segunda-feira, 11 de julho de 2011

15 Milhas Ipanema + 10 Milhas Puma


Dois eventos em sequência: 15 Milhas Ipanema, revezamento na zona sul de Porto Alegre, domingo, dia 3, e 10 Milhas da Puma, com largada no Parque da Harmonia, ontem, dia 10.

Primeiro evento: muito, mas muito frio naquele domingo. Devia estar uns 6 graus, com vento que sopra sempre na beira do Guaíba, o que deixava a sensação térmica bem mais baixa. A 5 minutos da largada, todo mundo ainda de casacão...

O kit (camiseta) da prova deixou a desejar, mas a prova, em si, é bem interessante. Havia algumas modalidades (trio masculino, misto, feminino, individual) e havia 3 baterias, com horários pré-programados (houve algum atraso), independente de o parceiro da equipe ter chegado ou não.

O pessoal saí, ia até a praça do Guarujá e retornava, pegando um pedaço de areia da beira da praia, que talvez fosse a pior parte. O trio (meu caso) funciona assim: o primeiro corredor (a Ângela) corria 4 km, o segundo corredor (Alex) corria 8 km (2 x o percurso) e o terceiro corredor (eu) fazia 3 x o percurso, correndo 12 km.

Saí a 4:30/km, mas só consegui manter por uns 2km, depois caí um pouco e fechei minha parte em 57:18. Não ganhamos nada, claro, no trio misto.


Ontem, as 10 Milhas da Puma (ano passado, mais ou menos na mesma época, teve a mesma prova, só que ela era da Mizuno, e com um trajeto diferente). Ano passado, conforme contei aqui, começaram meus problemas nas panturrilhas, que me deixaram praticamente sem conseguir treinar durante 3 meses. Mas, ainda bem, passado é passado.

Ontem, quase perdi a prova. Estou exagerando um pouquinho, mas cheguei faltando uns 10 minutos para iniciar a prova. Como o Gabriel dormiu lá em casa, foi difícil fazê-lo acordar dentro do previsto e sair no horário adequado. Mas cheguei, estacionei fácil, e fui tranquilo para a nossa barraca. Peguei meu kit (que continha uma sacolinha e uma camiseta - a meu ver, kit justo para os R$ 47,50 da inscrição), o Daniel colocou o número e rumei para a largada. Encontrei o Mário e o Claiton por lá e aguardamos o toque de largada. Havia separação por tempos, mas as pessoas, infelizmente, parece que não ligam para isso. Egoísmo parece ser a palavra do mundo moderno. Cada um só quer saber de si, não importando se está largando lentamente numa área destinada a corredores mais rápidos que serão atrapalhados por ele.

Bem, largada dada, saí a 4:25/km. Na minha cabeça, era para sair a 4:30, mas é aquele papo: a gente se sente bem e sai como não deve... Mais tarde percebe-se isso. Enxerguei o André Cruz, lá pelo km 3 cheguei nele, trocamos gracinhas e o passei, mas logo em sequida me deu o troco. Segui correndo a uns 10 metros dele até o retorno, que era no km 6,9, perto do Veleiros. Até ali, a média vinha a 4:29. O André deve ter ficado com torcicolos, porque toda hora olhava para trás para me procurar...hehe. Andei mais uns 2,5 km, mais ou menos, e ele olhou novamente. Eu estava perto, e ele gritou: "Tá me marcando?" Respondi: "Só até o km 15!" E cheguei de vez nele. Vamos nos ajudar, pensamos, e falamos. Tentar um levar o outro. E puxar nos últimos 2. Mas só aguentei mais uns 2 km. Ele desgarrou uns metros.

Pouco antes do km 13, encostei numa guria, a Paula, e ela ficou falando alguma coisa. Então, fiquei por ali e acabamos conversando (ficou mais confortável e menos sofrido para mim). O André não abriu muito, e comecei a só acompanhá-la, o que fiz até o final, quando cheguei em 1:12:47, para os 15,94 km que o GPS da Garmin marcou. 4:34/km de média. Dava para ter baixado esses 47 segundos, se tivesse abandonado-a, mas não ia fazer muita diferença no frigir dos ovos.


O começo da prova deu uma falsa impressão de que podia ser melhor, mas eu sabia que não estava pronto para aquilo. Até falei para o Daniel, que queria que eu tentasse algo nessa linha. No final das contas, talvez, talvez, se saísse a 4:30 conseguisse manter até o final, ainda mais que, nos treinos, costumo acelerar na segunda metade para acostumar, mas, se, se, se... já era. Não é o jeito que eu gosto de correr, porque frustra um pouquinho, mas aconteceu. Gosto de chegar mais rápido do que larguei.

Agora, mais 16 km no "Subway POA Run Day", dia 16/8. Aí, sim, tenho que estar correndo a 4:25/km. Até lá, seguimos o treino com vistas à Maratona de Buenos Aires.

sábado, 25 de junho de 2011

Maratona de Buenos Aires em 3h15

Essa é a ideia. O projeto, definitivamente, já iniciou. Comecei a frequentar academia e fazer musculação 3 vezes por semana, nos dias em que corro. Acho que tem ajudado legal. E, desde então, os treinos têm sido bons.

Treino da terça retrasada: 18km em 1:27:03, média de 4:50




Na terça seguinte, era para ser o mesmo treino, mas acabei esquecendo de parar o relógio quando deveria e parando quando era para ligar... Então, corri meio quilômetro praticamente sem marcar e resolvi parar quando fechou 17 km, mas a média melhorou 8s. 1:20:03, praticamente 2 minutos a menos, se fosse fazer os mesmos 18. Isso com academia antes e com 8 km do dia anterior (treino da culpa do fim-de-semana...rs).



E, hoje, mesmo depois da pizzaria de ontem, fiz um treino muito bom. Verdade que o começo foi custoso, parecia que tinha gorgonzola com cebola entupindo o meu sangue, mas depois de 5, 6 km a coisa começou a fluir. 22,66 km em 1:47:05, média de 4:43, com os últimos 7,66 km todos abaixo de 4:40, ou seja, progressivo, split negativo, como se diz e como tem que ser mesmo. Também é fato que a parceria do Claiton ajudou bastante.


Pelas experiências anteriores, sei que se eu correr 24, 25 km num determino ritmo durante meia dúzia de vezes, consigo fazer a maratona nesse ritmo. Desse modo, dá para imaginar que até 9 de outubro, data da Maratona de Buenos Aires, estarei correndo melhor do que hoje e certamente deverei correr perto das 3h15. Diria que talvez até dê para fazer menos de 3h10, mas aí já depende da conjunção de alguns fatores como dinheiro no bolso, amor no coração e outros pequenos detalhes que acabam influenciando a parte psicológica e que acabam por comprometer os treinos. Mas, de qualquer forma, para começo de treinamento, a perspectiva está muito boa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Desculpas nem sempre são sinceras

"Desculpas nem sempre são sinceras, quase nunca são." Frase célebre do Renato Russo na música "Acrilic On Canvas".

