uma vez com o ponto alto na hora em que o Daniel chamou a gurizada toda que participou da Gramadinho a subir no palco.

No cômputo geral, um grande evento, com kit bacana, que, claro, teve suas pequenas falhas, já que organizados por pessoas não profissionais, mas que, também por isso, deve ter a compreensão das corredores e demais envolvidos.

Sobre a prova e o evento em si era isso.

Agora, trocando de assunto, terça saí para correr 7km, mais ou menos, apenas para dar um "trotezinho" (eta termo meio esquisito), o tal do treino regenerativo, como se diz. O dia até que estava bom, com sol, mas o sol também trouxe o vento, que será comum aqui em Porto Alegre até mais ou menos o final de outubro.

Eu, particularmente, detesto vento. Posso correr debaixo de chuva, com calor ou frio forte, mas o vento me irrita profundamente, incomoda psicologicamente, pelo menos nos treinos. E eu ia em direção ao Gasômetro pensando nisso, que até quase novembro teremos que conviver com ele na cidade. E ele estava forte até lá. Tem dias que a gente corre, faz o trajeto inverso, pensa que o vento vai ajudar, mas não acontece isso. Dá vontade sumir pro Rio de Janeiro, porque são quase 6 meses com tempo ruim. Tem que ter muita vontade. Ou chove, ou está frio ou venta demais.

Pois a primeira metade do trajeto foi essa porcaria de luta contra o vento. No retorno, o vento insistia em incomodar, até que amenizou quando fiz a curva do Gasômetro quase perto do monumento das cuias. Ali, consegui correr bem, sem as dores que me afligiam nos últimos tempos nas panturrilhas e vinha até empolgado com isso e com meu desempenho (apesar de que era para ser um treino de "trote").

Passei pelas "torres gêmeas" do Ministério Público, atravessei a Borges, passei pela Praça que fica defronte ao Corpo de Bombeiros, atravessei também a Praia de Belas e foi quando aconteceu. No meio do caminho tinha uma raiz de árvore. Plaft. Me esburrachei. Vinha distraído pensando no que escrever no blog sobre o vento e o treino e tropecei com o pé esquerdo. Não deu nem tempo direito de me defender com as mãos. Bati o joelho e a costela esquerda. Até o coração doeu com o impacto. Levantei rapidinho, já que a vergonha da queda é maior ainda que a dor decorrente dela, e saí para terminar os quase 2km que ainda restavam até o escritório.

Fazia mais de 7 anos, pelo menos, que não caía em treinos. Mas aconteceu novamente. Nem foi cansaço, aquela coisa de o passo já estar curto, de a gente não levantar o pé o suficiente para suplantar os desníveis das calçadas. Foi pura distração mesmo.

Só que cheguei em casa, mais tarde, o corpo esfriou e comecei a sentir os efeitos do tombo. Fui deitar e fiquei quase uma hora tentando achar uma posição que não fosse desconfortável para dormir. E foi extremamente complicado encontrar. Dormi e acordei na mesma posição, sem me mexer praticamente, acho que coisa do subconsciente mesmo, de saber que qualquer movimento seria um martírio.

Ontem, não conseguia me abaixar direito para pegar nada, e então fui no começo da noite no Hospital Mãe de Deus. Casualmente, o médico plantonista da Traumatologia era meu amigo de corrida, me examinou e já foi dizendo para eu me preparar para voltar mesmo só em umas 4 semanas, porque mesmo que não tivesse quebrado alguma costela, a recuperação no local sempre exige algum cuidado e cautela. Pois ele se foi, que o plantão trocava, e o outro médico que analisou minha radiografica confirmou a quebra de uma costela, "sem deslocamento", como ele mesmo disse, ou seja, uma fissura, sem ela sair do local. Não enfaixou, nem nada do gênero, me deu apenas um remédio para tomar por cerca de 10 dias e foi isso.

Portanto, com diz um amigo, estou
fora de combate por pelo menos uns 15 dias, salvo se a dor aliviar assim como num passe de mágica. A prova da semana que vem, em São Chico, que eu iria fazer em dupla com o Duda, já está descartada. E a maratona de Buenos Aires, no feriadão de outubro, que já estava difícil de ser feita, agora ficou 99% fora dos planos. Só vai me restar curtir tango na capital argentina.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro


Estive no Rio no fim-de-semana passado, com os filhos, correndo (apenas eu, claro) a meia maratona internacional, prova organizada pela Yescom com apoio da toda poderosa Rede Globo.

Como todas as provas que aparecem na tevê, muita gente se inscreve, é um tumulto por conta disso, e outros tantos não comparecem. Não me perguntem exatamente porque, pois realmente não entendo tantos não aparecerem para correr, apenas pegar o kit e não participar. Talvez ("talvez") se exibir com a camiseta na rua outros dias. Realmente não sei. Assunto para sociólogos, antropólogos e psicólogos.

Sobre a retirada do kit, não tenho nada a comentar, já que o Daniel fez isso para mim. O kit continha a camiseta (que é ótima), aqueles dilatadores nasais, amostras de café 3 Corações e mais algumas instruções, se não esqueci de nada. Nenhum boné, isotônico ou carboidrato em gel (tô ficando exigente).

