sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Está chegando a hora


Domingo, 8h.
A expectativa é boa. Para quem já fez 4 vezes, não há mais mistério. E, depois de Foz, qualquer coisa é "fácil."Se completar (hehe), será minha 37ª maratona. Só 2 não foram terminadas, sendo uma delas justamente em Curitiba, em 2000, na vez em que estava melhor preparado. E justamente por isso. Um dia, explico melhor.

O tempo, ao que parece, vai estar feio, ou seja, bom para corrida. Eu até estava preparado psicologicamente para muito calor, mas, se vier uma chuvinha, é bem melhor. Chuvinha, claro. Não os quase-tornados que estão aparecendo aqui no RS e região sul.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Maratona de Revezamento Paquetá


E, finalmente, chegou o tão esperado dia da prova da Paquetá, anteontem.

E, por muito pouco, não perdi a festa. Acordei meio assustado e pensei comigo mesmo: “Está muito claro.” Corri para ver as horas no celular e: 7h! Com essa brincadeira nada engraçada e atual de nos fazerem pegar o chip no próprio dia da prova, o risco de um contratempo aumentou. Saí alucinado, cometendo quase todas as infrações possíveis de trânsito, mas cheguei ainda com folga para pegar o chip, que, na verdade, já havia sido pego meu treinador, o Daniel.





Tudo pronto, saímos eu, o Duda e a Bruna. E as inimigas dela nas duplas femininas meio que por perto. Mas, logo no km 3, uma delas já ficou para trás. Infelizmente, a numeração não permitia saber se a pessoa estava na dupla feminina ou na mista, de modo que chegamos a nos preocupar com algumas que não eram rivais. Mas seguimos em frente. Íamos a pouco menos de 5min/km, uma boa média, que só conseguiu ser mantida até os 10km.

E, aqui, a grande falha da prova, grosseira, aliás: eram 20km e não 21. Como foram duas voltas no mesmo trajeto, qualquer erro acaba sendo em dobro. Mas, fazer o quê? Menos 1km para correr. Para quem está cansado, até é uma boa...

Passamos os 10 em 49:30. A Bruna me xingando porque achava que a metade era 10,5 e então teríamos que passar em 52, mas, até ali, estava tudo dentro do planejado. Depois é que começamos a entrar na “margem de erro...” hehe



Então, houve uma pequena queda para 5:15 por km, e depois um pouquinho mais... lá pelo 16, 17, estávamos na casa dos 5:30 e, quando ela me perguntava, eu sempre aumentava um pouco para não deixá-la se atirar nas cordas, achando que estava bom... Acho que mais ou menos no 17, a Adri chegou em nós, e o Duda nos largou para ir com ela e chegar na minha frente para poder passar o dia de ontem me infernizando por email por conta disso... Na meia do Rio, em setembro, tinha chegado na frente dele e agora quis dar o troco. Vigarista, trapaceiro...hehe

Pegamos a Loureiro da Silva, eu olhando para trás à procura da moça da União 100% para ver se estava se aproximando e a Bruna só dizia “azar”. Faltando pouco para chegar, ela até ficou mais próxima, mas conseguimos abrir o suficiente para fechar o último km super bem em 5:15 e entregar o chip/pulseira para a Bina (e para o Mário - meu parceiro) com 1h43 e alguma coisinha.

E lá foi ela para a segunda parte da prova, com sol forte abrindo e, ainda por cima, tempo abafado. Nos primeiros 10, a Bina fez o que imaginei, mas deu um grande susto quando parou onde estávamos, defronte à nossa barraca, porque pareceu que desistiria. Ficou mais de 1 minuto ali, mas abasteceu, tomou gel e se foi. Sofrendo com o sol. E a Bruna pegou a bike e foi atrás dela acompanhar.


Depois, ela retornaria e passaria novamente na frente da barraca, que foi quando saí para acompanhá-la. Faltavam 5km. A média, a essa altura, era de 5:40 por km. Nada mal para quem passou a semana com dor de garganta e o mês todo de setembro sem correr. Mas ela tinha dor no joelho, que a acompanhou até o fim.

