Subimos a serra no fim-de-semana para participar do 2º Gramado Adventure Running, prova organizada pelo Daniel, nosso estimado treinador.
Fizemos aquela confraternização na sexta, jantamos juntos, e o no sábado às 10h começa a pedreira. Eu e a Bruna na dupla mista. Eram 7 duplas mistas, mas uns dias antes, a parceira do João Batista teve dores nas costas e acabou ficando de fora. Ele partiu para a prova individual, e a gente agradeceu, já que seriam adversários fortes.
Eu nem vi a largada, pois já fui com a Liane (que nos deu suporte a prova toda) para o primeiro posto de troca, uns 6km dali. Embora minhas 2.518 recomendações, a Bruna fez o trecho (que era descida) mais forte do que devia, de modo que chegou só uns 2 minutos depois do Mário. Quem o conhece, sabe do que estou falando e que ela fez bem forte mesmo, tanto que a Bina, que foi escalada para acompanhá-la no primeiro trecho, teve dificuldades na tarefa.
Larguei e, logo em seguida, alcancei a Lu Fiovarante, cuja dupla seria nossa principal adversária. O trecho 2 não era mole. Já no começo, subíamos... O Bruno Thomaz, do extinto blog Correndo na Chuva, que me encontrou por ali, disse que era só essa primeira grande subida e depois era mais tranquilo. Não foi bem assim, Bruno... não foi mesmo.
Como tudo que sobe, normalmente desce, a Lu me passou novamente, mas eu tinha na mente que a prova era de resistência. E inteligência. Repeti várias vezes para a Bruna que ela seria decidida no último trecho dela e no último meu. Então, tínhamos que correr de forma a estarmos em boas condições quando chegasse esse momento.

Tinha que fazer o meu feijão-com-arroz, sem me preocupar com quem está passando e sem aquela competividade, ainda mais nesse momento inicial da prova. Mas logo em seguida, veio nova subida e enxergava lá no topo o povo caminhando. Só pensei que não podia caminhar e fui em frente. A Lu ficou para trás novamente e daqui prá frente não a vi mais nesse trecho, que era muito bonito e difícil, passando por algumas fazendas. O pessoal só comentava nas subidas: "Se esse é o médio, estou imaginando o trecho difícil." Bem no finalzinho, já no asfalto e perto da Expogramado, avistei o Rafa, que fazia dupla com o Mário. Alcancei-o logo depois da entrada e fechei esse trecho (de 9,05km) em 55:26. Embora não soubéssemos com certeza e ainda não estivéssemos preocupados com isso, estávamos em primeiro e 4:50 na frente.
(no final do trecho 2)
E lá se foi a Bruna para fazer o trecho do Lago Negro, que era um pouco menor (7km). Em 35 minutos, ela chegou no posto, que ficava atrás da rodoviária. Enquanto esperávamos, chegou um atleta, cujo parceiro não estava ali. Ele gritava "Telmo, Telmo, Telmo!" e nada do Telmo... Nós ainda comentávamos: "Só podia ser Telmo". Pois 5 minutos depois chega o Japa-Telmo-gerente e descobrimos que o Telmo aquele era o mesmo...
O trecho 4 era o "buraco", como dizia o Mário "Cangibrina", que o fez em setembro passado. Descia tanto que não era possível enxergar onde terminava. E tinha horas em que era impossível segurar o ritmo. Tinha que se deixa levar. Eu continuava com aquele pensamento de que não adiantava descer forte, porque depois tem a subida e não haverá pernas para repor o esforço. E foi novamente o mais acertado, pois todo mundo que me passou literalmente voando na descida, ficou para trás na subida. E eu não caminhei nadinha, embora fosse num tranquinho bem devagar, mas mais rápido que o povo que caminhava. Fechei em 37 minutos cravados os 5,67 km do trecho, na média de 6:31/km, o que já demonstra a "barbada" que era. O bom de tudo é que ele era curto. Quando terminava a subida, pegávamos o asfalto e 1km depois já era o posto de troca na Unimed (5:24, 4:59, 6:24, 9:19 e 7:06 os km nesse trecho). Apesar da dificuldade, cheguei tranquilo e inteiro nesse ponto.