Ainda não sabia como seria meu desempenho, já que ando com as dores nas panturrilhas oriundas na prova da Mizuno (em 27/6). Desde lá, já consultei nutricionista, cardiologista, ortopedista, angiologista e está só faltando a casa espírita. O cardiologista mandou consultar o ortopedista. O ortopedista disse que não era muscular, sugeriu ver a circulação. O angiologista disse para não ir nesses "ortopedistas comuns" e sim em alguém de medicina do esporte... Disse que está tudo bem, faremos um exame dia 30, mas só para ter 100% de certeza, pois pelo exame clínico já descartou que as dores sejam algo de circulação.

No sábado à noite, coloquei bastante gelo no local e, domingo pela manhã, antes da prova, passei o óleo de arnica da Weleda que costumo usar em algumas ocasiões. E, embora o ortopedista tenha dito que não é muscular, parece que ajudou, pois consegui correr relativamente bem, para quem andava correndo a 6:30/km.

Larguei junto com o Duda e a Danuse, mas logo, acho que ainda era o km 1, não consegui acompanhar o primeiro, nem ela, que me passou pelo 3, se não estou enganado. Meu Garmim deu uma pane (sinal de que está para estragar a qualquer momento) e não funcionou. Apareceu como bateria fraca, embora tenha carregado-o na quinta à noite depois que voltei do treino. Sem relógio é meio esquisito para quem está acostumado, mas fui indo. A grande vantagem em relação ao ano passado, foi que saímos bem mais na frente. Ano passado, levamos 17 minutos para cruzar a largada. Nesse ano, apenas 4:30. Isso ajudou bastante, pois era preciso ultrapassar bem menos pessoas. Até pareceu que a prova estava mais "vazia".

Senti um pouco de cansaço lá pelo 8 ou 9, mas foi passageiro, provavelmente logo após deve ter surtido efeito o gel e os isotônicos que tomei, e recuperei as forças, indo num ritmo relativamente bom, dentro do contexto, lógico, de quem já estava acostumado a correr a 6:30/km. Senti a falta de treino naquele ritmo e o peso que peguei (e que pode ser percebido pela foto) com certeza atrapalhou um pouco. Não é fácil carregar 89kg e fazê-los movimentar a engrenagem.

Acho que lá pelo 15, avistei a Danuse e perto do km devo tê-la ultrapassado. Pouco antes desse ponto, o Daniel, meus filhos e outros acompanhantes estavam colocados, vendo-nos passar e gritando palavras de apoio. O km 17 foi um ponto à parte, que quase todo mundo reclamou, pois havia numa passarela um indicativo de um dos patrocinadores (um curso de inglês) com o aviso de km 17, só que era alarme falso e a plaquinha do 17 apareceu meio km depois. Do ponto de vista psicológico, a essa altura do campeonato, e levando-se em consideração que o percurso já não ajuda nessa parte, uma vez que vemos o povo chegando do outro lado da via, foi uma cacetada na cabeça. Dá uma desanimada momentânea, já que estamos em contagem regressiva, implorando que os quilômetros passem mais rapidamente e eles sempre parecem que tem mais de 1.000 metros.

Procurei o Duda no retorno, imaginando que talvez ele estivesse não muito à minha frente, mas a falta de relógio me tirou a noção de tempo. Ele estava bem mais adiantado. Terminou em 1:42:02, enquanto acabei cruzando a linha de chegada em 1:49:14. A Danuse chegou em 1:51:29, acompanhada do "negrinho" dela, e mais 10 da equipe também chegaram depois.

Missão cumprida - melhor do que eu imaginava, já que nos meus melhores sonhos, estava me arrastando para chegar em 2h, a surpresa boa foi na segunda. Eu e os filhos tínhamos entrevista para o visto americano. Fazia um dia maravilhoso, e após o compromisso consular, pudemos desfrutar, com o resto do pessoal que ficou por lá, de um ótima tarde de praia, com temperatura boa e muito calor.

Como tudo que é bom não dura para sempre, retornamos no início da noite para Porto Alegre. Mas ano que vem tem mais com toda a certeza.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

10 Milhas Noturnas Gramado


Mais uma prova organizada pelo Daniel: teremos a 1ª edição das 10 Milhas Noturnas Gramado, na cidade situada na nossa serra, distante 110km daqui de Porto Alegre.

Tem tudo para ser outro sucesso, como foi a Gramado Adventure Running, realizada dia 1º de maio, em que consegui a proeza de ganhar a prova em dupla mista, na parceria com a Bruna.
Não tem como reeditar essa dupla, mesmo porque um raio não cai duas vezes no mesmo local...

Aproveitando o charme de Gramado, o evento será mais que a simples prova às 19h do dia 11 de setembro, data do inesquecível e deplorável acidente nas torres gêmeas do World Trade Center, e aniversário da Amandinha, nossa colega de equipe que se foi para o norte do país lecionar geologia.

Haverá, no dia seguinte, almoço com premiação e confraternização, nos mesmos moldes do Mountain Do, que se realiza em Floripa. Com isso, é possível aproveitar o fim-de-semana em Gramado, correr, fazer compras, apreciar as belezas naturais e os passeios turísticos da cidade. Dá para participar individualmente, em dupla ou quarteto.

O evento tem convênio com o renomado Hotel Serra Azul, podendo ser possível se hospedar lá por preço bem mais acessível do que a proibitiva tarifa normal.

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Ainda não sei exatamente como vou correr por lá, já que as dores nos gastrocnêmios, como dizia uma ex-namorada bióloga, retornaram. Depois da meia maratona do Rio, mês passado, provavelmente o esforço da prova gerou novas microlesões, e, segunda, quando fui correr, as dores estavam muito além do suportável.