O Corpa emitiu uma nota de pedido de desculpas sobre os erros cometidos na Rústica e no revezamento da Maratona de Porto Alegre. O jornalista Túlio Milman, através de seu Twitter,
elogiou a nota. Com todo o respeito, Túlio, não fizeram nada mais do que a obrigação. Se não pedissem desculpas por aquele erro grosseiro seria mais um erro imperdoável.

Pois bem, a nota, mal redigida, tosca e com pontuação sofrível, é essa aqui, que está no blog do Corpa. Leia, se souber tupi-guarani.

Não é clara, não diz onde foi o erro. Diz apenas que um representante da organização errou num retorno. Que retorno? Ninguém disse. Não é citado. Até comentei lá, mas não publicaram. É um direito, publicam o que acharem conveniente, mas, pelo menos, deveriam responder por email, contestando, rebatendo, argumentando. Nem isso fizeram. Estão pouco se lixando. Além do mais, diz "Comunicado Oficial Rústica". Só Rústica? E o revezamento? Não foi lá o erro maior, que envolveu mais pessoas e teve outros desdobramentos, nos corredores seguintes?

Vamos refazer o trajeto para ver onde foi que erraram. E, abaixo, está o mapa do Garmin, para que possa ficar mais claro, se alguém quiser acompanhar visualmente. Clique nele, amplie-o.

A prova saía do estacionamento e dobrava à esquerda. Logo em seguida, havia uma curva na rótula com a Av. Guaíba. Pegamos a esquerda novamente. Adiante, pouco antes da rótula com a Icaraí, a separação entre a rústica, as duplas e os quartetos, que iam pela esquerda, e os octetos, que retornavam à direita. Aqui não pode ter sido o erro. Não pode porque não havia retorno depois. Seguíamos sempre pela Wesceslau Escobar até chegar à Praça da Tristeza. Nenhum retorno até lá. Voltávamos pela Nicolau Dias de Farias, andávamos mais ou menos 1km, dobrávamos à esquerda na Copacabana e pegávamos a Av. Guaíba, passando por onde era o Bar Timbuca, depois o Sava Clube e os Bombeiros. Nada de retorno por aqui também. Não temos onde errar até o momento.

Depois dos Bombeiros, passávamos pela vilinha que tem logo adiante e, em seguida, pelo Clube Veleiros. Tinha um pouco mais de 5km até aqui. Estamos quase chegando na rótula lá do começo da prova e no Barra Shopping. Bem, do Veleiros até a outra ponta da avenida do Barra, na área do antigo Estaleiro Só, tem exatos 2km. Sei muito bem porque estou acostumado a fazer esse trajeto nos meus treinos, quando saio do escritório.

Lá no Estaleiro Só havia um retorno. O único local onde poderia ter havido o erro. Só que o retorno era só para os octetos. Eles estavam fazendo percurso diferente, lembram, né? Ok, todo mundo deveria retornar aqui e não somente os octetos, certo? Errado. Se fosse aqui o erro, porque haveria sinalização em frente, indo até a entrada da Av. Beira-Rio? Não faz o menor sentido essa explicação dada pelo Corpa.

Bom, mas vamos fazer uma forcinha e tentar acreditar nela ainda. Só que disseram que o erro foi cometido por um representante. Um só. Ora, sabemos que ninguém sinaliza uma prova sozinho. Tem alguém no carro, levando cone, fitas adesivas, etc, enfim, ajudando. No mínimo são duas pessoas, normalmente 3. É bem mais rápido do que um sozinho fazendo tudo.

Então, das duas uma: ou o erro não é aqui, ou mais de uma pessoa foi responsável pela lambança. Bem, na minha opinião, uma dessas duas possibilidades deve ter acontecido assim:

1) O Paulo Silva estava super atucanado, acha que pode abraçar o mundo, e não pode, como ninguém pode. Daí foi cuidar do trajeto da maratona. Delegou a sinalização/aferição da rústica e do revezamento para seu filho, Paulinho Stone, ou para um arigó qualquer. Aí caímos naquela máxima: “Às vezes a gente dá uma tarefa simples, mas tão simples, mas tão simples, que achamos que qualquer um pode realizá-la. Mas não pode.” Essa pessoa tinha que aferir rústica e trajeto dos octetos, se passa na marcação e calcula 12 km ao invés de 10. É essa a metragem da primeira volta que fiz: exatos 12 km. Não são 11,8 ou 12,2. São exatos 12. Coincidência que um erro tenha causado um número redondo, não? Só que, percebam: o erro não foi na madrugada, quando sinalizaram a prova. Ele se deu quando foi feita a aferição do percurso, na semana anterior ou antes disso. Normalmente, medem, sinalizam e repassam o trajeto depois. Porque foi nesse dia? Porque alguma pessoa sabia (quem aferiu o percurso) que tinha que colocar cone e sinalização até a entrada da Av. Beira-Rio. Isso não saiu da cabeça de um zé ninguém, assim do nada, no dia.

2) O erro realmente é ali. A minha segunda volta, na qual suprimem o restante do trajeto até a av. Beira-Rio, dá 10,53 km. É mais que os 10km que anunciaram para a Rústica, mas é metade de meia-maratona, é a distância dos quartetos. Bom, tem sentido a marcação e o erro no retorno. Mas aí fica claro que não foi apenas uma pessoa que errou, a não ser que essa pessoa seja quem aferiu o percurso, o que seria um erro bem mais grave, mas isso não foi citado na nota, certo?

Portanto, em qualquer uma das hipóteses, a verdade é que a nota do Corpa é uma mentira.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Porto Alegre precisa se reciclar


Ontem, domingo, foi a 28ª Maratona de Porto Alegre. Desde a minha primeira, em 1987, já devo ter feito umas 20 ou 21. E acompanhado ou me envolvido em mais umas 3 ou 4. Mas, como vocês já sabem, ontem só corri o revezamento.

Mas conversava com outras pessoas sobre a prova, sobre o que aconteceu e o que tem acontecido nos últimos tempos. A maratona de Porto Alegre, assim como a cidade, está estagnada. "Tudo" que temos a nosso favor é o frio. E ele não dá as caras há 3 anos! O trajeto, plano, não é muito diferente de São Paulo, que tem contra si uns túneis chatos e cansativos a mais no final.