Quando entramos na Loureiro da Silva, cruzávamos com o pessoal que vinha logo atrás, e uma moça começou a me deixar preocupado, porque vinha bem, sem demonstrar o cansaço da Bina. Isso até foi bom, porque acendeu o sinal de alerta. Mas a moça não chegou em nós, embora tenhamos cruzado novamente com ela em outro ponto de retorno, faltando pouco mais de 500m e a cara dela parecia ser de inimiga de categoria. Mas não era.

No final da contas, se estava difícil para a Bina, para as concorrentes foi mais ainda, porque também cansaram e a diferença aumentou. Fechou a prova em 1h52, com tempo total delas de 3:36:28. De modo que eram pura felicidade quando souberam que tinha ficado em 3º lugar nas duplas femininas. Com direito a dindim!



Na chegada, havia um bom reabastecimento, com sanduíche, suco e até picolé, que, depois da carinha de felicidade das duas, foi o melhor da festa. E, para mim, a prova acabou sendo um ótimo treino para domingo, na maratona de Curitiba. Que seja o que as pernas deixarem!



Demais resultados da prova aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Prova da Paquetá chegando...


Depois de um feriado de calor absurdo, semana passada foi de tempo instável aqui no extremo sul do país. Terça, nem corri, porque não tive paciência para aquele dia feio, com chuviscos. Ainda para completar, foi estressa total no serviço e tudo que queria era um sol escaldante para poder sofrer bastante. Mas ele não apareceu. Cansei de correr com frio no inverno, então agora é aproveitar quando está quente e bonito para correr na rua. A gente por aqui tem só uns 4 meses de tempo bom, então o negócio é se esbaldar-se.

Quinta, o dia foi maluco. Só não nevou. Começou nublado, abriu sol, choveu forte e, no final da tarde, bastante abafada, começou a limpar, apesar de ter sentido umas gotas antes de iniciar a corrida. O treino era só de 45 minutos, que eu até queria aumentar para 1h, mas devagar, o que acabou não acontecendo. Somente o primeiro quilômetro foi lento. Depois, eu e a Brun(inh)a começamos a apertar o passo por conta da garoa (rs) que talvez viesse. Bem, não foi por isso que apertamos. Na verdade, nem sei bem porquê.

No fim-de-semana, corri sábado e domingo. Sábado, metade do treino foi debaixo de chuva. Em algumas horas, muita chuva mesmo. Mas foi bom, apesar de sofrido. Fiz 16km. No domingo, mais 12.

Ontem, terça, houve treino de pista. 3 tiros de 2km, mais alguma coisinha além disso. O último fiz em 8:03. Bom para quem não treinava na pista fazia um tempão. Na quinta, o treininho vai ser leve, depois tem show da Mart'nália... e domingo, o grande dia da prova da Paquetá. Vou correr primeiro meus 21km e o Mário, meu colega de equipe, fechará o revezamento. A ideia, na verdade, é acompanhar a Bruna para ver se ela consegue algo em torno de 1h45, e depois a Bina fecha a dupla delas, com boa chance de pódio.

Nós - eu e o Mário, talvez até tivéssemos alguma chance, se não houvesse a minha parada de 15 dias por conta da lesão, porque a prova da Paquetá é uma certa incógnita nas categorias. Em 2007, fiz 1h34 e a Ana, minha parceira (na foto comigo), 1h35. Ficamos em 12º lugar.. Em 2008, teríamos sido terceiros...

Bem, como a gente diz, o que está treinado, está, não há mais o que fazer, a não ser aguardar o domingo para ver o que acontece. Verdade que a previsão é que o sol volte radiante, o que trará algum sofrimento, mas a expectativa é boa. Tenho certeza que no final tudo vai dar certo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Recomeçando

Voltei a correr essa semana., depois de 15 dias. Como disse, só assiti ao Festival de Corridas do Corpa. Na véspera, até pensei em correr, mas, chegou o domingo pela manhã e deu a maior preguiça de levantar. Passei por lá só para tirar fotos do pessoal.