Fui na nutricionista, como já relatei, no cardiologista (colesterol
278, triglicerídeos 112, glicose 87, dentre outros), mas a consulta com o ortopedista é só semana que vem, já que ele estava em congresso, férias, algo do gênero, ou seja, não podia atender. Só ele poderá determinar com mais exatidão qual é o problema que está gerando essas dores; se é o esforço muscular intenso ou alguma outra razão até então desconhecida. Mesmo assim, muito provavelmente, ainda terei que fazer ressonância na região, o que protelará a resposta à questão.

No entanto, já dei um jeito de não ficar parado e pelo menos movimentar o corpo, já que tenho uma tendência a ganho de peso em qualquer parada. Ontem (quinta), fiz 12km em 1:17:13, média de 6:26/km. Extremamente lento, que é justamente para não forçar muito a região, já que correr mais rápido traz junto consigo no pacote dores mais fortes. Difícil mesmo foi trabalhar a cabeça para aceitar correr a passo de tartaruga, vendo tudo passar ao lado em câmera lenta. Mas, por outro lado, foi legal, porque não pensei que aguentaria correr tanto tempo. Não só consegui, como também terminei super inteiro, sem maiores sacrifícios. E treinei a cabeça também para a grande prova que pretendo fazer ano que vem, no verão, no nosso litoral, dia 20 de fevereiro: a 6ª edição da TTT - Travessia Torres-Tramandaí, de forma solo, 75km.

O jeito é tentar ir fazendo isso, por enquanto, para não perder o pique para as peleias mais próximas: Meia Maratona Internacional do Rio, a citada 10 Milhas Notunas Gramado e Maratona de Buenos Aires. Claro que, tudo isso se o médico não recomendar depois o repouso total. Nesse caso, terei que procurar outro médico...

terça-feira, 20 de julho de 2010

E não é que deu tudo certo?


Foi melhor do que eu imaginava. Não caiu aquele caldo antes da prova, nem durante. Acordamos às 4:50 (é, tem que gostar muito mesmo), já que a minha largada era às 7h, no km 21, e a do José Luiz às 7h30, no Recreio dos Bandeirantes.

Tinha decidido que correria a meia, mas não consegui trocar na organização, durante a retirada do kit. Só que isso gerou um contratempo: onde deixar minhas roupas, meu abrigo, antes de começar a prova? O guarda-volumes (nos ônibus) é numerado, e a numeração era da meia; a da maratona estava lá no Recreio... Ainda bem que me dei conta disso antes de descer do carro, senão sei lá como iria me virar. Só que, o custo disso é que já tive que ficar de calção e regata com aquela garoa caindo no lombo. Friozinho na largada. Que, aliás, atrasou quase 15 minutos, gerando muitas vaias.

Não sabia o que poderia render, haja visto que não corria praticamente desde o dia 27 de junho, nas 10 Milhas da Mizuno. Mas a "memória esportiva do nosso corpo" é uma coisa fantástica. Achei que iria correr por volta de 5:30, até comentei com o Zé e a esposa que talvez fosse minha pior meia da vida, que o negócio era só chegar. Me preparei para sofrer. Só que na hora, com nada de dores nas panturrilhas, me arrisquei no que o corpo aguentava. E ele respondeu bem. Pena que esqueci de carregar meu Garmin e, quando me dei conta disso, na sexta-feira, no serviço, era tarde demais para buscar em casa. Assim, não deu para saber com precisão a quanto estava correndo, mas era em torno de 5:00/km no início.

Suportei bem esse ritmo até mais ou menos o km 12, onde o corpo sentiu a falta de treino nas últimas semanas. Ali, caí provavelmente para algo em torno de 5:30 e a galera foi me passando, até que lá pelo km 16 passou uma loira tur-bi-na-da, que havia largado praticamente ao meu lado.
Não sei bem porque aquilo parece que me deu um ânimo danado, e creio também que o gel que havia tomado uns quilômetros antes começou a surtir efeito, junto com os isotônicos que distribuíam, e as forças vieram novamente, como que do nada. Dali em diante, acelerei e certamente devo ter corrido perto dos 4:50/km até o final da prova. O relógio marcava 1:50:07 quando cheguei, tempo bruto, e estimei mais ou menos uns 3 minutos perdidos na largada. Encontrei a loira depois na área vip da Asics, e ela me disse que havia feito em 1h47. Então foi mais ou menos isso que também foi para mim. Muito provavelmente, meu tempo não aparecerá na listagem, já que não passei no tapete de largada da maratona, a não ser que alguma viva alma caridosa e inteligente se dê conta que larguei no ponto da meia e me inclua na listagem dela.

Na chegada, expliquei a situação na hora de entregar o chip. A moça me disse para pedir a medalha da meia, mas não teve jeito de convencer o povo a me entregá-la... Como meu número não era verde (da meia) e sim o branco, disseram que tinha que receber a medalha da maratona, apesar de nem o vencedor da prova ter chegado ainda. Ponderei, ponderei, tentei em vão explicar que não corri a maratona, mas não teve jeito. Situação inusitada, eu não estava certo em trocar a minha prova, então deixei por isso mesmo, não iria criar confusão. Mas fiquei sem jeito de ganhar uma medalha de maratona sem ter completado. Queria mesmo a da meia.

Dali, fui para a banca da Asics, patrocinadora da prova, onde havia uma ótima salada de frutas, mini cachorro-quente, massagem (que foi excelente) e onde era possível ainda tirar foto e recebê-la no ato (a que ilustra o post).