Desde aquela edição em 1987, quando corri com uns 200, talvez 300 corredores, pouco evoluímos. O trânsito foi fechado, o abastecimento melhorou, mas isso aconteceu em todas as maratonas sérias. Que mais houve? Nada. Naquele longínquo 1987, a maratona saía do Parcão, ia em direção à zona sul, pegando a Av. Cavalhada (que ainda não era duplicada), dobrava à direita onde hoje tem uma rótula com a Av. Juca Batista, indo em direção a Cel. Marcos, seguia pela Wesceslau Escobar, Icaraí, Chuí, Pinheiro Borda, Padre Cacique, Borges de Medeiros e, acho, Loureiro da Silva, Túnel da Conceição, Farrapos, Barros Cassal para pegar a Vasco da Gama e chegar no Parcão novamente. Teve ano que o trajeto passou pela João Pessoa com Salgado Filho, no coração do centro da cidade!

Pois bem. Aí o Dr. Alceu Collares fez aquele bem à cidade, construindo a Av. Beira-Rio. E isso começou a ser o fim da maratona de Porto Alegre. Porque agora o Corpa e os tecnocratas de mente estreita que dominam a cidade só sabem fazer a maratona por ali, e então vamos brincando de ir prá lá-e-prá cá pela avenida, sem ninguém no trajeto a apoiar. Uma prova no nada para ninguém ver. É o maratonista contra ele mesmo, contra seu próprio limite, literalmente levado ao pé da letra.

No final dos anos 90, início dos 2000, Blumenau era considerada a melhor maratona do Brasil. Trajeto plano, frio, tudo igualzinho a Porto Alegre. Pois ela morreu. Desapareceu. Lógico, a minha comparação não é justa, Blumenau não é uma capital de Estado, mas é para dar a dimensão do que pode acontecer no futuro. Brasília e Recife ficaram alguns anos sem ter maratona, e, olha, não havia nenhuma naquela região, que tem muito mais atrativos. Nos coloquemos na cabeça de quem é de fora: por que eu irei a Porto Alegre, se posso ir a Punta, Buenos Aires ou Santiago, que são mais ou menos a mesma distância e têm muito mais charme, são um passeio muito mais turístico?

Por mais que os corredores viajem a alguma cidade por conta da maratona, a grande massa, que não é competitiva, quer aproveitar a estada, o dinheiro gasto e fazer algum turismo, passear. Quando levava meus amigos cariocas, Zé e Maria Helena, no aeroporto, passamos pelo ônibus que faz o turismo na cidade, e então eles me perguntam por onde passava aquilo e quais os pontos turísticos. Fiquei meio sem jeito em dizer que o ônibus de turismo não para em nenhum local turístico. E ainda fiquei tentando lembrar quais seriam esses pontos... porque Porto Alegre tem Jardim Botânico, mas não é um ponto turístico como em Curitiba. E também não temos Ópera de Arame, entre outras coisas.

Temos a Redenção, mas é ponto turístico exatamente ... no domingo. E aí reside outro problema da maratona de Porto Alegre: quando está frio, ninguém sai para ver a maratona e, quando está calor, todo mundo quer aproveitar o sol e ir para algum parque: Redenção, Parcão, Marinha. E o percurso, que passa por diversos locais "longe da civilização" não contribui em nada para melhorar ou atenuar isso. Se o grande trunfo de Porto Alegre é o frio, e parece que é somente nisso que se baseiam, então ela deve ser em junho ou julho.

Outra coisa que meus amigos me relataram é que não viram obras pela cidade. Um ano se passou da vinda deles e só viram uma obra, que acharam que era um viaduto, quando estavam indo para Gramado na quinta. Aí cheguei à conclusão de que era o novo estádio do Grêmio. A única obra da cidade não é da cidade em si, não tem a mão do poder público. Ok, estou sendo injusto novamente. Há uma obra vultosa em torno do Barra Shopping, lá mesmo no local da maratona. Estão fazendo o tal "PISA". 1 ano e meio depois de entregarem o shopping, após 20 anos de os moradores da zona sul ficarem ouvindo que ele seria construído por ali, estão mexendo em tudo novamente na área, desfazendo o serviço feito anteriormente. Mas é uma obra, pelo menos...

Todos os portoalegrenses e gaúchos se orgulham de Porto Alegre. "Porto Alegre me faz tão sentimental", como diz a música-símbolo da cidade, cantada pela Isabela Fogaça. Mas é um sentimento que só quem vive aqui consegue captar e entender. Quem está de passagem não consegue ver essa beleza que vemos, essa singularidade, porque muito dela está em nós mesmos, no nosso povo, no nosso jeito de ser. Então um evento nosso é tomar chimarrão no Parcão, no Gasômetro ou na Redenção. Mas para quem vem de fora qual é a beleza disso?

A prova em si

Com todo respeito ao Paulo Silva, que é bem conceituado em matéria de organização de provas em todo o Brasil, mas a prova foi um fiasco. O revezamento pelo menos. O abastecimento estava bom, mas o percurso foi de chorar. Rústica, duplas e quartetos para um lado, octeto para outro.

Tem aquele ditado que diz: "Se dá para complicar, porque simplificar?" Se as equipes todas irão correr 42km, porque essa divisão, que acarreta mais logística, mais pessoal envolvido? Fiquei deitado horas e horas na cama pensando nessa esquisitice e só cheguei a uma conclusão: os octetos são muito competitivos e o objetivo era de que eles pudessem correr "tranquilos", com o caminho livre. Bom, mas aí alguém vai me questionar: os octetos precisam trocar a cada 5, 25km, por isso precisavam fazer trajeto diferente. Concordo, se a rústica e o restante do revezamento não tivessem passado pelo Barra com 6km e alguma coisa... porque daí é só suprimir alguma voltinha aqui ou ali que a conta fecha.


Bem, com tanto caminho para lá e para cá, é como eu digo seguidamente: tem tudo para dar errado. E, obviamente, deu. Primeiro que a quilometragem estava errada. Completamente errada. Grosseiramente errada. Imperdoável para quem organiza provas há tanto tempo.

Minha primeira volta deu 12km, a segunda encurtaram num retorno antes, daí corri 22,53 ao invés e 21,1. Vou repetir para ser chato: 22,53 ao invés de 21,1. Não, não, não são 200m a mais. Praticamente 1,5 a mais. Não sei se encurtaram a segunda volta no meio do caminho, acho que sim, pela reclamação das pessoas, ou se era previsto. Também não importa. A rústica veio junto nessa lambança. O povo correu 12 ao invés dos 10 anunciados. E, obviamente, o segundo parceiro da dupla não fez nem os 21,1. Eu até fiz dentro do planejado, que era 5 por km. Até pensei que talvez pudesse melhorar um pouco, mas saindo com 24 graus ao 8h30 da manhã fica complicado. Aliás, era para ser às 8h30, mas, mesmo com todo o intervalo da maratona para o revezamento, nem assim conseguiram largar no horário correto. Saímos com 5 minutos de atraso.

