segunda-feira, 5 de novembro de 2012

R$ 299,90 está mais que bom






Chegou hoje meu 27º par de tênis. Esse aí da foto, o Skechers Go Run. Tem uns 3 ou 4 que já estão se desintegrando e outros que devo ter há uns 7 ou 8 anos, com pouco uso, porque "n" razões. Aí tu podes pensar: o cara não pode ver um lançamento de tênis que compra. Pelo contrário. Leia abaixo.

Gostei muito da apresentação do Skechers: uma caixa bacana, o tênis veio envolvido num papel diferente, com um cadarço extra amarelo, uma "bag" (sacola) personalizada, material informativo e um suporte feito de "material de caixa de ovo" dentro do tênis, para não deixá-lo deformar, já que o material é leve e bem flexível. Recebi um email da Centauro dizendo que o tênis estava em promoção por R$ 199,90. Normalmente custava R$ 299,90 em quase todas as lojas que vi. Pois no dia que iria comprar, fiz uma busca de alguma coisa e apareceu um link da Buscapé com esse tênis. Para o meu espanto, havia mais 10% de desconto em cima do preço da promoção Ou seja, saiu por R$ 179,90. Se o Go Run, da linha "minimalista", vai ser bom ou ruim, só o tempo vai dizer. Mas, primeira coisa, fica a dica: o link da Buscapé dá descontos para algumas lojas de calçados. Se for comprar pel internet, é mais uma melhorada no preço.(Júlio, só tu que não sabias disso...)

Pois é aí que quero chegar: no preço. Quem treina para maratona, corre mais de 2.000 km por ano. São uns 4 tênis por ano, no mínimo, se for levar ao pé da letra o desgaste pelo uso. E o preço está mega caro. Por culpa nossa também. Quem vai lá e paga R$ 500,00 por um tênis ajuda a esse preço ser exorbitante. Não são os impostos que são caros, é o lucro e a ganância que são grandes. Um dia tinha um Nike Zoom Elite por R$ 299,00, depois vendiam a R$ 199,00. Não era modelo velho em promoção. Mas se fosse, não tem nada demais em comprar um modelo velho. Eu só compro em promoção. Não preciso estar com a última tecnologia para correr. Ela não faz milagre. Já corri maratona com M2000 (quem não faz ideia do que é, clica aqui). Mas vale para tudo que é compra, não só tênis: podendo comprar, aproveite o preço, pois se deixar para comprar quando realmente precisar, vai pagar o preço "cheio", que, muitas vezes, pode ser uns 60% mais caro.

Então, por isso, já faz um tempo que adotei o seguinte critério: mais de R$ 299,90 é absurdo. Mesmo com a inflação pequena, mas anual, faz bastante tempo que não pago mais que isso. É uma das razões pelas quais comprei bastantes Adidas nos últimos anos: sempre havia alguma promoção, ou na loja da Adidas aqui em Porto Alegre ou outra loja de esportes. E achei o custo-benefício sempre bom. Mas aí vai do gosto do freguês. Só acho que deveríamos refletir um pouco sobre o valor de um par de tênis, principalmente quem compra vários por ano.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Regularidade

Mandei um mensagem para um colega da equipe que faria um triatlo e lembrei de escrever sobre o assunto: regularidade.
É o mais importante na corrida, numa prova. Constância, ritmo, regularidade.
Não adianta sair rapidinho e morrer depois. Sei, vão dizer que com fulano funciona, fez um bom tempo saindo forte e caindo um pouco depois. E eu digo faria melhor ainda se mantivesse a regularidade...

Pode ser uma prova de 5, 10, 21 ou maratona. Se não mantiver o ritmo, vai sofrer no final e a prova não será tão boa quanto se dosar as energias, deixando para dar o gás no fim. Lógico que para isso acontecer, é preciso que a pessoa se conheça, saiba as respostas do seu corpo, o que aguenta naquele momento de seu treinamento. Isso só o tempo dá. Só os erros e os acertos. Alguns aprendem rápido, outros levam mais tempo. Mas não seja teimoso. Faça uma prova em ritmo constante e verá o quão bom é.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Raios duplos

Tem sido chato ficar sem treinar desde o dia 28 de junho, quase 2 meses. A ressonância mostrou tendinopatia (tendinite crônica) no tendão do glúteo mínimo. Mas até ir em médico, pedir ressonância, marcar, pegar resultado, levar no médico novamente, mandar fazer fisio, marcar fisio, começar, quase uma maratona se passou. Mas, pelo menos, a fisio parece estar dando resultado. Verdade que estou fazendo alongamentos recomendados em casa, o que também ajuda.

Só que fazer fisioterapia é meio cansativo. O cara sai do serviço, vai lá, ou vai antes e começa a trabalhar depois, isso corta o trabalho. E para quem é autônomo é complicado, tem que recuperar em algum momento.