Na segunda, então, me animei e fui. Foi uma tarde/noite não muito propícia para um retorno, porque ventaaaaaaaaaaaaaaava na Beira-Rio quase que nem em dia de inverno. Lá pela tantas, encontrei a Liane, que me acompanhou o restante do trajeto. Larguei-a na Biofitness, academia que frequentei ano passado, e cheguei no escritório, que é pertinho dali. Foi mais ou menos 1h05 de treino. Não sei precisar bem, pois corri sem relógio, o que, para mim,foi uma sensação bem estranha. Mas, como já estou tão acostumado de correr na Beira-Rio há uns 10 anos, dá quase para saber metro por metro percorrido e, obviamente, tem-se uma projeção de tempo.

Ontem à tardinha, voltei a correr com a Bruna, e o panorama foi quase completamente oposto. Fez o maior calor durante o dia aqui em Porto Alegre, uns 34 graus. E sofri/sofremos bastante, embora tenha sido um bom treino de adaptação à prova da Paqueta, dia 15, na qual, muito possivelmente, estará bem quente.

O bom é que não senti maiores dores, a não ser aquela dor muscular "boa" na terça, resultado da falta de hábito de corrida, perdido naqueles 15 dias parado.

Antes da parada, tinha uma expectativa de fazer os 21km entre 1h36 e 1h39 (fiz 1:35:12 em2006 e 1:34:06 em 2007). Agora, certamente, não será mais possível. Ontem, correndo, imaginei que fazer em 1h45 já estará bom demais. Claro que ainda faltam mais de 15 dias, e eu, normalmente, evoluo rápido, mas esses recomeços dão um certo desânimo, porque estava correndo tão bem. Mas não há o que se fazer, além de ser paciente.

E, depois de ontem, comecei a repensar minha participação na Maratona de Curitiba. Ainda há tempo até lá, mas, hoje, refletindo, a maior probabilidade é trocar os 42 pela corrida de 10km. Não quero arriscar me lesionar novamente e, mais uma vez, recomeçar. Sem falar no sofrimento que certamente será, à medida que não estarei nas minhas melhores condições até dia 22 de novembro.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Parado. De novo.


Bem, estive meio ausente. Um pouco de desorganização e outro pouco de outros projetos cibernéticos nas horas de lazer.

Duas quintas-feiras atrás, no retorno da maratona de Foz, saí para correr com a Bruna, como habitualmente fazemos nesse dia. Trajeto bom, de 12km, com pequenas subidas, pegando a Duque de Caxias pelo Gasômetro, indo em direção à Independência e descendo a Goethe passando pelo Parcão.

Na descida, quase fechando 10km, senti uma eve puxada um pouco acima da parte detrás do joelho. Corri mais uns 300m e veio uma super puxada. Não tive mais como correr. Até caminhar foi difícil.

Desde então, estou parado, e ontem fui ao médico. Aquela consulta que praticamente só serve para pegar requisição de exame. Mesmo porque, conversando com outras pessoas, já sabia que era novamente os isquiotibias da perna direita. Só que dessa vez, ao invés de ser na origem, no ísquio, é na parte quase terminal.

De qualquer forma, o médico repetiu o que já me disseram algumas vezes e que eu, por alguma comodidade ou relaxamento, ou ambos, sempre negligencio: meus músculos são encurtados por falta de alongamento. Isso quer dizer que, submetidos a algum esforço mais excessivo, eles têm uma boa possibilidade de romperem, que foi o que aconteceu. Como vinha da pedreira que foi Foz, uma nova corridinha na subida foi fatal. Uma pena, porque estava quase de volta à velha forma física e estética.

Desse modo, apesar de inscrito nos 20km do Festival de Corridas do Corpa, domingo, ficarei apenas assistindo. Repousando para poder correr 21km na Maratona de Revezamento da Paquetá, dia 15 de novembro, se for possível. E ainda preciso torcer que a Maratona de Curitiba não seja abortada por conta disso.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Patrocínios

Depois da prova de Foz, encontramos o Claudir Rodrigues no corredor do hotel, preparando-se para ir embora, e o Irio, como "vereador" que é, e aglutinador de pessoas, puxou aquelas conversas intermináveis dele.