Feito tudo isso, comecei a caminhar ao contrário no percurso para ver se encontrava o Mário "Cangibrina", colega de equipe, mas o
animalzinho já havia completado em absurdos e espetaculares 3h08, quase repetindo a performance de Porto Alegre, o que foi um ganho, já que o grau de dificuldade no Rio é maior. Estava também à procura do Zé Luiz e encontrei-o por volta do km 40. A essa altura, já havia um sol, e, se eu que estava ali só acompanhando, já achei demasiado, imagina para aqueles que já tinham feito 40 quilômetros. O Zé até caminhou, mas demos (a esposa dele corria ao lado) um jeito de demovê-lo da ideia e seguir correndo, mesmo de leve. O finalzinho no Rio, no Aterro do Flamengo, tem uma leve subida, que a gente até nem vai percebendo muito, mas, àquela altura do campeonato, qualquer inclinação é um sofrimento a mais.

De ponto negativo nessa hora e que vale ressaltar para que outros não incorram no mesmo erro, foi que um corredor que também fazia o sentido contrário, "tentando ajudar" com palavras de apoio, disse a um maratonista que caminhava àquela hora: "Vai desistir agora? Desistir é para os fracos." Teve mais alguma coisa inconveniente e nessa linha, mas não lembro. Sinceramente, achei meio ofensivo, o Zé e a Maria Helena também. O Zé até achou que tinha sido para ele e ficou "de cara". Um "incentivo" desses joga a gente para baixo, ao invés de ajudar... Não foi legal.

Resumindo o fim-de-semana, fiquei bem feliz com a minha performance. Foi melhor do que pensei que poderia fazer. Mês que vem estarei novamente no Rio, dia 22, para correr a Meia Internacional, aquela que aparece na Globo, com largada, infelizmente, às 9h, para sofrimento de todos. E, em outubro, dia 10, em Buenos Aires, correndo a maratona. Se tudo conspirar a favor, é para fazer meu melhor tempo. Tomara que tudo dê certo novamente.

sábado, 17 de julho de 2010

Notícias

Junho foi terrível. Trabalhei feito um condenado, treinei pouco, dormi pouco. Cada vez mais começo a achar que, quanto mais passa, mais coisas faço e menos dá tempo para isso... Bem, mas isso não é assunto de corrida.

Finalzinho de maio, dia 30, teve o Circuito das Estações da Adidas. Esse ano será minha última participação, se não houver mudança no trajeto. Porque a gente fica naquela: correu uma etapa, tem que correr todas para completar a mandala. E, sempre na Av. Beira-Rio, já está esgotando a paciência. Vou priorizar outras corridas ou outros treinos.

Temperatura boa para correr, largada nos dois lados da pista, dividindo quem faz revezamento e quem faz os 10. Isso foi uma "grande" evolução, já constante na outra etapa, que deu fôlego ao circuito. O pelotão Quênia, onde larguei, ajuda, mas quem tem que ajudar também são os corredores que não respeitam isso e a organização que não é muita rigorosa com a questão.

Atrapalhei-me no Garmim, quando larguei ele já tinha disparado antes, há 17 minutos, de modo que não consegui acompanhar muito bem a evolução geral da prova, no tempo total, que só fui ver mesmo na chegada. Saí na média de 4:24/m, passei a metade em 22:05, caí em alguns quilômetros para 4:29/4:30 e fechei a prova em 44:18, 22:13 na segunda metade, 4:20 no último km. Dentro do previsto, sem muita evolução em relação à ultima etapa, mas ainda abaixo dos 45, o que já é alguma coisa.

Dia 27 de junho, tivemos as 10 Milhas da Mizuno. Prova nova aqui pelos pampas, que vem bem, numa distância diferente, também com revezamento. O trajeto não ia até o final da Beira-Rio, como de costume, ficou melhor a meu ver, pois para mim, ir até o final parece que é um sacrifício, que não chega nunca. Só que, na largada, já senti minhas panturrilhas, como se não estivessem relaxadas. No km 3, elas travaram, endureceram muito, dando a sensação de que o músculo fosse romper se corresse mais forte, e cada km passou a ser um esforço grande. Então, lá se foi o 4:30/km, para começar a correr em 5:15/5:20. Na metade da prova, deu uma vontade de parar, mas, prova nova, medalha diferente, isso acabou me fazendo completar. Mesmo assim, ainda deu para fazer em 1:20:52, o que dá 5:04/km.

Não treinei na terça, dia 29, e na quinta seguinte tentei fazer alguma coisa. Corri 3km a 5:15 e os 3 da volta foram extremamente sofridos, a 5:45. Não dava mais para seguir. Não consegui tempo para ir ao médico, mas pelo menos não treinei mais até terça agora. Na quarta, fui na Simone, nutricionista, para o nosso planejamento, que era correr a Maratona do Rio, onde estou, domingo.

Como nada saiu como planejado, contei para a ela o que aconteceu, e ela me assustou um pouco, depois de ter me dado um pito por ter engordado. Disse que as panturrilhas é que bombeiam o coração, e que elas devem ter travado pois não como muito frutas e verduras, nada de legumes e verduras e tomo pouco água. Além disso, tomando remédio para pressão e correndo, muita coisa de perde e não é reposta por essa alimentação desequilibrada. Me deu uma série de exames para pedir ao médico, no qual irei segunda, e outra série de vitaminas para poder tentar suprir essa deficiência. Enquanto isso, vou tentar correr 21km amanhã ao invés do 42.