Quando estava correndo pelo km 5, pensei: se a Rústica era 10 e estava junto conosco, alguma coisa precisava acontecer para que isso desse certo. Alguma mudança perto o final. Aí tivemos outro problema: a gente passava pelo Barra, retornava na entrada da Beira-Rio (antes havia um retorno confuso só para os octetos), passava novamente (???!!!) pela frente do Barra, e, ao invés de entrarmos, íamos mais um pouco à frente para retornar e finalmente entrar no estacionamento do shopping, onde dávamos mais uma volta maluca (???!!!) e começávamos a segunda "perna" do percurso, repetindo essas idiotices novamente. Se ficou confuso entender a minha explicação é porque estava meio complicado, não?

No final dessas maluquices-excentricidades-esquisitices-burrices a gente se deparava com o povo da maratona chegando. Aí, meus amigos, era o samba do crioulo doido: tinha tanto cone e sinalização reunidos, que era uma confusão visual e, logicamente, teve gente pegando o lado direito ao invés do esquerdo e chegando pelo lado que era do revezamento. Tá certo que esses corredores também se esforçaram um pouco para fazer isso... mas é que nem eu digo para a minha funcionária do departamento pessoal: não tem que estar claro para nós, que fizemos e sabemos como funciona, tem que estar claro para quem vai receber a informação.


Esse vaivém maluco qualquer pessoa que recém começou a correr sabe que é desgaste psicológico desnecessário. Está todo mundo cansado no final, não importa a distância, e então passa na frente da chegada, mas não chega, vai adiante e retorna. Francamente, vamos respeitar as pessoas, o esforço que eles fazem, os meses de treinos para alguns. Vamos simplificar. Por que não repetir o trajeto da Meia da Paquetá, onde só houve elogios? Por que inventar? Experiência a gente faz em laboratório, com os ratos. E, ainda assim, já há uma porção de movimentos contra.

Outro ponto que eu havia chamado a atenção: o horário da maratona e do revezamento. Puxa, isso é que nem interpretação de texto. Qual é a ideia principal de um? No caso, qual é o evento maior? O revezamento ou a maratona? A maratona, lógico. Então, é dela que se deve partir para completar o resto do roteiro. Senão a gente tem o que tivemos: 2 eventos distintos feito no mesmo lugar, em que ninguém participava ativamente do outro. Terminei a minha parte no revezamento, não pude nem suspirar direito, saí para procurar quem vinha terminando e encontrei-os já no km 41. E, quando fui embora, quase 1h da tarde, tinha gente saindo para correr sem ninguém praticamente prá vê-los correr. O revezamento podia ter saído 5, 10 minutos depois da maratona. Simples assim. Aí a gente corria, terminava, e ficava vendo o resto do evento que era o mais importante do dia. Mas sabe porque não deu para ser? Porque o trajeto era maluco. Ia para um lado, voltava para o outro, passava novamente na frente da largada. Aí não dava mesmo. Exigência do shopping, será? Ora, só tem sentido se a gente pudesse parar e comprar... Vou tentar ser claro: como tudo na vida, o percurso tem que ser objetivo. Vai para um lado, volta para outro. Só uma vez, sem voltinha aqui, voltinha ali. Se não sabem fazer uma coisa simples assim, aí... bem...

E o kit? Me-dí-o-cre. Uma camiseta e nada mais. Uns folhetos e informativos. Porque não dão pares de meias, por exemplo, então? Será que não se conseguem brindes para um prova tão importante, com um parceiro forte como a RBS? Falando nela, é muito falha a divulgação de onde passará a maratona, quais ruas serão fechadas. Há uns 5 anos (ou mais), corri em Curitiba e lá havia banners da maratona nas ruas informando: "esta rua estará fechada no dia tal das 6h às 13h". Será que é tão difícil ou oneroso fazer isso?


Vou falar novamente em Buenos Aires, que já citei aqui outra vez e que é 10 vezes maior que nossa mui leal e valorosa cidade: lá a prova cruza toda a cidade, sem se preocupar com o trânsito, porque é uma questão de divulgar a cidade e motivar os corredores. Será que não imaginam que os atletas precisam de gente apoiando perto do final? E do km 35 ao 41 não se vê praticamente nenhuma mísera alma?!

Está na hora de decidirem se realmente querem a prova na cidade. De o Prefeito, secretário e sei lá mais quem ver o desejam que ela signifique. Se é para fazer uma coisa mal feita num canto qualquer, escondida, onde só quem corre se envolve, então que se abandone de vez. O trajeto tem que contemplar a participação das pessoas e os pontos principais da cidade. Não é a EPTC que deve determiná-lo para não atrapalhar a fluidez do trânsito. A cidade é maior que um órgão de trânsito. Pelo contrário, alguém tem que dizer: "O trajeto é esse, e vocês que se virem para organizar o trânsito, que é para isso que vocês estão aí." Obviamente, com um pouquinho mais de sutileza.


A maratona de Porto Alegre precisa se reciclar, isso é evidente. Não dá só para esperar que se faça frio no dia. Quando isso acontece, tudo é perfeito, ninguém vai reclamar, os defeitos passam despercebidos. Mas e quando não acontece, como há 3 anos?

No meu entendimento, a organização da prova bateu no seu limite. O Paulo Silva tem muitos méritos, foi ele que profissionalizou a coisa, organizou, colocou num outro patamar e tudo mais, só que ele não tira mais coelho daquela cartola. É preciso que se auxilie de outras pessoas que se envolvam, que tragam novas ideias (ou nem tanto assim), que deem um "Sopro de Vida", como escreveu a Clarice Lispector.

Só para exemplificar o que pode ser feito: em novembro de 2003 corri a maratona de Mônaco. Seria covardia comparar a beleza do Principado com Porto Alegre, mas nem por isso não podemos tirar ideias de lá. E isso que já faz praticamente 8 anos. Quase uma década. Foi a melhor maratona que já fiz. Era recém a 7ª edição dela (foi a 28ª de POA...). Pois bem. Todo mundo que era de fora, eu, por exemplo, era chamado para participar do que eles chamavam de "loteria". Sorteavam um brinde qualquer para todos que não eram da França ou Itália (Mônaco fica entre os dois e a prova cruzava ambos). Isso não pode ser feito por aqui para atrair mais corredores do Uruguai, Argentina, Chile, etc?

Lá em Mônaco, durante os 42 km da prova passei por inúmeras bandas tocando. Isso existe em diversas provas pelo mundo todo. Pois aqui não temos público, banda tocando e nem o frio tem aparecido. Ou Porto Alegre muda, ou daqui a alguns anos a maratona não passará de uma mera lembrança de quem um dia participou.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Uma cirurgia, o retorno e a maratona

Depois da prova de Gramado (post abaixo), tive que parar por conta de uma cirurgia. Havia ido no médico na sexta anterior à prova, e ele decidiu realizar a brincadeira no sábado seguinte. Embora tenha me assustado antes de consultá-lo, não era nada de grave, mas tinha que ser feito. Isso me tirou da maratona.

