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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não deu


Bem, não foi possível completar os 82 km da TTT no sábado. Tentei, mas parei no km 34, 3º posto de troca (eram 8).

A largada foi às 6h da manhã, ainda escuro, e houve alguns trechos em que era meio complicado de enxergar onde pisávamos. Saí dentro do previsto, fazendo 6:00/km até o km 26, como se pode ver no anexo abaixo (Garmin). O Duda me ajudou bastante, correu comigo até o km 22, que era onde havia o 2º posto de troca (em Rondinha).


A partir do 1º posto de troca, o Júlio argentino nos auxiliou de bike e isso, em parte, me quebrou... Explico: o programado era a Betinha, uma loirinha de olhos verdes aparecer, mas, ao invés disso, aparece um argentino... Não tem psicológico que aguente!


Brincadeiras à parte, o "Rúlio" ajudou bastante, tentou diversas vezes me animar, dar força, prometeu mundos e fundos (que as meninas iriam cumprir...), mas não teve como. As pernas não respondiam. Senti-as muito pesadas na parte detrás das coxas, aí o cansaço fazia perder a postura e então as costas doíam, o pé dentro do tênis começou a ficar diferente do normal, bater errado e, lá pelas tantas, comecei a sentir uma dor de cabeça preocupante. E nem estava calor ainda. Embora abafado, não devia estar mais que 27 graus. Depois, sim, que a coisa ficou punk.

Como o ritmo caiu de 6 para 7:30/km (km 31), ficou impossível de administrar esse sofrimento, faltando ainda quase 50 km para o fim da prova. Seria chegar destruído, caminhando metade da prova somente por causa de uma medalha. Sofrimento maior que prazer. Não estou na corrida por isso. No km 34, portanto, 3º posto, abandonei. Lógico que fiquei frustrado, bastante chateado na hora, mas a gente tem que saber a hora de parar. Faz parte da maturidade esportiva. Não é feio desistir, mas é preciso saber lidar com a frustação, como disse o Daniel.




Agora, por que deu errado?

O dia de hoje explica muito coisa. Evidente, que existe um somatório de coisas, nunca a gente fracassa por um único motivo. Mas o principal foi que hoje estou doente de novo. 3ª vez em 1 mês. Febre de 38º, dor no corpo, nas pernas tal qual senti quando tive que parar. Quando abandonei, como disse antes, estava com dor de cabeça. Tive que tomar um remédio depois que desisti da prova. Estou no paracetamol novamente. E, desde lá, perdi a conta do número de vezes que tive que ir ao banheiro até hoje.

Minha teoria, que me parece bastante plausível, é que não me recuperei bem de nenhuma das duas vezes em que fiquei doente, dia 11 e dia 21. Então, mesmo com ajuda de nutricionista, o corpo debilitado não teve reservas suficientes e fui perdendo as forças até que me arrastei a 7:30/km. Não me ocorreu isso na hora, mas pensando agora, todas as vezes que quebrei por cansaço físico jamais corri a 7:30, normalmente girou em torno de 6:30 por km.

Outro aspecto importante é que aquelas duas vezes doente estragaram todo o planejamento. Fiz 30 km numa semana e 27 km na outra, quando deveria fazer em torno de 80 em cada uma. Não há milagre desse jeito. E, claro, corria debilitado, sem me recuperar, mas não tinha muita saída: ou desistia sem tentar, ou ia à luta correndo, que achei mais adequado. Desse modo, como já tinha relatado em outro post, treinei menos do que deveria. Achei que podia chegar em Capão (km 55) ainda correndo a 6:00/km e depois terminar "na cabeça".

Outra questão é que o sono na semana da prova foi ruim nos últimos 3 dias. Embora eu estivesse atento a isso há tempos, chegou na hora abandonei a programação. Primeiro, jogo do Grêmio, quarta, depois janta e entrega dos kits, quinta, e, por último, chegada tarde na praia. Dormi 4h45 na véspera. Tudo isso contribui negativamente, claro, mas não mudaria o panorama da prova se fosse diferente, apenas me levaria uns quilômetros à frente.

Quinta, antevéspera da prova, comecei a ficar muito tenso, com dores nos ombros e nas pernas, provavelmente pelo nervosismo da prova. É, eu sei que disse que não ficava nervoso para as provas (a única vez que me lembro foi num revezamento em que corria míseros 5 km), mas creio que rolou uma tensão forte, ainda mais com a correria de deixar tudo sem pendências no serviço para poder viajar depois do meio-dia de sexta.