Peguei o kit hoje pela manhã. Embora o tecido seja bom, Santa Constância, não gosto, como não gostei no ano passado, do desenho. A gola parece muito aberta e não fica legal, pelo menos em mim. Parece sempre que a camiseta é maior do que deveria. No resto, tem manual/revista da maratona, o que eu acho bem interessante. Havia uma feira com produtos da Asics, patrocinadora da prova, que o povo em geral comentava que estava muito cara. E outros bancas de outros produtos. A organização para a retirada dos kits continua a desejar. O local não é adequado para se formarem filas ou, pelo menos, as bancas estão mal postadas, de forma que fica uma certa confusão, uma muvuca, isso que fomos cedo. Depois deve ter piorado. Vou tentar, com uma certa petulância, ensinar como se faz: a gente tem que ver o número numa listagem, e as banquinhas dos kits devem estar dispostas por lote de número, do 0-200, 201 a 400, e assim por diante. Aí vamos diretamente na banquinha respectiva. Simples assim. A pessoa já sabe onde ir, o voluntário lá não precisa procurar em qual local buscar o kit, e as entregas ficam dispersas em vários pontos. Já escrevi aqui e repito: já foi assim em Porto Alegre e era ótimo. Quem sabe alguém não chega nesse blog sem querer, lê e se dá conta que é o melhor caminho. Concentrar todos os números e kits no mesmo local, para 5 ou 6 pessoas entregarem para mais de 1.000 corredores é uma falta de lógica, bom senso e só não uso outro termo para não ofender ninguém.

Ah, chove aqui desde que cheguei, na sexta. Aliás, "chove" é bondade do meu coração. Cai o mundo. Praticamente só na hora em que estava pegando o kit e visitei o Maracanã é que não esteja chovendo. Tirando isso, foi água e água o tempo todo. Amanhã a previsão é repeteco desse tempinho. É bom para correr, se não for água demais. Para o evento em si, atrapalha um pouco o brilha da festa. Mas também não dá para agradar gregos e troianos. Vamos ver se consigo correr os 21 tranquilo. Tomara que dê.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Peso, nutrição e corrida


Tomei um pito ontem da minha nutricionista, a Simone da Luz Silveira. Não consegui atingir as metas que ela tinha estabelecido desde a minha última visita, que eram baixar de peso - para 82kg, e de índice de gordura, de 20,7 para 18.

Para completar a desgraça, mostrei colesterol total (213), Hdl colesterol bom (40) e triglicerídeos (161). "Mas cooooomo?", diz ela. Aí a gente analisa o que eu como, e vê que não dá para fazer milagre. Como "salada não leva a nada", cria-se uma dificuldade imensa de melhorar esses índices. Recomendou-me tentar esquecer a pizzaria, pois além do carboidrato, vem muita gordura e sal, o que não é bom para quem é hipertenso. E eu tenho uma imensa facilidade de ganhar peso. Consigo a proeza de engordar 4kg fácil numa semana.

Só que então, depois de um imenso sermão, ela calcula todos os índices de gordura do corpo, e, mesmo fazendo muita coisa errada, baixei para 19,6 o percentual de gordura, embora a meta de peso ainda esteja bem distante: estava com 86,8. Já cheguei a passar por lá com 84. E a ideia era chegar em 82...

Tenho duas metas nas duas próximas maratonas: fazer menos de 3h30 no Rio e algo em torno de 3h10 (!!) em Buenos Aires. Isso só será possível, se me enquadrar nos parâmetros que ela estabeleceu, pois 2 kg já são suficientes para ser preciso treinar mais para conseguir render a mesmíssima coisa... Então, logicamente, a gente precisa sempre estar dentro de um peso ideal, senão é muito mais esforço. Isso que a Simone até me elogia. Disse que corro muito bem para a estrutura ósseo-corporal que tenho, que a minha genética ajuda, pois consigo correr mesmo abdicando de muita coisa nutritiva, de uma alimentação mais saudável e balanceada, e que umas farinhas e uns carboidratos já servem para a minha máquina funcionar bem.

Pior é que nessa semana de ressaca pós-maratona, uma porção de pessoas já ficou sedenta por novas maratonas, inclusive eu, que estou com uma coceirinha nos pés para treinar longos, já imaginando bons desempenhos ali na frente. Só não faço ainda, porque sei que tão importante quanto o treino, é o descanso, ainda mais depois de um esforço grande que é fazer uma maratona.

Por enquanto, o jeito é se contentar com os 10km da Adidas no domingo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mais uma Maratona de Porto Alegre

Domingo, 23 de maio, 6h da manhã. Ainda era uma escuridão quando chego na nossa barraca armada no Parque da Harmonia, para minha 18ª participação na Maratona de Porto Alegre.

Não dormi tudo que queria, mas também não foi insuficiente. Despertei umas duas vezes durante a noite, fruto da ansiedade e expectativa naturais diante do evento, mas foi só uma questão de virar para o lado e voltar ao descanso.

O dia não amanheceu como seria o ideal para nós maratonistas. Temperatura agradável, com algum vento, céu encoberto e instável, mas não aquele frio que deveria estar nessa época do ano.

Às 7h em ponto, deu-se a largada feminina. 15 minutos depois, largamos nós, homens, e o povo do revezamento em duplas.