Somente 3 semanas depois voltei a correr, numa quinta, 8 km com a Bruna. No sábado, tínhamos treino coletivo e preparatório para a Maratona de Porto Alegre, lá no Lami, extremo sul da cidade. O Dani queria que eu corresse 22 km. Eu disse: "Bem capaz. 15 quando muito." Mas acompanhei a Bruna, que ia fazer 35. Lá pelo 12 estava difícil, pois no 17,5 tínhamos que voltar e chegar lá parecia uma eternidade.

Mas cheguei. E voltei. E parece que tudo recomeçou quase do zero. Me entusisasmei, embora algumas dores decorrentes da parada de 3 semanas. E só fui abandonar e dizer que não dava mais para a Bruna no km 30.


Talvez por conta desse esforço desmedido, durante a semana fiquei meio doente. Não corri nenhum dia. No sábado, a Bruna me chama para acompanhá-la no treino, que precisava ser de 2h40. No km 20 abandonei. Ela fez super bem o resto, mas eu senti a fraqueza por ter ficado doente. Ainda tomei um Dorico pela manhã. Sem ele, talvez nem conseguisse fazer 20.


Na terça seguinte, corri apenas 7 km. De forma alucinada, como se pode ver nos dados do Garmin abaixo.


Na quinta, mais um treino com a Bruna. Ela reclama no início que não está num bom dia, se sente fraca, paramos para um abastecimento no km 5 e depois no km 10, onde ela devora 2 bolinhos da Nutrella. Parece que aquilo deu um gás fora do comum, porque resolveu enlouquecer e correr muito, não importando se era plano ou subida. E eu comecei a sentir o treino.

Lá pelo km 12, quando começa a descer, peço a ela que desligue o turbo, mas é em vão. Os quilômetros se seguem, cada um mais rápido que outro, até que finalizamos o treino, 19 km, fazendo o último km a 4:30. Na verdade, eu sempre insisti com ela que treino devia ser assim mesmo: tentando terminar mais forte do que estava antes. Acostumar o corpo a não morrer no final e sim acelerar. Claro, nem sempre dá. Mas a intenção é tentar.




Bom, para ela, foram ótimos treinos. Para mim, eu diria: não façam nada do que eu fiz. Foi como disse a ela quando corri os 30 km: não vou correr a semana inteira, azar, pois não vai me fazer diferença, vou descansar depois. Mas, de certa forma, tudo foi errado. Quando a gente retorna, tem que começar devagar e ir subindo quilometragem e velocidade aos poucos, para evitar lesões. Tem que ser gradual. Mas assumi o risco.

Hoje, o cara da NET está aqui no escritório até agora, 20h15, e estragou o meu treino. Tentarei compensar amanhã talvez, senão só quinta mesmo. E domingo teremos a grande festa da Maratona. Correrei em dupla, serei o segundo. O revezamento sai mais tarde do que o pessoal da maratona e isso, sinceramente, pode ser por questão de logística, mas está tirando a chance de as pessoas do revezamento poderem acompanhar quem está na maratona. Quando eu terminar os meus 21 km, o povo da maratona talvez já a tenha terminado há quase uma hora. Perco a prova dos outros, que é a principal do dia, e ainda não tenho ninguém para me ver chegando. Sem comentários.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Gramado Adventure Running 2011

Fim-de-semana passado teve a Gramado Adventure Running, que, como quase todo mundo sabe, é organizada pelo meu treinador, Daniel Rech, e sua empresa, a Running Company.

Certamente, é uma das melhores provas do RS, se não a melhor. Nesse ano, os percursos ficaram mais aventureiros, entramos mais no meio do mato, e os trechos que andavam pela Av. das Hortênsias, que liga a Canela e ao Parque do Caracol, foram praticamente suprimidos. Restou pouco asfalto nos trajetos. O que foi bom, no meu ponto de vista, pois acrescenta mais charme à prova.

Em relação ao ano passado, os percursos também diminuíram. Eram 8, ficaram 6. Do ponto de vista de logística, atrapalhou um pouco a distribuição deles dentro da equipe. A melhor distribuição de percursos é sempre intercalar um com outro, ao invés de dobrar os trechos, como alguns fazem e fizeram. Assim fica menos cansativo. Só que, por exemplo, quem corria de dupla, ficava num dilema: um corredor fazia 23 km; o outro, 31. E, ainda por cima, os 31 eram os mais difíceis. No caso dos trios, mesmo problema. Bom, mas isso é uma questão interna das equipes, que cada um resolve do jeito que melhor lhe convier. É a introdução para a desculpa que vou dar mais à frente.

Bem, no sábado, 18h, houve um simpósio no Hotel Serra Azul, onde grande parte dos corredores ficou hospedada, e onde foi entregue o kit da prova, que tinha uma camiseta bem legal, sacolinha esportiva, instrução de como chegar nos pontos de troca, e alguns pequenos brindes.

Mais tarde, a maioria de nós da EDR foi jantar no Il Piacere, que, para mim, foi caro e insuficiente. De qualquer modo, comer bem e barato em Gramado não é exatamente fácil. Ou se consegue uma coisa ou outra.

A minha equipe era trio misto, com a Bruna e a Bina. Já tínhamos combinado desde fevereiro que correríamos juntos, coisa que nunca fizemos os 3 ao mesmo tempo. Claro que sabíamos que seria dureza, já que acho que quase todos (ou todos) os trios tinham 2 homens e 1 mulher. Aliás, muita gente pensou a mesma coisa: colocar uma mulher no trio para tentar ganhar, de modo que uma das categorias mais disputadas era trio misto (15 equipes). Enquanto isso, por exemplo, sexteto masculino teve somente 5 equipes, menos que o sexteto feminino, que tinha 7.

As gurias decidiram vir somente na manhã de domingo mesmo, e, levando-se em consideração que eu já sabia que a tarefa de alcançar o pódio era hercúlea, relaxei, bebi vinho no jantar e depois espumante no saguão do hotel. Atirei-me nas cordas totalmente. E eis aqui o único porém em relação à prova: ela tinha que ser no sábado, pois as pessoas podem aproveitar antes e confraternizar e beber depois. Sei que houve contratempos que impediram isso, e o Dani fez o que foi possível, mas foi uma pena que a prova foi domingo ao invés de sábado.