(o povo na espera, enquanto eu fazia o trecho do Parque da Ferradura)
E a Bruna partiu para o quinto trecho, rumo ao Parque do Caracol, já com o sol de quase 1h da tarde, embora não estivesse quente que prejudicasse o desempenho. Era o trecho mais longo dela, de pouco mais de 11km, mas tinha muita descida, pelo menos os últimos 6. Ela chegou reclamando de alguma dor no pé (passamos por ela de carro) e chegou a cogitar que eu dobrasse o trecho depois, o que foi prontamente rejeitado... hehe. Já estávamos em segundo, pois o cara da outra dupla havia ultrapassado-a (como era previsto). Tinha conversado com a Lu enquanto aguardávamos no posto de troca, mas, no final de contas, não a vi partir e, até aquele momento da prova, nem sabia quem era o parceiro dela, que só fui descobrir na volta do Vale da Ferradura.
A Bruna chegou com uma cara preocupante de cansaço e sofrimento, já que ainda havia o último trecho, que era o mais difícil dela, e que só subia. Um mês atrás, mais ou menos, até fui para Gramado e treinei exatamente nesse trecho, indo e voltando do Caracol. E quebrei na subida...
Senti o cansaço nesse trecho da Ferradura e não corri muito bem, tanto que tive dificuldade em pegar a Lu embora tivesse enxergado-a no retorno do Parque, e a distância não fosse tão grande que não pudesse ser tirada nos 5,7 km da volta. O trecho até não parecia tão difícil quando estava indo, mas devia ser porque estava descendo mais que subindo. Então, no retorno tinha uma subida boa e fui avistando a Lu, mas só consegui alcançá-la exatamente no km 10. Pensando melhor agora e olhando os tempos (fiz km prá 4:46 e 4:37), talvez ela tivesse corrido bem, sabendo que estava em primeiro e precisando manter para entregar para o parceiro. Talvez por isso, cheguei nela, mas ela veio do lado uns 200m, até que pensei: "It's now or never" - como cantava o Elvis - e forcei para abrir um pouco de distância. Fechei os 11,36km em 1:02:02, na média de 5:28/km. Ela chegou só uns 45, 50s depois, e o parceiro dela saiu enlouquecido atrás da Bruna...
Descansei um pouco, hidratei, adrenalina a mil, sabendo que a coisa ia ser no detalhe. Depois, pegamos o carro e saímos atrás. O cara já tinha passado, e agora só restava cuidar a diferença que eu teria que buscar. Fomos monitorando, parando para assessorar: 1:45, 2:15. Putz... ainda iria aumentar, mas eis que vamos mais à frente e... e?? O cara estava caminhando! Sentiu a subida. Enlouquecemos, euforia total! A Liane queria dar a volta e avisar a Bruna, mas não tinha como ali. Era muito arriscado parar e atravessar a pista. Fomos mais à frente e aguardamos. Aí chega a Conceição de carro e avisa que a Bruna também estava caminhando... banho de água fria. De qualquer forma, a diferença tinha baixado para 1:45 quando ele passou. E então veio o Duda. Pegamos ele e o largamos para correr com ela, para evitar que o ritmo caísse e a diferença aumentasse. E, dentre tantos detalhes na prova, talvez esse tenha sido o mais fundamental, porque ele chegaram 2:20 mais ou menos à nossa frente no último posto, defronte à Sinoscar (foto abaixo).
Eram 15h30 quando larguei confiante e queimando pneu atrás da Lu. Primeiro km a 4:34 (o GPS chegou a marcar 3:33 num certo momento). Começava a descida perto do Café Colonial Bela Vista, e a Lu lá no alto da subida. "Mas já estou no retrovisor", pensei. Quem está atrás, sempre tem vantagem, nesses casos, porque o indivíduo não sabe a diferença e, se virar para olhar, faz o outro crescer. Logicamente, se houver pernas para tanto.