Claudir, para quem não é do Rio Grande do Sul, e não sabe, ou é desatento como eu, é o melhor corredor que temos por aqui. Foi vencedor da maratona de Porto Alegre por 3 vezes (2002, 2004 e 2006), de Curitiba (2005 e 2008) e de São Paulo (2008), salvo engano meu.

Tempos atrás, ele tinha o patrocínio da Universidade de Caxias do Sul (UCS), onde cursava a faculdade de educação física. Mas eles encerraram os patrocínios na área de atletismo. Em abril, ao chegar em segundo na maratona de Florianópolis, Claudir se machucou. E, pasmem, o então patrocinador dele, uma empresa americana de tênis, presente no Brasil desde agosto de 2007 e marca oficial da Federação Paulista de Atletismo, cortou o patrocínio.

Bem, todo mundo quer baixar custos desnecessários. Hoje em dia, tudo é cifrão, meta, competitividade e retorno. Mas, no atletismo, o cidadão pode se lesionar e parar por alguns meses. É justamente quando precisa de amparo financeiro, porque não pode receber trabalhando. E, evidentemente, nenhum atleta pode treinar e correr bem, sabendo que, se houver alguma lesão, perde o suporte financeiro. Ou seja, tiram o alicerce da vida dele.

Mas o que nos impressionou, além dessa atitude pequena, foi o valor de patrocínio que ele recebia, sendo atleta com esse currículo: R$ 1.000,00 mensais. Isso mesmo, pouco mais de 2 salários mínimos por mês. E o que é isso para uma empresa do ramo esportivo? Nada, uma miséria.

Ficamos consternados e estupefatos com a situação, porque, se quisermos, embora não seja o nosso foco, o meu escritório e a corretora do Irio têm condições de arcar com esse valor, enquanto quem precisa de projeção no mercado não se dispõe a investir num produto desse quilate. E tudo isso por uma lesão que o deixou cerca de apenas 1 mês fora dos treinos.

Depois, conversando com a Helena, esposa do Coquinho, ex-maratonista (2h13 em Roma, 1979) e empresário paranaense, que tem um centro de treinamento em Nova Santa Bárbara, soubemos que os valores giram em torno desse valor mesmo e que, quando o povo se lesiona, adeus grana. Foi também assim com a Marily dos Santos, nossa representante nas Olimpíadas de Pequim-2008. (Aliás, no blog do MM e jornalista da Folha, Rodolfo Lucena, tem uma entrevista comovente dela)

Claro que a gente tinha noção que nem tudo eram flores no meio do atletismo, mas não imaginávamos que fosse tão triste assim. Isso explica em parte porque não surge muita gente boa na área. Porque chega uma hora que até o mais otimista desanima. E larga tudo e vai trabalhar de carteira assinada em alguma área qualquer. Sem ter que sair na chuva, no frio ou no sol escaldante em busca de um futuro que talvez nunca virá.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Maratona de Curitiba


Nem bem termina uma maratona, a gente já pensa na próxima. Ainda mais como forma de se redimir da pedreira que foi Foz.


Dia 22 de novembro, dois antes do meu 40º aniversário, teremos a Maratona de Curitiba, que não é nada fácil, por dois motivos, os maiores inimigos dos corredores: tempo quente, que considero o pior aspecto, e trajeto difícil. Parece até que andou mudando, para tentar melhorar alguma coisa, mas, em Curitiba, trocar o percurso é apenas trocar o nome das subidas e descidas. O relevo da cidade não ajuda muito, mas, pelo menos, em relação à época que terminava na Pedreira Paulo Leminski, já se evoluiu bastante.