Mas tem que fazer para poder voltar com tudo. Ganhei algum peso, que é uma maldição de ex (engorda, que tu és muito magrinho), mas nada para se desesperar. Tenho tentado compensar a falta de corrida com alguma caminhada ou até mesmo pedaladas que não incomodam a lesão. Não sou daqueles que ficam chateados por não estar correndo. Tem que parar, tem que parar, aceito. Aproveito para fazer outras coisas que a falta de tempo não deixa, mas sábado, ao caminhar, com um dia relativamente bem bonito e meio quente, deu uma vontade de estar sofrendo um pouco e suando naquele sol. Cheguei a correr uns 200, 300m para ver se acusava alguma dor, que não apareceu, mas também não segui para não dar chance ao azar. Foi só a sensação de lembrar como era...rs

O ano está perdido, não resta muito o que se fazer. Se conseguir correr no começo de setembro, terei que recomeçar com cautela, o que inviabiliza o projeto de sub-40 que havia para o ano. Entrar em alguma maratona em outubro seria uma loucura que poderia estragar o começo do ano que vem, em que tem TTT (solo??). Portanto, por enquanto o jeito é caminhar, ter paciência e ocupar o tempo pensando em outras coisas.


O "gif" é do filme Show de Vizinha. A moça é a canadense Elisha Cuthbert. O cara é Emily Hirch, mas isso é irrelevante.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Maratona de São Paulo (ou quase isso)

Voei sábado pela manhã para São Paulo para correr a maratona, domingo. Voo tranquilo, cheguei em Guarulhos, peguei o ônibus que me levava até a Av. Paulista e, de lá, um táxi, que era pertinho, que nem chegou tão perto assim, pois estava engarrafado. Desci um pouco antes e fui a pé. 


A retirada do kit foi no Ibirapuera. A maratona começou ali. 1h e 15 mais ou menos para conseguir ser atendido. E até que foi rápido, em função das pessoas que havia na fila: umas 500. Mas foi cansativo para quem ainda estava com a mochila nas costas. Fui almoçar eram quase 15h com outros corredores do @twitterrunnersbr, com quem havia feito contato via Twitter. O kit era mais ou menos, com brindes do Café 3 Corações, da Probiótica, vale-desconto da Adidas e uma camiseta oficial da prova, cuja "arte" alguns consideraram sem criatividade ou estranha. Um edifício, um coração e uma árvore com pernas de corredor. Cada um que faça seu julgamento. Eu sou um (quase velho) resmungão. Ou seja: suspeito.


Saí de lá, fui para a casa da minha anfitriã, Sandra, que era no Ipiranga. Isso quase 6 das tarde. Ela fez um super jantar de massa (os paulistas dizem macarrão) com carne de panela. Uma maravilha. E ela e o namorado (ou qualquer coisa assim, rs) se dispuseram a levantar cedo e me deixar na largada. Muito melhor que a encomenda. 


Me deixaram no Ibirapuera. De lá havia ônibus para o local da largada, que era na tal Ponte Estaiada, na Av. Roberto Marinho, o cara. Cheguei por volta das 7h15, a largada era às 8h25. Bastante tempo para qualquer coisa que precisasse fazer.


A largada era em pelotões. Ou deveria ser. Na inscrição, a gente optava pelo pelotão condizente com nosso tempo de conclusão estimado. No meu caso, até 3h40. Ganhei uma pulseira vermelha. Era o primeiro pelotão depois da elite A, B e C (a elite econômica, que pagava R$ 500,00 para largar ali). Mas não adianta a Yescom criar pelotões se não coloca ninguém a controlar a entrada deles. Moral da história: muita gente de pelotões mais lentos saindo na frente. Infelizmente, as pessoas reclamam de uma série de coisas do país, mas não fazem a parte delas quando são chamadas a fazer. A pessoa vai prejudicar quem deveria sair mais rápido, mas não se importa com isso, apenas consigo mesma. Pena. Feio. Patético. Ridículo. Egoísta.


Junto com a maratona, havia uma prova de 10 (cujo percurso era junto com a maratona até o km 6) e uma prova de 25km, no mesmo trajeto da maratona. 25 mil pessoas no total. Meu pelotão vermelho, portanto, era de gente dos 10km, dos 25 e da maratona. Bastantes pessoas. E ainda aqueles que não respeitam nem regras de uma corrida.


Largada às 8h25, como disse, mas, prova da Globo começa quando a vênus platina quer. Eram 8h20, o locutor anuncia que estava esperando o ok da emissora de tevê, mas que a largada seria 8h32 ou 8h33, aproximadamente. Aí, então, mais ou menos por essa hora, o cara falava coisas em geral, quando interrompeu e disse: "Foi dada a largada." Assim, sem contagem regressiva, nem nada. Deram um ok via comunicação interna em algum lugar, o diretor da prova deu a largada e o locutor que se vire. Lindo.