Saí com o Zé Luiz, meu amigo carioca, para fazer a média de 5min/km. O primeiro já não deu por conta do tráfego intenso e a via estreita na Loureiro da Silva, mas nos 2 ou 3 seguintes conseguimos ajustar isso. O Pedro da Conceição logo em seguida juntou-se a nós.



O começo de maratona sempre é muito tranquilo. Os quilômetros passam ligeirinho. Quando a gente vê já está no 10. Fizemos em 49:43. Bem dentro do previsto. Vez que outra, a gente dava uma aceleradinha por conta de alguma descida, e eu ficava dando pito nos dois, para a gente maneirar.

Logo no retorno da Goethe (km 11 ou 12) enxergo o Edson, o Alessandro e o Valdomiro, mais ou menos juntos, dois deles, a meu ver, mais rápido do que deviam. Esse ponto do trajeto, na minha ótica, é um dos piores, porque tem subida para chegar na Vasco da Gama, durante ela, e depois quando ingressamos na Goethe e viaduto da Silva Só. Claro que comparando Porto Alegre com Porto Alegre, porque com as outras maratonas, aí é filé mignon.

Já na Botafogo, lá pelo km 15, a Esa passa de bike por mim, em busca da Bina e da Bruna, que estavam mais à frente. Passamos pelo Shopping Praia de Belas e ainda na avenida homônima encontro a Nara, na altura do km 18. Pergunto se está tudo bem, ela me responde afirmativamente e sigo em frente, já imaginando que encontraria a dupla de pupilas logo em seguida.

Nesse ínterim, o Pedrão já não nos acompanha e fica pouquinha coisa para trás quando ingressamos na João Alfredo. Retornamos à avenida Loureiro da Silva e vamos em direção ao Gasômetro, já quase chegando na meia maratona, onde havia a troca do revezamento. Lá ouvi uns 2 ou 3 gritarem "Baldi!", mas não me perguntem quem, porque não consegui identificar voz e localização (muita informação ao mesmo tempo) no meio do povo que lá estava. Do outro lado da rua, a "negrinha" e mais alguém que a minha memória não lembra dando aquela força. E nada de encontrar as gurias...

Quase no 24, a Esa passa novamente de bike, e eu já avistava as duas, e só pela passada já dava para ver a Bruna estava cansadíssima. Alcanço-as, a Esa tira uma foto de nós 4, e eu e o Zé seguimos em frente. Mas ele também já dá sinais de cansaço.


Mais alguns quilômetros e já estamos no Barra Shopping, onde passamos o Júlio Cordeiro, dentista e marathon maniac pernambucano. Um pouco mais à frente, encontramos o João Batista, super bem, dentro do contexto de alguém que havia feito, no dia anterior (!), a K42, em Bombinhas-SC. Mais à frente, a Lu Santana também.

O Zé dizia desde mais ou menos o 30 (passamos em 2:29:26): "Vamos ver se conseguimos manter 5 por 1 até o 35, se der, e depois acho que vou ter que baixar, porque tá difícil para mim." Só que, como alguns sabem, eu dou umas "enroladas" psicológicas nas minhas parcerias... e assim fui conseguindo levar o Zé a subir a Wenceslau, que é uma parte ruim àquela altura da prova, dizendo que logo em seguida havia uma descida e a gente descansava... E assim chegamos no 35 (2:54:38).

Pegamos a Diário de Notícias, onde me pareceu que estava bem mais quente, e a Lúcia nos encontrou no km 36, no Barra Shopping, para o suporte da nossa campanha "Adote um maratonista". Pedi um "Twix", que eu adoro e já tinha deixado separado na mochila, e que pareceu que era o mais adequado para aquele momento, já que não estava muito a fim de tomar mais um gel (já havia tomado 3 - no 10, 20 e 28). Vou dizer que não é muito fácil ficar mastigando chocolate enquanto a gente corre, mas acho que caiu bem, pelo menos no plano mental. Se ajudou fisicamente, realmente não sei.

O Zé já tinha me mandado ir embora umas 40 vezes até ali, mas a gente estava praticamente entrando na Beira-Rio para os últimos 4 km, não seria agora que eu iria largá-lo por conta de 2 ou 3 minutos a menos. E eu seguia "castigando-o", puxando o que dava, e ele reclamando de dores na posterior da coxa. Mas era o jeito de chegar...



O ritmo caiu um pouquinho já que ele não suportava mais os 5min/km e para mim também já havia deixado de ser confortável há muito tempo. Fizemos dois a 5:16 e 5:15, respectivamente, e ele reclamando muito de cãibra. Os últimos dois acabaram sendo em 5:29 e 5:34, o que foi extremamente tranquilo para mim na reta final, e concluímos em 3:34:11, 281º e 282º dentre os 1.119 homens que terminaram a prova.

Pouco depois de 5 minutos, chegou a Bina, fechando em 3:55, o que a deixou extremamente contente. A Bruna, apesar de não completar a meta da 4h (fez 4:12), também chegou feliz com a missão cumprida. E vale ressaltar o desempenho do Mário: 3h05, o que não é para qualquer mortal. Mas, amigo, te disse que conseguias.

Dentre mortos e feridos, gritos e gemidos, acho que todos saíram contentes com o desempenho, mesmo nem sempre sendo o esperado. É bom lembrar que não fez os 14, 15 graus que normalmente habitam POA nesse período. Aí o negócio é esquecer as metas e fazer o possível, ou seja, chegar. O que não é pouca coisa. E, claro, agora é treinar mais e melhor para a próxima, porque, a cada dia que passa, sempre é possível melhorar alguma coisa.