Corri 4 vezes por lá: 1999 (4:18:08), 2001 (3:36:10), 2002 (4:25:31) e, pela última vez, em 2004 (3:40:33). Excetuando-se 2001, que foi uma das melhores maratonas que já fiz na vida, nos outros anos sempre foi complicado. Bem, uma vez estava bem acima do meu peso (1999) e andava meio já de saco cheio de correr. Era o ciclo negativo da corrida: a gente está pesado, corre mal, se desmotiva, não melhora e não perde peso. Ali, depois de Curitiba, coloquei na cabeça: ou termino a próxima maratona sem sofrer como sofri por lá ou não corro mais. Funcionou. Em maio do ano seguinte, fiz 3h35 em Porto Alegre. Em 2002, não dá nem para levar em consideração: a prova saiu às 9h20, por causa de um televisionamento que não houve, e já com quase 30 graus. No km 30, não havia mais água gelada. A coisa foi tão feia, que até hoje eu e o Álvaro não sabemos onde passei dele. Ele não viu, nem eu, de tão mal que estávamos. E chegamos com 30s de diferença.

Graças a uma promoção da Ocean Air, e à estada gratuita por lá, será minha 37ª maratona (ou ultra), o que vai me possibilitar fechar minha 40ª, com 40 anos, aqui em casa, Porto Alegre, em maio de 2010.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tudo que sobe, desce?


Depois de tomar 2 comprimidos de paracetamol durante o dia de sábado e acordar às 3h45 no domingo, às 5h10 aguardava o ônibus da organização que passaria no Hotel Tarobá, onde eu e grande parte da elite (Adriano Bastos, Claudir Rodrigues, Marcos Pereira - o vencedor, José Everaldo - segundo colocado, a queniana que venceu - Jacqueline Chebor, Marluce, Ilaine, Rosa) estávamos hospedados.


(Com o Vanderlei Cordeiro, no sábado, na retirada do kit)




(Eu e o Irio com o hexacampeão da Maratona da Disney, Adriano Bastos)

Era "noite" ainda, mas estava quente, como de resto seria o dia. Rumamos para o Sesc, onde pegamos outro ônibus (não me perguntem o porquê) em direção a Itaipu, onde foi a largada. Lá, em compensação, tinha uma ventania absurda. Mas foi só antes de largar, porque depois...



(Irio, eu, Maria Helena, Domiciana e Zé Luiz)

Às 7h foi dada a largada e, caramba, saiu todo mundo alucinado como se fosse prova de 10km, talvez porque fosse descida no primeiro km. Fiquei na minha, fazendo pouquinha coisa menos de 5:30/km, que era a ideia inicial: terminar mais ou menos em 3h50. Doce ilusão. Conversando no hotel com a Ilaine, querendo saber mais sobre a prova, ela diz que ali era beeem mais difícil que em Curitiba, maratona considerada com bom grau de dificuldade.

Pois bem, os primeiros quilômetros eram dentro de Itaipu, com subidas e descidas, enquanto o sol já começava a aparecer com força. De lá, íamos para o centro da cidade, e tudo parecia relativamente tranquilo. Quero dizer, se não estava fácil, pelo menos não era super difícil, porque, se havia uma subida, a descida vinha em seguida, momento em que dava para descansar. Afinal de contas, tudo que sobe, desce.

Pouco depois do km 16, por exemplo, olhamos para frente e saiu o primeiro "nossa mãe" do percurso: uma mega subida, que visualmente assustou mais que na prática, e que, bem no seu cume, era o km 17. Mais ou menos 1km depois, entramos em uma subida mais forte ainda, que fiz em 6:25 e que fechava no km 19. Acho que foi por aí que meu companheiro de MM João Gabbardo me passou.

Bem, como disse, tudo que sobe, desce, e então começamos uma boa descida, já na Av. das Cataratas, com novas pequenas subidas até chegar no km 21, que também era na descida. Ali, passei em 1h56, dentro do previsto. E ali, também, avistei o Claudir Rodrigues, vencedor da Maratona de São Paulo, Curitiba e 3 vezes de Porto Alegre. Havia desistido. Depois, conversando com ele no hotel, disse que não aguentou o calor. Para quem estava treinando no frio e na chuva em Santa Maria, fica difícil para o organismo assimilar a diferença. (Durante o decorrer da semana, vou postar o resto da conversa com ele, sobre a dura realidade da vida de um corredor.)