Todos caminhando até o pórtico, dali tentei correr. Mas ultrapassar o pessoal das pulseiras amarelas e brancas enraizados em terras estranhas foi uma tarefa dura nos 2 primeiros quilômetros. Logo depois da largada havia uma subida e já havia gente caminhando. E, pior, o povo que anda se arrastando (literalmente) é tão sem noção que anda pelo lado esquerdo, onde, teoricamente, por alusão às vias de trânsito, as pessoas tentam correr mais rápido. Teve gente pulando uma mureta e correndo por fora do asfalto, no que é uma área de trânsito de pedestre, imagino.


Meu primeiro km foi 5:42, depois consegui fazer 5:07, mas driblando e me estressando com os retardatários. Larguei com muita dor no piriforme (ou adutor, não sei bem), mesmo tendo passado Biofenac na região. Até o km 4 incomodou muito, tanto que pensei em parar. Aos poucos foi diminuindo, em função de o corpo estar ficando aquecido. Ali pelo km 10 havia diminuído bastante, era apenas um desconforto dizendo que estava ali.


A temperatura era boa, vi 17 graus em algum lugar, embora a partir do 4 o sol tenho dado as caras. Mas o trajeto tinha uns pontos de sombras bons. Pouco depois do km 13, o que seria mais tarde o final da prova para mim: senti uma dor forte no músculo (ou seria tendão??) abaixo da panturrilha direita. Fiz esse km a 5:19 e o seguinte a 5:16. No km 14, a nota triste que quase todo mundo viu: um corredor atirado no chão, passando mal, sendo atendido. Não tivemos notícias depois se estava bem ou não.


Pouco antes de a dor aparecer, estava ainda tentando acertar o ritmo para ir confortavelmente até o km 35, pois sei que por lá aparecem uns túneis terríveis e o sol já não estaria benevolente. Queria ficar perto dos 5:05, mas fiz diversas a 5. Ah, são só 5s, Júlio, deixa de ser tão meticuloso. 5s numa maratona podem te cobrar 30s por km no final.


Embora o trajeto não assuste no começo, ele não é plano. Há inúmeras pequenas subidas. E descidas, consequentemente. Muita oscilação de ritmo, o que atrapalha bastante em qualquer prova, mas principalmente numa maratona. Com a dor, comecei a fazer algo perto de 5:10, 5:15/km. Já entrava pela cidade universitária, onde havia boa sombra pois era uma área mais arborizada, mas até ali o trajeto tinha diversos vaivéns, que não chegavam a atrapalhar psicologicamente naquela altura da prova. Pelo menos não me importei como em Porto Alegre, apenas os percebi.


Passei os 21km em 1:47:38, se não em engano. Ainda fiz uma contas de que poderia continuar suportando e administrando a dor e fazer os outros 21 em 1h50, terminando mais ou menos em 3h37. Segui, então,  fazendo perto de 5:15, oscilando hora aqui, hora ali em função da altimetria do trajeto, até que fui chegando no final da prova dos 25km, onde havia um pórtico, área de dispersão e aquelas coisas normais de chegada.


Só que administrar a dor nem sempre depende da gente. No km 25, aumentou bastante, talvez porque houvesse uma subida no final dele. Fiz 5:39 nesse km. Passei o pórtico de quem corria os 25 e ainda me arrependi de não parar ali, pois havia os ônibus da organização para levar até o Ibirapuera. Só que a dor aumentou mais ainda, corri praticamente 600m e resolvi parar de vez. O ritmo havia ido para 6 por km e a dor ficou insuportável. Parei e mal conseguia caminhar. Não tinha como correr 17km que ainda faltavam me arrastando, sofrendo, todo torto. Voltei e fui pegar o ônibus para o Ibirapuera.


Antes disso, tentei pegar uma medalha, já que havia feito os 25km. Não deram. Até Gatorade me negaram. Não podia. Porque o número dos 25 era verde; o meu, branco. Disseram que lá no Ibirapuera me dariam medalha da maratona. Argumentei que não corri maratona, etc, mas não adiantou. Nada, Júlio. Vai embora. Já vi: vou ficar sem medalha, lógico. Nem é injusto, mas também não é nenhum absurdo querer uma. Para receber a medalha, era preciso destacar um papel que ficava junto ao número. Ou seja, não conseguiria outra depois. Só uma vez. Mas o pior é que lá no Ibirapuera não conseguia acessar a área da chegada mais. Só chegando correndo. Nem medalha, nem Gatorade, nem água, nem frutas, nem kit de chegada. Nada. "Ao vencedor, as batatas! Ao vencido, ódio ou compaixão." Machado de Assis já dizia que não há prêmio para os perdedores.