Domingo pela manhã, tudo quase pronto, sol abrindo, uma brisa fresca ainda. A Bruna fazia o primeiro trecho, que fez em cerca de 29 minutos, mais ou menos 1 minuto melhor que ano passado, mas numa boa média de 4:30 e poucos por km. Passou a vez para mim, para repetir o trecho 2 do ano passado. Não lembrava, sinceramente, que era tão duro. Não sei se a vitória me fez apagar, se corri menos despreocupado ou sei lá o que, sei que considerei muito mais complicado nesse ano. Largávamos subindo, logo em seguida descíamos, dobrávamos à esquerda e novamente à esquerda. Alguns se perderam nesse ponto (Dalilaaaa!), embora estivesse sinalizado, mas creio que tem a ver com a questão de prova de aventura: a gente cuida muito o chão, para não tropeçar e cair, e nem sempre olha tudo ao redor.

Havia um boa subida no meio do mato, que estava escorregadia pela umidade da manhã e por causa das folhas. Acho que um pouco antes do km 3 começávamos a descer. O Mário me disse mais tarde que vinha logo atrás e que eu enlouqueci nesse trecho, pois comecei a descer alucinado. E foi isso mesmo. Havia 2 guris na minha frente, achei que estavam me atrapalhando um pouco, e resolvi passá-los. Depois que passei, o jeito era abrir distância para eu não atrapalhá-los. Então, desci soltando as pernas. Torci o pé duas vezes de leve, quase caindo, e teve uma curva que por pouco não deixei de fazer, mas, entre trancos e barrancos, consegui sair ileso de dentro do mato e pegar a estrada para começar a subida. E que subida. Não terminava nunca. Asfaltaram um bom pedaço em relação ao ano passado, mas não adiantou muito, já que as subidas não diminuem por causa de uma camada de hidrocarboneto...



Achei muito pior que a subida do trecho 5 da São Chico Eco Running. Porque lá tinha 1km de subida, e aqui a gente fazia uma curva, achava que terminava e nunca terminava. Mal respirava, começava tudo de novo. Queria agradecer muito ao Túlio e ao Ciro por uma preciosa água num dos tantos momentos de subida. Mas, no final das contas, mesmo sofrendo muito, ou talvez por isso, fiz melhor que em 2010. Lá tinha feito em 55:15 e agora em 54 minutos cravados. Então, passei para a Bina, que fez o trecho 3, de 9,5 km, em 47 minutos, mega bem.

Mas... ano passado, depois desse trecho para mim, havia o buraco no Vale do Quilombo. Dava para descansar descendo. Depois havia uma subida forte, mas não sei se teve a ver, comecei a correr no trecho do Parque da Ferradura (que era o trecho 6 no ano passado) sofrendo muito mais que ano passado. O coração batia adoidado, se usasse monitor, devia estar em 190, 200 bpm. Desse jeito, por mais lento que estivesse não conseguia acertar a respiração, as coisas não coordenavam direito, e tentei me "poupar" na ida para tentar recuperar na volta. No início havia uns 2,4 km de subida que fui pensando neles quando voltasse. Só que quando retornei no meio do trajeto, vi que jamais conseguiria, pois estava extremamente cansado e sofrendo muito, tanto que várias pessoas me passaram fácil (10 no total em 12,16 km). Nesse trecho acho que poderia haver mais um ponto de água, pois o sol já castigava a essa altura do campeonato e ele era longo, mas, também, tinha muito a ver com a minha preparação, ou falta dela, no caso. Não consegui achar a resposta para o mau desempenho, se foi o pouco descanso entre um trecho e outro (35 minutos), se foi o vinho e a champanhe da noite anterior, as duas horas na piscina, se foi o churrasco do aniversário do meu irmão na sexta, se foi nervosismo por ser o único homem da equipe, se foi apenas um dia ruim. Acordei em casa na segunda, todo dolorido como se tivesse sido hipoteticamente atropelado por um caminhão e fui me pesar. Quem sabe essa era a desculpa: engordei no fim-de-semana comendo e estava uns 2 quilos a mais do que o peso normal, o que teria afetado o desempenho. Mas nem isso foi. Estava pesando 1kg a menos do que sábado pela manhã.


Pois no final do trecho 4 havia aqueles 2,4 de descida. Quando fui, pensei: vou tentar correr a 4:30 nessa descida, mas, na prática, mal consegui fazer 5 por km, que parecia que estava fraco, quase caindo sem forças. Um único momento bom foi quando o Bira passou por mim e ainda pude fazer uns 400, 500m seguindo o ritmo dele, mas depois ele se foi também e eu fiquei extenuado como já estava antes. Quase chegando no Parque do Caracol, uma menina e um cara me passam, mas caminham logo em seguida na subida, o que me faz ultrapassá-los, já que falta pouco para o fim do trajeto e eu ia tentar recuperar o tempo perdido. Logo que começou a descer no asfalto, avisto a Bruna me esperando para puxar os últimos metros, e o Gabriel, meu filho, também vem junto. E, olha, foi difícil acompanhar os 2 naquele ritmo... Fechei o trecho da Ferradura complemante ferrado em 1h12.


Passei a vez para Bina, que fez o trecho dela, de mais ou menos 7,5 km, em 38 minutos e um pouquinho, média de 5:15/km, muito bem mais uma vez. Aliás, a Bina, está correndo muito e certamente fará uma excelente maratona de Porto Alegre. Tinha combinado com a Bruna de correr o último trecho (6) com ela, mas, dadas as minhas condições, abdiquei de acompanhá-la, pois, certamente, eu ficaria para trás e só atrapalharia. A Danuse, que estava com a corda toda no dia (fez 1:06 no mesmo trecho que eu), me substituiu, com substancial ganho e, sem a ajuda dela, certamente a Bruna não faria tão bem. No final das contas, pouco depois das 14h, o Dani começou a anunciar a chegada dela, em 56 minutos para o trecho, e eu e a Bina fomos acompanhá-la nos metros finais, o que gerou a foto abaixo.

Dos 15 trios mistos, ficamos em 8º lugar, o que não foi nada mau, levando-se em consideração que tínhamos 2 mulheres na equipe e estávamos em desvantagem em relação aos demais. Se bem que, no nosso caso, o homem é que prejudicou um melhor desempenho... rá, rá. Se eu tivesse feito mais ou menos a mesma média do ano passado no trecho da Ferradura, disputaríamos o 5º lugar, que chegou 11:27 na nossa frente. Chegamos também na frente de 8 trios masculinos do 22 que correram, o que foi significativo. Na verdade, grande parte do sucesso ou fracasso das equipes de revezamento tem a ver com a distribuição dos trechos. Não dá para dobrar trecho nessa prova, por exemplo. E é preciso saber qual a melhor contribuição que cada um pode dar para sua equipe. Na nossa equipe, tivemos uma imensa dificuldade em decidir os trechos, pois nenhuma das duas queriam fazer o trecho da Ferradura (a Bina tinha feito ano passado e sofreu muito) e nem eu, se fosse possível...