Logo depois de um posto de água, acho que km 25, quando levantei a cabeça e avistei o que se avizinhava, saiu o segundo "nossa mãe". Outra subida fortíssima, mais longa que no 17. Pensei: "Vamos enfrentar a fera, fazer o que..." Quando cheguei nela, km 27, dou de cara (é modo de dizer, já que ele está de costas...) com o Irio, caminhando. Disse que estava sentindo muita dor na panturrilha. Mas isso não o impediu de me acompanhar, porque ele é "competitivo..." Aí ele ficava correndo uns metrinhos na minha frente ou puxava em alguma lomba/subida/ladeira/morro (cada região chama de um jeito). Aí eu chegava nele novamente e a história se repetia. Foram 7km nessa brincadeira. Isso rendeu uma boa discussão no final da prova...

Bem, acho que no 28 era o pórtico de entrada do Parque Nacional do Iguaçu, onde ficam as Cataratas. A partir dele, foi sofrimento sem fim. Verdade que, durante um bom tempo, até deu para correr numa boa, mas aí comecei a esperar a descidinha que nunca vinha e o corpo começou a sentir os efeitos da falta de descanso. Mesmo porque o ritmo começou a cair, até nem tanto pelo cansaço, mas mais pelo fato de estar subindo ininterruptamente. Também não vou ser completamente injusto: lá pelo km 36 devia ter uns 250m de descida, mas a essa altura do campeonato...

A essa altura do campeonato, chegar em 4h já era impossível, porque bastava fazer uma continha básica de cabeça (km x minutos) que eu via que não haveria como. No 38, dei uma pausa nesse sofrimento e resolvi caminhar. Ainda mais depois que alguém me disse que não haveria descida mesmo. Acho que nem tanto por causa das pernas, mas estava com muita dor nas costas de correr curvado pela subida. Pelo menos caminhar, mesmo cansado, eu caminho ligeirinho. Estava fazendo em 8:30/km. E fazia tempo que isso não acontecia numa maratona. Aliás, para ser mais preciso, desde novembro de 2002, na Maratona de Curitiba, não caminhava, nem completava uma maratona acima de 4h. E lá se foram 17 maratonas nesse período. E eu treinei subidas aqui em Porto Alegre. Terças e quintas sempre era isso. Só que eram treinos de 12 ou 18km. E lá em Foz foram 42km de subidas... He he.

Pouco depois que comecei a caminhar, o Irio chegou em mim novamente e fomos um pequeno pedaço juntos, só que ele quis correr novamente e eu não topei... 5 minutos a mais ou a menos não iriam me fazer diferença. Tinha uma meta que não foi cumprida mesmo. Sem falar que estava muito irritado por conta daqueles 7km em que " corremos" juntos. Aí disse: "Vai, que eu não vou." Lá pelo 40, encontro a Domiciana Gomes, treinadora do casal de amigos do Rio, da Marluce (3ª colocada) e ex-atleta de elite, que me deu um isotônico (quente, àquela hora, mas ela me avisou). Perguntou pela Maria Helena, que me alcançou no km 41,5, e ambas acabaram me incentivando a voltar a correr, e terminamos juntos, eu e a Lelê, em 4:16:23. O Irio acabou fechando em 4h10. O Zé Luiz, marido da Lelê, em 3h45. E treinando só em esteira...

A área de dispersão, infelizmente, tinha umas 20 abelhas por m², o que gerou um certo incômodo nos corredores, que precisavam se desvencilhar delas o tempo todo. Aguentei o que as abelhas deixaram, tiramos umas fotos nas Cataratas e voltamos para o hotel, onde o comentário mais recorrente era: "Ano que vem eu não volto..."