E então a saga da minha 42ª maratona terminou de vez. Ficou para a próxima. Foi a primeira maratona que não completei por lesão. Ontem, já em Porto Alegre, fiquei pensando na dor numa região esquisita, onde normalmente nunca dá nos treinos. Fosse na panturrilha ou posterior, beleza.  E comecei a reprisar os acontecimentos. Domingo pela manhã, acordei com uma dor muscular no braço direito. Como meu pai já infartou 3x, qualquer dor no braço me assusta. Foi assim que ele infartou pela 1ª vez. Sentia dores nos braços, ia no banheiro, se molhava e passava. Até que um dia não passou e o levei no Instituto de Cardiologia.

Achei estranha aquela dor. Mas não me dei conta na hora. Só à noite em casa. Havia jogado boliche na sexta depois do serviço. Era disso a dor. E provavelmente a dor no músculo (ou tendão) seja fruto do mesmo esforço. Quando eu jogo a bola, jogo com força. Para isso é preciso pegar impulso e parar antes de invadir a área da pista. É muito provável que a dor seja de sustentar o corpo nessa parada brusca. Joguei 1h15 de boliche. Se o braço ficou dolorido do esforço, outras partes do corpo devem ter sofrido do mesmo mal. Aí o cara corre e o trajeto tem subidas que forçam mais ainda, pronto, está feito o estrago.


Sei, vão dizer que é porque era a 2ª maratona em 15 dias. Até pode ser, não descarto, mas, sinceramente, não acredito nisso. E sou teimoso. Dá vontade até de correr a Maratona do Rio para mostrar que não é. Depois da maratona de POA, excetuando a dor do piriforme/adutor/glúteo esquerdo, não tive dor nenhuma. Nem panturrilha, nem coxas, joelhos, nada das dores normais pós-maratona. Caminhava tranquilamente na segunda. Mesmo assim, descansei a semana inteira. Só corri no sábado, 1h. E, depois, terça passada, 55 minutos. Mais nada. Não corri na quinta para não me cansar. Já estava treinado, não faria diferença a meu favor, só poderia me prejudicar. Mas joguei boliche na sexta. Pelo menos venci os 3 jogos.

Veja km a km.
http://www.linhadechegada.com/atividade/3996/113555

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sub-40

Uma das metas desse ano é baixar dos 40 minutos nos 10 km. É um desafio da Revista Contra Relógio. É uma tarefa árdua, pois desde 2006 não consigo fazer sequer 42... Mas, às vezes, é preciso colocar uns objetivos difíceis para sair do marasmo, senão a gente para no tempo e não evolui. Sem metas, objetivos, a gente vai vivendo os dias como se fossem todos iguais. Tanto fez, como tanto faz. É preciso um objetivo na vida, nunca se acomodar. Na corrida também é igual.


Terminando a saga das maratonas de Porto Alegre e SP, que é agora domingo, e dando um tempo de descanso necessário e essencial depois delas, será hora de começar a buscar a meta. De julho a setembro é a chance. Depois esquenta e fica praticamente impossível.

Mas, claro, primeiro tem a Maratona de São Paulo domingo. Semana que vem, descanso. E, depois, somente tiros feito o bichinho aí de cima.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

41ª maratona

Porto Alegre foi minha 41ª maratona. Na verdade, 38ª maratona, maratona mesmo, pois fiz duas de 50km em Rio Grande e uma em Urubici-SC, mas conto tudo como maratona, já que quem faz 42, faz 50.


Sábado pré-maratona foi uma correria só. Acordei, passei em cliente em Viamão, voltei para casa, peguei meus amigos cariocas na rodoviária, larguei-os no hotel, esperei por lá, peguei um outro amigo deles em outro hotel no centro, fomos à zona sul, peguei meu filho mais novo, almoçamos no Divino Sabor da Otto Niemayer, saímos de lá para o Jockey, para pegar o kit deles com o Daniel, ficamos por lá um tempo, deixei o filho em casa, larguei-os nos hotéis respectivos, fui para casa, mamãe ligou querendo saber que horas iria lá dormir, mas também porque queria que trocasse a resistência do chuveiro, passei no supermercado antes, de modo que cheguei na casa dela pelas 19h30, quase morto. Tarefas cumpridas, 20h30 já estava na cama. Nunca dormi tão cedo e tão cansado antes de uma maratona. Não teve nem falta de sono por ansiedade pré-maratona.


Durante a semana, senti uma dor no adutor do glúteo (que bonitinho) esquerdo, fruto de ter corrido acompanhando os ironmans lá em Jurerê. Fiquei meio receoso quanto a isso. Não era hora de aparecer dor, mas... Biofenac, Advil e reza.