Aí o Alex e a Bruna passam de carro, já monitorando a diferença, e vendo que ela estava caindo. Fiz o segundo km, com subida e tudo, a 4:59. O seguinte, que nem lembro mais como era, a 5:10, mas também devia ter subida. E a diferença caindo, caindo. Ela cada vez mais próxima. A Bruna, a essa altura, já tinha metido a cabeça para fora do carro para dizer que estava só a uns 300m dela. Feliz da vida de que eu certamente iria alcançá-la. Mas deu trabalho. Tive que tirar praticamente 30s por km. Km 4 a 4:59. Quase no 5, praticamente encostei nela, mas não passei. Fiquei uns 20s no mesmo ritmo, preparando o fôlego, porque quando passasse, precisava não dar chance de troco. E pouco antes de dobrar na Borges, passei-a. Um pouco depois, já sentia o cansaço, fiz o km a 4:58, mas vamos combinar também que já eram 32km correndo e quase nada plano, estava na hora de cansar mesmo. Pior é que achei que esse último trecho era maior, quase faltaram quilômetros para passar. Se deixo para o final, que era a ideia inicial, talvez não desse mais tempo. Também imaginei que a Borges fosse mais longa, mas quando vi que já estava chegando nos Bombeiros, percebi que não tinha mais como perder. Sofri um pouquinho para subir a rótula da entrada da Expogramado (5:53 o km) e lá no topo olhei para trás para ver como estavam as coisas, só para ter certeza que o sonho era realidade.
Já dava para escutar o Daniel gritando no microfone para aqueles que estavam chegando. Passei bem no finalzinho um rapaz, pouco antes de dobrar e pegar a reta final, que acabou servindo de incentivo para chegar forte (sprint a 3:59/km) e super contente, ouvindo o anúncio a chegada da primeira dupla mista! Minha primeira subida no ponto mais alto do pódio. Acho que ele também ficou contente e orgulhoso da gente. Logo em seguida a Bruna apareceu para comemorarmos. O meu sorriso tá na orelha até hoje. E tenho certeza que o dela também.


Depois disso tudo, ainda teve a Gramadinho, que era para a criançada. Acho que todo mundo gostou, porque foi muito legal ver, principalmente os bem pequenos, até 6 anos, se perfilando para correr. Tinha até uns com camiseta da equipe deles. Muito legal mesmo.
Tem 4 pessoas que ajudaram bastante e que foram sensacionais, a quem só tenho que agradecer. A Bina, que está sempre junta nas indiadas, dando força de alguma forma, incentivo, e que correu o primeiro trecho com a Bruna (para tentar disciplinar a moça, senão ela sairia como se fossem 100m rasos). A Liane, que decidiu na terça que iria para Gramado e se colocou à disposição para fazer suporte. Essa guria é a pessoa mais parceira que eu conheço. Topa qualquer aventura. Se virou como deu e até cuidou dos meus filhos enquanto eu corria. Não é à toa que sou padrinho dela no mundo das corridas. O Duda, que foi fundamental no último trecho da Bruna. Sem ele talvez a peteca caísse e não tivesse mais como buscar a diferença no final. Todos eles demonstraram aquele espírito de equipe, de solidariedade, de união, de amizade que nós temos na EDR, e que é fundamental para sermos, sem exageros, uma extensão de nossas famílias, uma segunda família.
E, por último, logicamente, queria agradecer muito à Bruna, por ter topado o desafio de fazer uma dupla mista para tentar, primeiramente, subir no pódio. Disse para ela: "Bruna, preciso de uma mulher para correr Gramado em dupla. E é tu." Daquele jeito dela, depois de cair na gargalhada, me respondeu: "Baldi, tu quer que eu morra", para logo em seguida começar a olhar quem tinha corrido e ver se a gente tinha chance... Tá certo que ela me deu uma enroladinha, deixou as pedreiras todas para mim, mas correu super bem nos trechos dela, melhor até do que eu imaginei que ela pudesse correr, e só foi cansar no trecho 7, que foi dureza para todos, inclusive para mim quando treinei ali.
Apesar do meu pensamento inicial de que talvez ela tivesse que correr as pedreiras, já que, pela lógica, eu poderia descontar as diferenças nos trechos que dava para correr mais, a distribuição dos percursos se mostrou a mais acertada, porque conseguimos correr bem nossos trechos, dentro de nossos limites. E o importante, em todas as provas, é ter regularidade. Além disso, no final, praticamente tudo deu certo, desde o planejamento de correr um trecho cada um para poder descansar e render mais no seguinte, a infra-estrutura, gelo, óleo de massagem, comida, isotônico, os adversários que não foram. Tudo conspirou favoravelmente. Até o joelho, que passou a semana inteira incomodando, quando eu simplesmente caminhava, me fazendo imaginar que talvez nem conseguisse terminar a prova. Pois até ele colaborou. Não senti nada, nenhum desconforto. Então era para ser mesmo.
No final, o post ficou grande. Do tamanho da alegria.
Agora que venha a Maratona de Porto Alegre.