Uma pena o calor e o percurso, porque a estrutura que o Sesc do Paraná montou para a prova foi simplesmente fantástico. No começo, havia água no 4, 6, 8, 10 e lá no final acho que também era de 2 em 2. As pessoas envolvidas estavam comprometidas com o evento, trabalhando com prazer e tentando solucionar todas as questões que apareciam, com muito boa vontade e presteza. Fiquei realmente impressionado com isso e fiz questão de externar meu sentimento junto à organização, porque, nós corredores, temos mania de reclamar de tudo, sem nunca dar um elogio, e ali eles realmente mereceram muitos elogios. Claro que alguns equívocos foram cometidos, como a fila para a retirada do kit, por conta de uma única banca centralizadora ao invés de várias divididas do número "0 a 100, 101 a 200...", mas mesmo assim, eles entenderam muito bem isso e outras pequenas questões e sempre ressaltaram que querem fazer uma prova cada vez melhor e que estavam à nossa disposição para críticas e sugestões.



Uma alternativa para melhorar a prova seria inverter o percurso, o que já foi sugerido pelo Cléberson, que estava conosco no voo da Trip e foi o responsável pelo anti-doping, mas terminar em Itaipu certamente não tem o mesmo glamour das Cataratas e, talvez, o acesso à largada fosse mais complicado. De qualquer forma, comprei tantos perfumes (paguei R$ 23,00 em um, ao invés de R$ 120,00 que pedem aqui em Porto Alegre, por exemplo), que até mais ou menos 2014 não preciso voltar a Foz...

Uma vez, o Álvaro, meu amigão há 20 anos, me disse uma coisa que sempre lembro quando corro: correr tem que ser prazeroso. Não pode ser obrigação. Tem que trazer felicidade, alegria. Lamentavelmente, apesar de todo o esforço do staff da prova, Foz não tem como dar esse prazer. Foz e sofrimento são quase sinônimos. E aí não dá para voltar numa prova dessas. Não tão cedo, pelo menos. Não enquanto a memória lembrar dos 42km debaixo de céu de brigadeiro e com subidas que se repetiam e nunca terminavam.

Os resultados completos estão aqui.

** 169º lugar dentre os 294 homens. 200º lugar dentre os 356 bravos guerreiros que terminaram.
Vamos ver como foi a brincadeira, km por km:

km 01 -> 5:06 km 11 -> 5:13 km 21 -> 5:31 km 31 -> 6:12 km 41 -> 8:57
km 02 -> 5:46 km 12 -> 5:40 km 22 -> 5:08 km 32 -> 6:18 km 42 -> 7:00
km 03 -> 5:34 km 13 -> 5:37 km 23 -> 5:30 km 33 -> 7:05
km 04 -> 5:18 km 14 -> 5:26 km 24 -> 5:28 km 34 -> 6:45
km 05 -> 5:40 km 15 -> 5:30 km 25 -> 5:44 km 35 -> 6:19
km 06 -> 5:21 km 16 -> 5:29 km 26 -> 6:32 km 36 -> 6:48
km 07 -> 5:10 km 17 -> 5:40 km 27 -> 6:02 km 37 -> 6:26
km 08 -> 5:25 km 18 -> 5:35 km 28 -> 6:28 km 38 -> 6:14
km 09 -> 5:17 km 19 -> 6:25 km 29 -> 6:08 km 39 -> 8:39
km 10 -> 5:23 km 20 -> 5:43 km 30 -> 6:28 km 40 -> 8:32





sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fim-de-semana em Foz do Iguaçu


Enquanto o pessoal da equipe subiu a serra para correr a Gramado Adventure Running, prova organizada pelo nosso treinador, Daniel Rech, eu e o Irio chegamos aqui em Foz do Iguaçu para participar da maratona no domingo.


O voo foi tranquilo, com essa aeronave da foto, da Trip Linhas Aéreas, que saiu bem no horário e, apesar de ser menor (72 lugares), não deu maiores percalços além do ruído interno ligeiramente maior, característica das aeronaves do porte, ainda mais com essa turboélice. O serviço de bordo da companhia foi super bom.