Domingo, 5h30, acordo. Tomo meu banho, uma batida (vitamina para alguns outros estados) de banana com whey protein e meio saco de bisnaguinhas dos 7 guris (=Seven Boys). Check list mental feito, tudo pronto. Peguei a bicicleta (o apartamento da minha mãe é nem 2 km da largada) e fui para a largada. Ainda estava super escuro. Mal tínhamos luz para ver de quem era qual kit.


Tudo pronto, vaselina nas áreas de atrito, gel no calção, na braçadeira, no boné, e agora: corro com a camiseta por baixo ou não? O Dani disse: vai esquentar, não corre com isso. Mas como sou meio teimoso (meio?), vou correr com ela. Porque é boa para correr, é daquelas grudadas no corpo, e havia muito vento, nesses casos ela regula melhor a temperatura, evita passar o frio.


Largada dada, saímos, eu e o Zé Luiz, meu amigo carioca, para fazer 5/km no ínicio, mas já avistamos o Renato e o Álvaro pouco à frente. Aceleramos para chegar neles, pensei em ficar com eles um tempo, mas seguimos em frente, embora com os dois colados a nós. Me sentia cansado.


Começo dentro do programado, na média de 4:55, um pouco menos por km. Passamos pelo Centro Histórico (hoje em dia, tudo que é cidade tem Centro Histórico - para fins de turismo), por ali o trajeto era o contrário do que sempre foi, indo pela Mauá e retornando Júlio de Castilhos e Siqueira Campos. O ventinho bandido já dava o ar da sua graça a essa altura. Em matéria de clima, tirando essa questão do vento em alguns pontos, o tempo nem ajudou muito, nem prejudicou. A temperatura esteve perto dos 15 no começo e estabilizou pelos 18, 19 no restante da prova.


Saindo do centro, seguimos pela Loureiro da Silva (Perimetral antiga), entramos na Sarmento Leite (da Ufrgs) e ali encaramos o trecho com maiores subidas: tem a subida para chegar no Colégio Rosário, umas duas ou três pequenas subidas na Vasco e depois na Mariante com Goethe até o Parcão. Por ali, na descida, cruzávamos com quem subia. Deu para ver o Renato e o Álvaro logo atrás e, um pouco depois, o Alessandro e o Claiton. Nova subida no viaduto sobre a Protásio Alves. Vínhamos bem até ali, eu e o Zé.


Dobramos na Av. Ipiranga à esquerda. Por ela íamos até o km 21, mais ou menos. Por antes dele, retirei a camiseta que usava por baixo e, sorte, logo em seguida enxergo o Beck, para o qual atiro-a. Fizemos alguns quilômetros a 4:49, o 24 foi a 4:45, e parecia meio difícil. Saímos da Ipiranga, pegamos a Princesa Isabel, Azenha, e o Zé disse, quando passamos com o Estádio Olímpico à esquerda, entrando no corredor da Av. Érico Veríssimo: quilômetro sofrido. Aqui a experiência veio à mente: disse a ele para diminuirmos um pouco o ritmo. Fizemos 2 quilômetros 5 ou 6s mais lentos e foi o suficiente para que eu pudesse descansar e retomar a postura. Já era na Praia de Belas isso. Seguimos por ela, entramos à direita na Aureliano de Figueiredo Pinto e ali tomamos um baque psicológico: a maratona não dobrou à esquerda como sempre fazia na João Alfredo. Eu sabia da mudança, mas não lembrei. E como foi sofrido seguir em frente até a Ipiranga e retornar.


Retornando, enxerguei o Renato uns 100, 150 atrás, e o Álvaro um pouco mais distante. Pensei: mais ou 3 ou 4 quilômetros me pega, porque a diferença diminuiu bastante em relação ao km 21 onde nos avistamos cada um de um lado da Ipiranga. Mas segui em frente no ritmo de 4:54/km. Pegamos a João Alfredo, finalmente, a Loureiro da Silva novamente e rumamos ao Centro.


Chegando no Centro, pegamos desta vez a Siqueira Campos e fomos até quase a Prefeitura, dobrando à esquerda e retornando. E, quando retornávamos, nossa senhora dos ventos uivantes: uma rajada atrás da outra segurando o cara. Pensei: "não acredito que vou fazer 8km no final de maratona com esse vento contra." O km 35 foi o meu pior: 5:18. Mas no 36 já melhorou e depois o vento se controlou. E mais ou menos por aqui deixei o Zé Luiz para trás.