Como não foi possível, alguém precisava correr o trecho, encarei o desafio, e dividimos o resto de modo que as duas pudessem ir o melhor possível, o que acabou acontecendo, correram maravilhosamente bem. Tivemos uma boa disputa com um trio masculino da EDR, composto pelo Duda, Ricardo e Claiton. Eles saíram na frente no 1º trecho, eu passei o Ricardo no 2º, o Duda buscou a Bina no 3º, e chegou pouquinha coisa antes no posto de troca para a Ferradura, onde o Claiton correu super bem e tirou 12, 13 minutos de diferença que mais ou menos se mantiveram até o final.

Ficamos felizes com nosso desempenho geral e por termos corrido juntos pela primeira vez. Ano que vem talvez as gurias encarem uma dupla. Nas duplas mistas, o Mário e a Nara conseguiram subir em 2º no pódio, também pelo mau desempenho do 3º colocado no trecho da Ferradura, onde o Mário tirou a diferença e tomou a segunda colocação dele.

Às 16h, começou a Gramadinho, a corrida para os pequenos e os ainda não grandes. Mais uma vez, foi o melhor da festa. É muito legal e comovente ver a criançada envolvida, saindo para correr, seja pela brincadeira, seja para tentar "vencer". O Gabriel também correu, mas sofreu porque tem umas crises de asma quando corre e então tem que parar para respirar melhor. Ele não estava inscrito, mas com o clima, e depois da palestra do Daniel no Hotel, ele acabou querendo correr e estava bem feliz depois com a medalha.



Por enquanto é só. Em setembro, nova prova em Gramado, 10 Milhas Noturnas. Antes disso, Maratona de Porto Alegre, dia 22 de maio.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Revezamento da Colônia


Não contei como foi o Revezamento da Colônia, em Caxias. Foi pedreira. O percurso não era fácil. Nada fácil. Saía dos pavilhões da Festa da Uva, andava 8km e retornava. Isso quer dizer que os 4 primeiros eram mais ou menos fáceis, pois desciam, e o retorno era sofrido. Eu corri o 3º trecho.
Consegui manter um bom ritmo nos 3 primeiros km, mas o 4º foi de chorar, mais de 6:00/km. É horrível a sensação de a gente estar terminando a prova numa subida, no meu caso, 1km inteiro de subida. É a hora do sprint, mas como é que vai sair um sprint desse jeito?

Como era de prever, não ganhamos nada, já que a prova oferecia premiação em dinheiro, e isso atrai pessoas bem mais competitivas que nós da EDR. Não dá prá se ter tudo na vida.

Quanto ao kit, algumas considerações: a medalha era "meia-boca", simplória. A camiseta era de um bom tecido, mas quiseram dar um "toque de uva" nela, colocando detalhe só nas bordas (gola e costuras), deixando o resto branco, e isso gerou um leiaute meio esquisitivo. Antes ela fosse toda cor de uva. Fica a sugestão para o ano que vem. Havia também uma camiseta de algodão e um boné da Caixa. E vários informativos sobre a cidade, o que considerei bem salutar.

Depois fomos a Bento almoçar na Casa Valduga, o que foi bem legal, embora nossos guias turísticos não entendessem tanto da região...

Domingo, tem a 1ª etapa do Circuito das Estações da Adidas. Como já havia adiantado em post do ano passado, não irei participar. E, dia 1º de Abril, tem a Gramado Adventure Running, que farei fazer em trio, com a Bruna e a Bina.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Imprevidência e Rústica no fim-de-semana


Ontem corri naquela noite abafada. Fiz 14 km. Fui imprevidente, esqueci de carregar o GPS, e, no final das contas, acabei sem saber o ritmo. Com 6 minutos ele apagou. Presumo que tenha sido um pouco abaixo de 5:00/km, em função do meu tempo de saída e chegada.

Mas isso não vem muito ao caso. Eram 19h33 quando cheguei no entroncamento do Barra, onde dá 7km, e faço a volta. De lá, até a Ipiranga, são 3km. 3.000 metros com pouquíssima ou nenhuma iluminação, exceto defronte ao Parque Gigante do Inter. Está há 2 anos assim. Li reportagem dizendo que eles colocam a iluminação e logo em seguida ela é furtada. Bem, eu corro quase sempre terças e quintas por ali e nunca vi a tal iluminação. Devo ser azarado mesmo, que o povo rouba sempre nesse meio tempo entre colocarem e a minha corrida.

Pois recém havia passado pelo PG e avistei uma guria que corria naquela escuridão. Logo adiante, outra. Essa última estava correndo e começou a caminhar. Ambas com fones de ouvido. Fiquei pensando: "Puxa, que perigo correrem aqui, sozinhas, e ainda ouvindo música. Uma pessoa se aproxima e elas nem percebem." A segunda corria pela "parte de dentro", onde há asfalto, mas que é próxima do matagal que beira o rio. Eu não corro por ali, pois acho perigoso. A qualquer momento pode sair alguém do meio do mato e pode ser que ninguém te note ser atacado, pois é distante da avenida, mais longe dos olhos dos motoristas que estão passando.

Quase parei a moça e falei para ela que era perigoso correr por ali, naquela escuridão, e perto do mato. Mas depois pensei que ela podia ainda me xingar, dizendo que eu não tinha nada a ver com isso... Bem, cada um sabe onde aperta o sapato.

Há uns anos, a Janice Boff, uma corredora daqui, vinha mais adiante, quase na esquina da Ipiranga, onde já é mais iluminado, e um vagabundo atacou-a. Eu vinha uns 50 metros atrás dela. Era inverno. No instinto do susto, ela gritou e correu em direção à avenida, atravessando-a. Isso na hora do pico, 18h30. Não sei como não morreu atropelada.

Pois as duas moças, ambas com fones de ouvido, estavam ali correndo riscos desnecessários. Sem iluminação e naquele local ermo, é que nem digo seguidamente: tem tudo para dar errado. Sei que todo mundo quer fazer o seu exercício e fica chato ir e voltar em trajetos menores, mas é muito arriscado para mulher correr sozinha por ali, naquela hora.

Um pouco mais à frente, na rótula do "Monumento das Cuias", três ciclistas passam. Só 1 deles tinha iluminação na bicicleta. Eu sei que pode não parecer bonitinho uma lâmpada piscando numa bike
speed, mas não é uma questão de beleza, é de prudência, bom senso e segurança. Os motoristas estão preparados para verem outros carros no trânsito, não um cara numa bike sem nenhuma sinalização, pedalando à noite. Na boa, quem pedala de madrugada ou à noite sem uma boa sinalização na bike está, sinceramente, tentando o suicídio. Depois não adianta chorar que os motoristas não respeitam o ciclista, se ele não faz o básico para si mesmo.

Sem querer fazer terrorismo, mas vamos se precaver um pouquinho mais, para evitar que aconteça o pior.