O pessoal do Sesc, que organiza a prova, esperava por nós e outros corredores, o que foi uma surpresa positiva e agradável. Desde o ano passado, em que me inscrevi e não pude correr por conta da lesão no fêmur, já foi possível perceber a presteza do pessoal da organização, principalmente da Cátia. Hoje, pudemos conferir pessoalmente isso. Nos levaram ao hotel e amanhã teremos transporte gratuito para todos os eventos ligados à maratona. Muito louvável. Ponto para eles.

Demos uma pequena olhadela no percurso (não sei porquê), que não é nada fácil. Muitas subidas e descidas, embora eu ache que a parte pior deva ser na estrada mesmo, lá pelo km 30, pela falta de companhia e falta de costume que temos em correr em estradas, sem prédios a quebrar a monotonia.

Domingo, veremos o que acontece. Só temos que torcer para não aparecer um sol terrível. Hoje, o tempo estava fresquinho no início da manhã, mas esquentou no decorrer do dia. A prova sai às 7h, depois de algumas reclamações e sugestões dos corredores. Com percurso difícil e sol forte, aí complicaria bastante.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Histórias estranhas do Rio


Não vimos a violência de que tanto se fala do Rio. Se não fosse pelos noticiários, não se perceberia rigorosamente nada. Arrisco dizer que andamos mais tranquilos do que em Porto Alegre.


O trânsito do Rio, esse sim, assusta. Não se vê em Porto Alegre tantos táxis como lá. E transporte clandestino a torto e a direito. Vans e mais vans irregulares. Enquanto esperávamos na parada de ônibus, sábado pela manhã, para ir ao Cristo Redentor, um rapaz dentro de uma delas que passava grita "Cristo!". Entramos todos nós (uns 10) e o rapaz pergunta: "Vocês sabem como se vai?" Ahn? Ele e o motorista não sabiam... É, pasmem. Não sabiam chegar no Cristo, um dos pontos mais visitados no Rio. Estamos rindo até hoje por conta disso.

Os motoristas de ônibus (e táxis) pensam que estão na Fórmula 1. É impressionante como correm. O dia linha 583 (Cosme Velho) dirigia "com emoção". Chegávamos a pular dentro do ônibus de tão rápido que o cara estava. Outra característica (ruim) dos ônibus é que param em qualquer lugar, literalmente. Se tem que parar na segunda pista para o povo subir ou descer, assim o fazem. Não estão nem aí. E se atravessam de qualquer jeito, trocando de faixa sem a menor cerimônia e sem sequer verificar se podem realmente fazê-lo. Azar de quem estiver ao lado, seja do tamanho que for...

Comemos muito no Bibi Lanches, em Copacabana. Lá, verificamos o que eu já tinha percebido outras vezes: em Porto Alegre, normalmente, quando tem muita gente junta na mesa, se faz uma comanda para cada um (ou pergunta-se sobre o fato). Ali e em outros tantos locais, somam tudo, 120 pratos distintos com valores distintos e seja o que Deus quiser depois para cada um descobrir quanto vai pagar. Uma confusão só.

Em outro local na Av. Nossa Senhora de Copacabana, meu filho mais filho foi comer, pesou e deu R$ 19,00 e alguma coisa. Chegou na mesa e os guris disseram que R$ 18,00 era livre, só que a atendente não informou nada sobre o assunto a ele. O pirralho voltou lá, mas a moça disse "tu já estás comendo" (??!!). Aí o guri teve que chamar a gerente... Não sei o que foi mais engraçado: um pré-adolescente de 13 anos chamar a gerente ou a moça não aceitar o óbvio de que não se cobra mais do que o valor espitulado pelo buffet livre. Simples assim.

No avião, quase pousando em Porto Alegre, tivemos pequenos sustos com a chuvarada que caía naquela noite de segunda. Mas nada comparado à minha colega de equipe que voltou no dia seguinte e não teve como pousar aqui pelo mesmo motivo, tendo que retornar ao Rio de Janeiro... De qualquer forma, nada que nos abale a alegria em retornar ano que vem, se os preços forem convidativos, evidentemente.


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