Melhorei um pouco, retomei o ritmo de antes, fiz o 37 e 38 a 4:54 e acho que era quase (ou) km 39 quando o Julio-hermano-argentino e a Bruna chegaram de bicicleta para ajudar. Ela disse que iria ficar comigo, me deram Gatorade, e o xará argentino foi ajudar outros que estavam mais atrás. Embora não olhassse para trás, e a Bruna tivesse dito que o Renato estava longe, imaginei que ele fosse me alcançar. Mas também pensei: vai suar bastante, porque eu estava correndo no mesmo ritmo, fiz bons quilômetros, ele teria que se superar. Mas o maluco vinha (vi hoje) fazendo o km a 4:43. Tirou mais de 50s em 5km e nem foi culpa minha. Ele é que fez o improvável. Dificilmente alguém tem forças para buscar outro corredor que mantém o ritmo no final. E a diferença foi sumindo até que me alcançou quando fechou o 41, se não me engano. Até disse para seguir em frente, mas ficou junto comigo. E até deu para fazermos um sprint nos últimos 400, 500m, fechando a prova em 3:27:38 segundo os dados do meu Garmin (O site do Corpa deu 1:43:09 para a primeira metade e 1:44:27 para a segunda - 3:27:36 tempo oficial. 302º lugar dos 1416 que concluíram, 274/1207 dos homens).


Acabou ficando dentro do previsto. Cheguei a pensar que talvez pudesse fazer 3h25, mas ficou de bom tamanho. É preciso sempre lembrar que cada ano que passa fica mais difícil repetir os anos anteriores.


A chegada foi boa, o pórtico era bem localizado, mas achei a parte das frutas e iogurte meio distante. Não tinha nem a percebido, já que o próprio pórtico do Jockey escondia o espaço. Aí saí do funil porque nem lembrei desse estande, quis pegar depois na "boca do caixa", me barraram e tivemos momentos de tensão, porque não tinha sentido retornar para entrar no funil novamente. Creio que o local de entrega da medalha e esse estande devam estar mais próximos. A gente termina a maratona e ainda está curtindo o término mentalmente, nem sempre consegue juntar o tico e o teco. Seria louvável facilitarem a nossa vida.


O abastecimento na prova foi ótimo, havia bastante água, gatorade, bananas, mas, em alguns pontos, só encontrei água "ambiente", ao invés de gelada. Se esquentasse...não sei não.


O percurso é que me pareceu com muitas quebradas e voltas, principalmente para quem conhece a cidade. Vai no centro, volta. Vai na Ipiranga, volta. Aquele pedaço que passa da João Alfredo, então... Aí vamos ao centro novamente e passamos pela Usina, sabendo que temos que passar ali novamente...


Creio também que fazer as pessoas saírem em direção à Vila Assunção é melhor, pois elas retornam e passam defronte à largada, ajudando na participação do público, meio que fazendo uma "volta de apresentação". E nem precisa ser muita coisa. Poderia ser uns 500m somente. Seria bom do ponto de vista de quem acompanha a prova, um dos pontos fracos da maratona. Pode atrapalhar o revezamento, pode, mas para tudo há solução.


Também vale a pena ressaltar que não vi gente buzinando enlouquecidamente como nos anos anteriores. Aliás, nem ouvi buzina alguma. Pode ter sido fruto da campanha da RBS, com as apresentadoras da tevê participando toda hora dos treinamentos, mostrando matérias, divulgando.  Isso pode ter sensibilizado o público, alertado para a prova. Porque nesse ano teve mais fechamentos de ruas que no ano anterior. Então, a lógica seria mais reclamações. Também penso que diversos alertas através do Facebook possam ter ajudado nossos amigos desavidos e reclamões que adoram cruzar a cidade numa manhã de domingo para visitar a sogra.


Foi uma boa prova. Mas é preciso alguns ajustes pontuais. A área das barracas das equipes ficou pior no Jockey do que era no Barra, do ponto de vista de acompanhar a largada e a prova em si. Parecia um galpão abandonado, já que o Jockey anda meio às moscas. Feio. Mas tudo isso é meio encoberto pelo clima. Quando ele não é contrário, quase todo mundo gosta da prova. Foi o que aconteceu.


Agora é descansar esse adutor do glúteo que está incomodando hoje, porque dia 17, em São Paulo, tem mais maratona. Infelizmente, SP tem percurso pior e sai mais tarde (8:40). Normalmente essas brincadeiras significam de 10 a 15 minutos a mais do que o tempo em Porto Alegre. Mas vamos ver se consigo ficar nas 3h34/3h35 das duas vezes em que corri por lá. Oremos.


(quando tiver mais umas fotos bacanas, incluo no texto)

terça-feira, 29 de maio de 2012

1572

1572 é o número de incritos da Maratona de Porto Alegre. 237 mulheres (15,08%) e 1335 homens (84,92%). Acho que é o maior número de inscritos nos últimos tempos, talvez até recorde.