No final das contas, me chamou atenção o tempo das únicas duas mulheres que terminaram: a Lu Sant'ana e a Márcia Lima, que fizeram respectivamente em 8h28 e 8h51, o que mostra que era perfeitamente viável minha meta de 8h30, pois elas normalmente chegam perto ou pouco atrás de mim nas provas.

Queria agradecer muito a todos da EDR (e agregados) que ajudaram de qualquer forma, seja pedalando, na torcida, tentando participar, dizendo alguma palavra de apoio antes, durante ou depois da prova. Sem vocês, jamais poderia ter sonhado em terminar. É esse espírito de solidariedade que faz uma equipe.

Enquanto tudo dava certo e parecia que realmente daria até o final, era das coisas legais que disseram e fizeram que lembrava, e encontrava nelas a força para seguir em frente, mas depois ela foi sumindo, sumindo, sumindo...

Não deu, não deu, faz parte. A gente aprende para errar menos na próxima.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Pronto ou não, lá vou eu!

Queria estar melhor preparado do que estou. Disse para a Simone, minha nutricionista, que só correria a TTT se estivesse bem preparado. Não estou como gostaria de estar.

Fiquei 3 meses parado por conta das dores nas panturrilhas. Voltei em setembro, caí, fraturei a costela, fiquei mais um mês parado, retornei na metade de outubro. Novembro fiz a meia da Paquetá, depois fui inventar de jogar futebol e as dores nas panturrilhas voltaram. Fiquei uns 10 dias que não conseguia correr quase nada. Meia hora e estava morto de dores.

Meti gelo, óleo de arnica, vitaminas. Melhorou. Entrei em férias depois do Natal, corri legal pela praia, ainda que um pouco sofrido. Evoluí bastante depois, mas gostaria de ter feito mais quilometragens antes, uns 15, 20 dias antes. Nem tantos kms, mas mais vezes 24 km, por exemplo. Gostaria de estar correndo 30 km a 5 por km. Isso para mim seria estar bem treinado para com folga fazer 65 km a 5:30/km. Mas não fiz. Azar.

De qualquer forma, sábado é a TTT. Pronto ou não, não tem mais volta. Está mais do que na hora de fazer a prova, porque peguei infecção na bursa do cotovelo esquerdo 20 dias atrás. Outro dia fiz 6 tiros de 2 km e depois fomos jantar. E eu estava com dificuldade de urinar, ardência, urina turva, porque provavelmente, apesar de todo meu cuidado com a hidratação, nessa época quente a perda de líquidos é muito forte e "estoura" na urina, numa pedra nos rins... Aí quinta fiz 15km fortes e acordei no outro dia com um gripão daqueles que dói no corpo todo e abate a gente. Fiquei assim até domingo. Faltando 15 dias para a prova... Segunda melhorei, terça e quarta corri direitinho, mas pouco.

Tudo isso indica que estamos em reta final de treinamento e que o momento de fazer a prova é agora, antes que outras coisas apareçam... Porque, como disse a amiga da Bruna: "isso é insano". Por mais que treinemos adequadamente, é uma agressão ao corpo, um excesso que cometemos e que ele não está preparado para suportar. Não de forma pacífica.

Sábado, termina tudo isso. Finalmente. Duas semanas seguidas ficando doente abalaram um pouco a confiança, me deixaram preocupado se realmente não seria um martírio participar, envolver uma cambada de gente para não conseguir completar. Parte dessa cambada também não está dizendo aquelas palavras de apoio que eu gostaria de ouvir...

Não estou exatamente nervoso, porque não fico nervoso com maratonas e provas, acho que nunca fiquei, do tipo perder o sono e tal, mas há, claro, uma excitação pela expectativa (e essa preocupação) de como será a prova, como me comportarei depois dos 50, 60 km... como será o sofrimento.


Mas, aconteça o que acontecer, sábado à noite será hora de brindar com champanhe junto ao povo da EDR lá em Remanso. Se não der, não deu, ficarei frustrado, mas faz parte. A gente só acerta ou erra, se tentar. Não dá para se entregar, sem nem ao menos lutar.

Semana que vem conto com foi.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Falta 1 mês

Primeiramente, Feliz 2011. Tomara que seja um ano melhor para a maioria de nós. Espero que tenham passado uma boa virada. A minha foi super legal, com a turma da equipe na praia de Remanso, ao lado de Xangri-lá.

Daqui a exatamente um mês, estarei correndo a TTT, travessia Torres-Tramandaí, na modalidade solo, totalizando 82 km. A ideia é correr a 5:30/km até o km 65 e depois ver o que acontece. Dá para chegar em 8h30 se tudo correr conforme o planejado.