No meu caso, a melhora já tem dia, hora e local marcados: 18 de julho, 7h30, Cidade Maravilhosa. Quero fazer abaixo de 3h30, nem que seja um segundo... e depois melhorar bem mais para Buenos Aires, dia 10 de outubro.




Agradecimentos ao Matias, Japa, Lara pelas fotos.

Parciais:
km 1- 5:08
km 2- 4:57
km 3- 4:53
km 4- 4:56
km 5 - 4:56
km 6 - 5:00
km 7 - 4:56
km 8 - 4:56
km 9 - 5:01
km 10 - 4:57
km 11 - 4:55
km 12 - 5:01
km 13 - 4:54
km 14 - 5:00
km 15 - 4:58
km 16 - 4:59
km 17 - 4:51
km 18 - 5:04
km 19 - 4:59
km 20 - 4:55
km 21 - 4:58
km 22 - 4:59
km 23 - 4:54
km 24 - 5:00
km 25 - 5:03
km 26 - 4:59
km 27 - 5:00
km 28 - 5:10
km 29 - 4:57
km 30 - 4:58
km 31 - 5:02
km 32 - 4:57
km 33 - 4:58
km 34 - 5:03
km 35 - 5:09
km 36 - 5:00
km 37 - 5:07
km 38 - 5:16
km 39 - 5:15
km 40 - 5:26
km 41 - 5:29
km 42 - 5:34
(total 42,47km)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A entrega do kit da maratona


Antes que eu esqueça de falar sobre, ontem, quinta, fui pegar meus amigos que chegaram do Rio para participar da Maratona.

Eles estão hospedados na Cidade Baixa, no Hotel Master que fica na Sarmento Leite. E a entrega do kit é na loja Win da Nilo Peçanha... Acho que ninguém se deu conta da mão-de-obra que criaram para as pessoas que não são de Porto Alegre. Todo mundo que vem de fora logicamente se hospeda nos hotéis próximos à largada. Evidentemente, a entrega do kit deveria ser ali perto e não lá no fim do mundo. Fim do mundo até para quem é daqui. Como as pessoas chegarão até lá para pegar o kit? Pegam 2 ônibus, duas horas de descolamento para ir, mais duas para voltar? Criaram um transtorno terrível para o povo, só para fazer uma propagandinha para a loja. Que, no final das contas, periga ser até negativa.

Não obstante a distância até para quem é de Porto Alegre, e torcendo para que eu queime minha língua, mas, sinceramente, aquela loja não tem estrutura para atender às 4.000 pessoas que iriam pegar os kits, mesmo sendo possível isso em 3 dias. Não há espaço físico para atender tanta gente. Nem tempo. É uma questão matemática: a loja fica aberta das 9h às 19h. São 10 h x 3 dias = 30 horas. Se temos 4.000 pessoas para pegar os kits em 30 horas, teremos 133 pessoas por hora, mais de duas por minuto... Isso, supondo que seja uma entrega uniforme, sem picos de horários. Claro, mais de uma pessoa pode atender ao mesmo tempo. Mas aí a gente olha o tamanho do local e vê que isso fica meio complicado... Ou seja, já dá para antever o caos que deve estar por lá. Tenho pena de quem for buscar o kit amanhã, sábado. O meu já estava separado, pois o Daniel iria pegar de toda equipe, mas isso não me faz indiferente aos transtornos que as pessoas terão para pegar os seus.

Se lembramos de um passado não muito distante, já houve filas imensas no Ginásio da Brigada, que é 20 vezes maior. Então, é de ficarmos preocupados.

Porto Alegre já foi referência na entrega dos kits. Houve uma época em que chegávamos no Ginásio da Brigada, procurávamos nosso nome numa listagem, olhávamos o número correspondente e íamos na banca respectiva. Simples assim. Aí era só testar o chip e pronto. Coisa de 5 minutos. Eu tenho uma imensa dificuldade, mas imensa mesmo, em entender porque mudaram.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Maratona de Porto Alegre, domingo


Domingo, teremos a maratona de Porto Alegre.

Embora não exista uma fórmula para fazer bem uma, assim como não há fórmula para o sucesso, algumas coisas são básicas e devem ser levadas em consideração.

Uma delas é dormir bem durante a semana. Lógico que há sempre um componente de ansiedade, nervosismo, pressão antes de uma maratona. Isso acontece até com quem já completou 37 maratonas (e não completou outras duas) , como eu. Mas é fundamental dormir bem. Deitar na cama e desligar. Ou pelo menos tentar. Se a gente fica pensando nas coisas, aí mesmo que o sono não vem de jeito algum. E cansado por ter dormido pouco, ninguém fará uma boa prova.

Durante muito tempo, talvez uns 10 anos, não terminava correndo as provas. Em 1994, terminei em 3h20, e caminhei no quilômetro 40. Uma idiotice, se formos pensar hoje. Era uma época amadora ainda, informações restritas, muito entusiasmo e pouca sabedoria da minha parte. Numa dessas maratonas, fiz a primeira metade em 1h30. Mantido o ritmo, teria sido meu melhor tempo na história. Mas não havia como manter, pois foi um erro de estratégia.