Do ponto de vista individual, não muda muito, a menos que a pessoa esteja de olho em pódio. Como nunca é o meu caso, já que não tenho cacife para tanto, fica o registro para fins estatísticos. Mesmo subindo o valor da inscrição (acho que foi 100%), os inscritos aumentaram. É um bom número para uma maratona no extremo sul de um país continental, e que andou falhando em alguns aspectos nos últimos anos. Talvez seja o efeito da entrada da Latin Sports na organização. Eles organizam o Ironman que ocorreu domingo em Florianópolis. Quem sabe daqui para frente a maratona cresce em tamanho. E quem sabe o frio, que não vem há 3 anos, dê as caras no domingo.


Uma das coisas que as pessoas mais perguntam quando a gente termina uma maratona é: que colocação tu tiraste? Posição é tudo nessa vida... até no lazer a gente é pressionado a ser bem sucedido. Muito antes de a vida ser online as pessoas já perguntavam isso.


Sempre foi difícil responder à questão, a pergunta sempre soava estranha para um maratonista, por dois motivos: primeiro porque na hora é difícil saber em que posição a gente ficou, às vezes até no dia seguinte ainda não há os resultados. Mas nem é essa a questão principal. A questão é que não importa a posição. Maratona é uma prova que a gente faz contra si mesmo, contra nossos limites psicológicos e físicos. Então, a grande massa, os amadores, lutam para atingir um objetivo pessoal, seja ele apenas terminar ou melhorar tempo. Muita gente não compreende que esse é o barato da coisa.


Com o tempo, fui respondendo de outra forma, tentando explicar como é terminar uma maratona, mas procurando situar a pessoa dentro do contexto, da informação que ela queria. Porque se ela pergunta sobre colocação, não adianta eu responder sobre o prazer de superar um limite, de alcançar uma meta. O maratonista já é taxado de meio louco por correr, imagina tentar explicar um sentimento, uma sensação. Parece um usuário de drogas "viajando".


Por isso, o número de inscritos no início do texto. Como situar alguém que não corre sobre tua colocação? Uso isso como parâmetro: chegando numa colocação perto da metade dos inscritos, estou na média, fui mais ou menos. Fui mal se estiver depois da metade, e bem se me situar acima de 1/3, 1/4 dos inscritos. É como que atribuir uma nota ao teu desempenho.


Há também um outro critério mais objetivo: abaixo de 3h30 tu fizeste uma boa maratona. Abaixo de 3h20 melhor ainda e cada minuto abaixo disso os elogios aumentam na mesma proporção. Se baixar de 3h, então, tu és um monstro.


Mas, o mais importante de tudo é procurar terminar a prova com o mínimo de sofrimento possível. Terminar bem. Cansado do esforço, claro, mas não se arrastando, sofrendo em demasia. Esporte é saúde. Não é loucura ou maluquice. Não é desmaiar na chegada. Na hora até pode ser bacana, um exemplo de superação, mas é muito mais um risco de sequelas neurológicas do que isso. Como tudo na vida, maratona exige um pouco de arriscar e outro de cautela para saber até onde é possível ir.


Até domingo. E que Nossa Senhora das Frentes Frias nos ajude.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Porto Alegre, São Paulo e Rio: e por que não?

Os heróis da resistência que me leem sabem que defendo a teoria de que devemos fazer maratonas na sequência, já que o que mata é o treinamento para elas. Considero que fazer Porto Alegre, São Paulo e Rio é quase perfeito. Elas são distantes o suficiente para não se perder o treinamento e nem ficar sobrecarregado.

Porto Alegre é duas semanas antes de São Paulo, que é três antes da do Rio. Lógico que, depois das três, é preciso descansar cerca de um mês ou um pouco menos, para não sobrecarregar o corpo e a cabeça. Conta também o fato de serem maratonas a custos acessíveis, embora a do Rio tenha passado para julho, o que encarece um pouco mais, em função das férias escolares.

E, fazendo as três, ainda é possível dar um tempo e depois encaixar uma 4ª maratona no ano lá por outubro ou novembro.

Por outro lado, é bom lembrar que maratona sempre é um esforço extremo, salvo se a fazemos com folga, o que quase nunca acontece. Normalmente todo mundo anda perto do seu limite, em busca de recorde pessoal ou de uma boa performance.

Muito provavelmente depois que as condições financeiras melhorarem, lá por 2025, devo incluí-las no calendário anual.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Poa Day Run - Subway

Não é fácil coordenar o corpo, se ele não responde como a gente gostaria. Ontem, na Poa Day Run, da Subway, foi o que aconteceu. Tentei mandá-lo correr a 4:30/km, mas não obedeceu de jeito algum. Tinha corrido 23 km na manhã anterior, então o cansaço muscular era grande.