Na semana pós-Natal, fechamos o escritório e estive na praia descansando. Fiz 2 bons treinos por lá, dentro do possível. Na terça, 28, corri 22km em 2h02. Deu 5:32/km de média. Tentei correr 24, mas cansei no final e não tinha saco de encarar as subidas dos últimos 2 km. Saí às 10h10 prá correr. Dia quente, sol relativamente forte, mas não abafado, que é o meu grande temor.

Na quinta, 29, o dia estava "feio". Para praia. Porque, sem sol brilhando intensamente, a umidade estava alta, e então com 5km eu já estava completamente encharcado. Havia chovido no dia anterior, e a areia da praia estava bastante fofa. Foi um grande teste para a TTT. Consegui manter 5:30/km nos 13 km de ida, mas a volta... Complicou. Além da areia fofa dificultando as coisas, havia um vento terrível. Não iria conseguir manter a média. Pensei: "vou correr lento, mas fazer o treino." Azar. Foi isso que aconteceu. Melhor esquecer a média por km e focar no tempo correndo, que foi o que me restou. A média caiu bastante, já que além do vento, havia o cansaço gerado pela umidade alta da ida. Fiz 6:30 por km na volta. No mesmo tempo que fiz 22 na terça, fiz apenas 20 km. Mas desta vez encarei os últimos 2km, mesmo em subida, porque ali o vento cessou, e pude até fechar o 26º em 4:59. Bom, em termos gerais.

Findo o treino, peguei a estrada para me juntar ao pessoal da equipe na praia de Remanso. Fui o primeiro a chegar lá. No dia seguinte, fizemos uma grande festa da virada e no dia 1º um treino "cura-ressaca". Não deu para correr muito tempo, pois começamos quase 19h. Havíamos almoçado tarde, e, no primeiro trecho na beira da praia (repeti 2x), o almoço + o sorvete começaram a dar um desconforto terrível. Tive que fazer um pit stop no nosso QG para prosseguir o segundo trecho. Aliviado, fiz bem melhor essa parte, com uma volta bem rápida, certamente abaixo de 5min/km (o GPS deu uma pane, por conta da bateria que não carreguei). Até conseguiria repetir o trecho pela 3ª vez, mas a escuridão iria atrapalhar muito na volta. Mas deu para correr 17km.

Tinha treino na segunda, mas como voltei no domingo à noite, e as estradas não estavam exatamente fluindo bem, acabei indo dormir quase 2h da manhã, o que inviabilizou o treino, já que o faria mal e ainda no dia seguinte estaria cansado e provavelmente também faria um mau treino. Optei por descansar e correr ontem.

O treino de ontem à noite foi bem bom. Não foi fácil, mas foi tranquilo até o km 21. Fiz 24. Saí do escritório às 19h, peguei a Érico, Aureliano, Beira-Rio em direção à zona sul e fui até a Praça da Tristeza. De lá, voltei pelo mesmo caminho. A temperatura ajudou. Acho que por volta dos 22 graus e a umidade uns 40%. Nada como hoje, que está terrivelmente quente. Desse modo, consegui fazer os 12 primeiros km em 1:04:30, bebendo o repositor energético Sport Drink , rigorosamente de 4 em 4km, e na volta consegui fazer 1:03:39, principalmente porque acelerei nos últimos 3, fazendo 5:15, 5:11 e 5:08/km respectivamente. Saí pensando em 5:30/km de média. Acabei fazendo melhor e tranquilo. Valeu o treino.

Amanhã, quinta, a ideia é repetir o treino no quesito tranquilidade e tentar aumentar a distância para 26 ou 28 km. No sábado pela manhã tenho 30 km para fazer e no outro sábado 40... Tudo para tentar chegar 'na ponta dos cascos' no dia 5 de fevereiro. Para isso, também estou com a ajuda da Simone, nutricionista, que me está me dando o suporte para chegar cheio de energia nos músculos.

Lá em Remanso, vi um adversário fazendo 60km... Não acho que valha a pena esse sofrimento, prefiro deixar para o dia, mas cada um com o seu objetivo. O meu é terminar em algo como 8h30, o que vier além disso é lucro. O dele eu não sei.

Também agora no fim-de-semana, uns 10 integrantes da Equipe Daniel Rech estarão na Disney para fazer o Desafio do Pateta (correr a meia maratona no sábado e a maratona no domingo). Queria desejar boa sorte a eles e que possam realizar duas boas corridas, voltando satisfeitos e cheios de histórias para nos contar. Eu abortei a missão, porque faltou verba no orçamento. Só poderia ir se pudesse deixar de pagar pensão uns 3 meses. Como isso provavelmente acarretaria um pedido de prisão, achei mais inteligente ficar no Brasil. Mas estarei torcendo por eles com todo meu coração.

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