Se existe um segredo numa maratona, assim como em qualquer prova, é a regularidade. Se eu sei e acho que vou fazer em 3h30, numa média de 5min/km, não adianta me entusiasmar, por estar me sentindo
momentaneamente bem, e ficar correndo a 4:45/km. Não existe mágica. Ali na frente, o corpo vai cobrar essa diferença que parece pouca de 15s por quilômetro, mas não é: isso são 10 minutos no tempo total.

Ah, mas eu estava me sentindo bem, por isso andei a 4:45... Evidente, estamos treinados para uma maratona, vai dar para correr a 4:45 um bom tempo, mas quando não der mais... a casa cai. E cai com tudo.

Até achar o 'caminho das pedras', em 2001, com 3h11, inúmeras vezes errei pelo ímpeto desmedido. Mesmo nessa maratona em que quebrei meu recorde, cometi erros. Saí forte até onde agüentei e depois 'quebrei', só que eu quis correr o risco, porque sabia que iria estabelecer uma nova marca.

Outra questão chave é a parte psicológica. E são duas partes. A primeira é estar confiante antes de a prova começar. Confiante, mas não auto-suficiente. E jamais pessimista ou desesperançoso. "Treinei menos do que queria". Azar! Vamos fazer o que treinamos, então! Se não imaginarmos que iremos fazer uma boa prova, certamente não faremos.

A segunda parte é lidar com o sofrimento depois do km 30 e poucos. Porque todo mundo vai sentir o esforço numa hora da prova. Eu normalmente sinto lá pelo km 36. É onde o ritmo cai um pouco (ou bastante... 2 vezes no Rio, por exemplo). E é preciso saber administrar isso. Muita coisa dói no corpo, o cansaço é inevitável e a vontade de caminhar também. E não dá para deixar que ela vença a nossa vontade de terminar a prova, e logo. Não importa se outros estão caminhando também. Foi porque erraram em algum momento da estratégia. Saíram forte demais. Há estatísticas que dizem que 80% dos corredores saem mais forte do que deveriam!

Puxa, maratona já é, de certa forma, um sofrimento. Por mais que estejamos treinados, correr 3h e tanto desgasta qualquer um. E se a gente erra, sofre mais ainda.

É preciso saber se conhecer, saber o que o nosso corpo pode ou não. Os treinos servem justamente prá isso. Para a gente errar e aprender.

Porto Alegre é a melhor maratona do Brasil. É aqui que se deve debutar, é aqui onde é possível se obter a melhor marca, em função do relevo e da temperatura. Quanto a ela, ainda é uma incógnita nessa semana final. Está fresquinho, 14 graus pela manhã, mas pode abrir sol e esquentar, o que seria um desgaste a mais para aqueles que correrão.

Outra coisa que não se pode prescindir é a hidratação e a reposição dos carboidratos. Sempre levo 3 ou 4 sachês de carboidratos em gel, e tomo, a princípio, no km 12, no 22, no 32, e o outro é um coringa, se for preciso readaptar esse planejamento. Tomar água em todos os postos, mesmo que seja só um pouquinho, jogar na cabeça e no resto do corpo (ajuda a baixar a temperatura), tudo isso não pode ser esquecido. E a vaselina nas partes que podem gerar atrito e tornar a corrida desconfortável depois de um certo tempo. Lógico que, se o tempo esquentar demais, é preciso rever tudo isso e se adaptar.

Gosto de dividir sempre a maratona em 3 partes de 14km. Dá para ter uma noção de quanto vai ser o tempo final e, assim, ao passar pelo primeiro período, tenho uma parcial e, depois comparo com a segunda parte, que, necessariamente, tem que estar bem próxima, afinal, maratona, acima de tudo é constância. Depois, o resto, é uma contagem regressiva. E ela tem que ser otimista.

Lá pelos trinta e poucos, multiplico os quilômetros por 5 minutos (no caso, meu ritmo) e começo a mentalizar: “Faltam quarenta minutos. Falta meia-hora.” Pode ser que eu não consiga manter a média de 5min/km, e, muitas vezes, não consigo mesmo, mas não é essa a questão. O fato é esquecer que já se passaram 30,35 quilômetros, e que falta pouco, muito pouco para completar um objetivo que foi traçado há algum tempo e que demandou um considerável esforço de nossa parte. E a gente tem que ser forte, porque não existe prazer sem algum tipo de sofrimento.

Queria ter treinado um pouco mais, para tentar fazer a prova abaixo de 3h20, o que não será possível, já que os primeiros 4 meses foram uma loucura de trabalho aqui no escritório. Não foi só a falta de treino, mas também de foco, porque não conseguia me desligar dos problemas. Mas azar, em outubro, no feriadão do dia das crianças, tem a Maratona de Buenos Aires, para a qual já estou inscrito. E as fichas estarão depositadas naquela prova. É para ela que treinarei forte. Domingo agora, o jeito vai ser sair a 5min/km até a metade da prova e depois ver se dá para acelerar e terminar bem. A ideia é este corredor de número 133 cruzar a linha de chegada em 3h25. O que der abaixo disso é lucro e me deixará bem contente. Mas, claro, tem que haver uma conspiração positiva do tempo, meu principal aliado (ou inimigo).

Nessa edição, vai ter muita gente da nossa equipe dando suporte com bikes durante o trajeto, no projeto que denominamos "Adote um maratonista." Creio que isso ajudará muitos corredores nem tão experientes ou que estejam começando.

E, se o tempo colaborar com um friozinho, pouca umidade e vento, semana que vem estarei aqui contando que tudo certo para todo mundo. Tomara.

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