O dia até que estava bom para correr, embora a umidade estivesse um pouco alta, mas a temperatura girava em torno de 19, 20 graus. Saí correndo a 4:40, 4:38/km, mas isso só durou até o km 4. Depois as pernas pesaram de um modo que não foi possível manter o ritmo. (ver abaixo)

O trajeto da corrida consistia em sair do Barra Shopping, ir para a direita até quase a rótula das cuias e retornar pelo mesmo caminho, sem firulas e invencionices. Fiz a metade em 23:32, voltei em 24:33, totalizando 47:45, 1 minuto pior que a Corrida de Porto Alegre, dia 25 de março.

A prova tinha uma estrutura boa. Medalha entregue na chegada, banana, maçã, água, gatorade. Havia uma banca de iogurte Piá, mas quando cheguei ali não havia mais nada. Entrei na fila da foto. Demorou quase meia hora. E olha que não tinha tanta gente assim, mas era um processo meio demorado: tira foto, envia por email, imprime e entrega. Dali fui para a fila do sanduíche...vamos aproveitar as benesses inclusas na incrição. Como eu curto Subway, ótimo. Ainda havia uma fila para massagem, mas resolvi passar.

O kit da prova tinha uma camiseta bacana (lá da foto de cima), aquelas garrafinhas (squeeze), um vale-sanduíche de peito de peru e a tradicional sacolinha (bag) do evento. Além disso, havia um palco com uma banda boa tocando antes e depois do evento. O público me pareceu menor do que outras vezes, pelo menos a sensação era de que havia menos assessorias esportivas.

Do meu ponto de vista, o Circuito da Subway é um dos que apresenta melhor custo-benefício para quem quer correr, principalmente para quem está começando. A inscrição é justa pelo que é oferecido. 

Especificamente no meu caso, não valeu pelo tempo que fiz. Não fiquei desapontado, mas meio indignado comigo mesmo, que corri mais 10 km no final do dia e que foram melhores do que na prova. Coisas da vida. O foco é a maratona dia 3 de junho.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

5ª Meia Maratona do Corpa

A 5ª edição da Meia do Corpa aconteceu domingo pela manhã, com saída na Usina do Gasômetro, e trajeto até a Vila Assunção. Simplificaram o percurso, ia e voltava e ponto final. A temperatura estava boa, uns 14 graus, propícia para bons desempenhos.

Larguei com o Claiton, fizemos os primeiros quilômetros a 4:40/min até o km 7, mais ou menos, onde havia um posto de água, e ele ficou um pouco para trás. Uns 200m à frente, iam o Álvaro e o Renato. O Mário nem era possível ser visto...

Na virada da metade do trajeto, quase na Nicolau Dias de Farias, o Álvaro e o Renato iam cerca de 35s na minha frente. Nisso, molhei o Garmin (que é touch) e tive problemas de relacionamento com a tecnologia. O bicho enlouqueceu, começou a apitar o tempo todo, como se eu estivesse tocando-o. Tentei arrumar e piorei: acabou gravando o local em que eu passava e não mostrava mais a tela principal. Mas, pelo menos, ainda marcava quando fechava os quilômetros. Comecei, então, a tentar buscar a diferença antes que fosse tarde demais.

Pouco mais à frente, cruzei com o Daniel que colocou lenha na fogueira, avisando que a diferença era 30s. Fui tentando diminuir, mas os dois à frente também andavam bem. Já dava para ver que o Renato abria uma diferença em relação ao Álvaro. Fui diminuindo, achando que dava para pegar o Álvaro, até que cheguei no km 18 relativamente perto. Só que aí as pernas não responderam mais. Morri totalmente. Do 18 para o 19 fechei em 4:42. Até ali andava a 4:35, 4:36. O km 20 também foi nessa linha e fui para fechar em 1h37 mais ou menos. (ver dados do Garmin abaixo)

Como o Garmin estava numa tela que eu não sabia mexer, nem parar o cronômetro consegui. Mais tarde vi no site do Corpa que o tempo oficial tinha sido 1:36:59, dentro do previsto, embora tivesse uma relativa esperança de que pudesse correr um pouquinho abaixo disso. Mas a corrida da semana anterior, em Gramado, tinha causado muitas dores musculares que cobraram seu preço durante a prova. De qualquer modo, foi bem bom. Mas é preciso melhorar bastante nesse mês para tentar baixar de 3h20 na maratona. E, principalmente, baixar o peso.

Domingo agora tem 10km na Poa Day Run, da Subway. Embora o foco seja a maratona, me inscrevi porque queria ver como posso me sair nos 10km, pois também há o desafio de baixar de 40 minutos nesse ano. Evidente que ficarei bem longe disso, mas vamos ver o que acontece.

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