Por fim, no final de semana, domingo, a Equipe Daniel Rech (EDR) estará presente na Corrida de Revezamento Caminho das Colônias, em Caxias do Sul. Iremos lá com 3 quartetos mistos, uma dupla feminina e uma no indivdual de 16km. O trajeto, pelo que parece, é pedreira, mas o mais importante nessas corridas de revezamento mesmo é a função, o espírito de equipe, a adrelina da troca nos postos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Retomando os treinos

Depois do fracasso da "missão TTT", voltei a correr nessa semana. Na verdade, havia corrido domingo pela manhã, na praia, uns 25 minutos, presumo, já que não levei relógio. Cansei no final, achei que abusei do ritmo e senti um pouco de fraqueza, como se ainda não estivesse plenamente recuperado.

Na terça, fiz 10 km e, na quinta, mais 10. Era para ser 12, mas acabei forçando o ritmo e não aguentei, tive que abreviar o trajeto. No primeiro caso, o percurso era plano; no segundo, pelo centro da cidade, com algumas subidas e descidas. Fiquei contente com o resultado, pois na terça corri a 4:37/km e quinta a 4:50/km, e fazia algum tempo que não corria abaixo de 5 minutos por km, já que estava treinando mais distância e menos velocidade. Não sabia como me comportaria numa distância menor. Mas foi bom, bem bom, melhor do que imaginei.

Tomara que dê para ir melhorando daqui até maio, que é o próximo grande objetivo, na nossa maratona. Vou tentar bater meu recorde, que é 3h11.




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não deu


Bem, não foi possível completar os 82 km da TTT no sábado. Tentei, mas parei no km 34, 3º posto de troca (eram 8).

A largada foi às 6h da manhã, ainda escuro, e houve alguns trechos em que era meio complicado de enxergar onde pisávamos. Saí dentro do previsto, fazendo 6:00/km até o km 26, como se pode ver no anexo abaixo (Garmin). O Duda me ajudou bastante, correu comigo até o km 22, que era onde havia o 2º posto de troca (em Rondinha).


A partir do 1º posto de troca, o Júlio argentino nos auxiliou de bike e isso, em parte, me quebrou... Explico: o programado era a Betinha, uma loirinha de olhos verdes aparecer, mas, ao invés disso, aparece um argentino... Não tem psicológico que aguente!


Brincadeiras à parte, o "Rúlio" ajudou bastante, tentou diversas vezes me animar, dar força, prometeu mundos e fundos (que as meninas iriam cumprir...), mas não teve como. As pernas não respondiam. Senti-as muito pesadas na parte detrás das coxas, aí o cansaço fazia perder a postura e então as costas doíam, o pé dentro do tênis começou a ficar diferente do normal, bater errado e, lá pelas tantas, comecei a sentir uma dor de cabeça preocupante. E nem estava calor ainda. Embora abafado, não devia estar mais que 27 graus. Depois, sim, que a coisa ficou punk.

Como o ritmo caiu de 6 para 7:30/km (km 31), ficou impossível de administrar esse sofrimento, faltando ainda quase 50 km para o fim da prova. Seria chegar destruído, caminhando metade da prova somente por causa de uma medalha. Sofrimento maior que prazer. Não estou na corrida por isso. No km 34, portanto, 3º posto, abandonei. Lógico que fiquei frustrado, bastante chateado na hora, mas a gente tem que saber a hora de parar. Faz parte da maturidade esportiva. Não é feio desistir, mas é preciso saber lidar com a frustação, como disse o Daniel.




Agora, por que deu errado?

O dia de hoje explica muito coisa. Evidente, que existe um somatório de coisas, nunca a gente fracassa por um único motivo. Mas o principal foi que hoje estou doente de novo. 3ª vez em 1 mês. Febre de 38º, dor no corpo, nas pernas tal qual senti quando tive que parar. Quando abandonei, como disse antes, estava com dor de cabeça. Tive que tomar um remédio depois que desisti da prova. Estou no paracetamol novamente. E, desde lá, perdi a conta do número de vezes que tive que ir ao banheiro até hoje.

Minha teoria, que me parece bastante plausível, é que não me recuperei bem de nenhuma das duas vezes em que fiquei doente, dia 11 e dia 21. Então, mesmo com ajuda de nutricionista, o corpo debilitado não teve reservas suficientes e fui perdendo as forças até que me arrastei a 7:30/km. Não me ocorreu isso na hora, mas pensando agora, todas as vezes que quebrei por cansaço físico jamais corri a 7:30, normalmente girou em torno de 6:30 por km.

Outro aspecto importante é que aquelas duas vezes doente estragaram todo o planejamento. Fiz 30 km numa semana e 27 km na outra, quando deveria fazer em torno de 80 em cada uma. Não há milagre desse jeito. E, claro, corria debilitado, sem me recuperar, mas não tinha muita saída: ou desistia sem tentar, ou ia à luta correndo, que achei mais adequado. Desse modo, como já tinha relatado em outro post, treinei menos do que deveria. Achei que podia chegar em Capão (km 55) ainda correndo a 6:00/km e depois terminar "na cabeça".

Outra questão é que o sono na semana da prova foi ruim nos últimos 3 dias. Embora eu estivesse atento a isso há tempos, chegou na hora abandonei a programação. Primeiro, jogo do Grêmio, quarta, depois janta e entrega dos kits, quinta, e, por último, chegada tarde na praia. Dormi 4h45 na véspera. Tudo isso contribui negativamente, claro, mas não mudaria o panorama da prova se fosse diferente, apenas me levaria uns quilômetros à frente.

Quinta, antevéspera da prova, comecei a ficar muito tenso, com dores nos ombros e nas pernas, provavelmente pelo nervosismo da prova. É, eu sei que disse que não ficava nervoso para as provas (a única vez que me lembro foi num revezamento em que corria míseros 5 km), mas creio que rolou uma tensão forte, ainda mais com a correria de deixar tudo sem pendências no serviço para poder viajar depois do meio-dia de sexta.

No final das contas, me chamou atenção o tempo das únicas duas mulheres que terminaram: a Lu Sant'ana e a Márcia Lima, que fizeram respectivamente em 8h28 e 8h51, o que mostra que era perfeitamente viável minha meta de 8h30, pois elas normalmente chegam perto ou pouco atrás de mim nas provas.

Queria agradecer muito a todos da EDR (e agregados) que ajudaram de qualquer forma, seja pedalando, na torcida, tentando participar, dizendo alguma palavra de apoio antes, durante ou depois da prova. Sem vocês, jamais poderia ter sonhado em terminar. É esse espírito de solidariedade que faz uma equipe.

Enquanto tudo dava certo e parecia que realmente daria até o final, era das coisas legais que disseram e fizeram que lembrava, e encontrava nelas a força para seguir em frente, mas depois ela foi sumindo, sumindo, sumindo...

Não deu, não deu, faz parte. A gente aprende para errar menos na próxima.



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